Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114332
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Escolar, feminina, 5 anos, é trazida à consulta por apresentar, há cerca de três meses, aumento progressivo das mamas e surgimento de pelos pubianos.Nos últimos dois meses, apresentou dois episódios de sangramento vaginal de pequena monta. Ao exame físico, bom estado geral, escore Z 0 (zero) para altura e +2 para peso, com critérios de Tanner M3 e P2. Palpa-se massa abdominal no quadrante inferior direito.Nesse caso, com base na principal hipótese diagnóstica, devem ser observadas as seguintes variações nos valores da dosagem hormonal:
Aprogeterona aumentada e estradiol diminuído.
Bestradiol e sulfato de dehidroepiandrosterona diminuídos.
Chormônio folículo-estimulante e progesterona aumentados
Dsulfato de dehidroepiandrosterona normal e estradiol aumentado.
Ehormônio luteinizante normal e hormônio folículoestimulante aumentado.
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GabaritoD — sulfato de dehidroepiandrosterona normal e estradiol aumentado.
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Puberdade precoce periférica: tumor ovariano produtor de estrogênio
Gabarito: letra D. O quadro — menina de 5 anos com telarca (M3), pubarca (P2), sangramento vaginal e massa abdominal no quadrante inferior direito — aponta para puberdade precoce periférica por tumor ovariano produtor de estrogênio, em que o estradiol está aumentado e o sulfato de dehidroepiandrosterona (DHEA-S) permanece normal, pois a produção hormonal é autônoma, independente do eixo gonadotrófico e da adrenarca.
A puberdade precoce é o aparecimento de caracteres sexuais secundários antes dos 8 anos em meninas e antes dos 9 anos em meninos. Ela se divide em dois grandes grupos: a central (verdadeira), em que há ativação prematura do eixo hipotálamo-hipófise-gônada, com elevação de LH e FSH; e a periférica (pseudo-puberdade precoce), em que a produção de esteroides sexuais é autônoma, por tumor ovariano, tumor testicular, hiperplasia adrenal congênita, tumor adrenal ou Síndrome de McCune-Albright, sem ativação do eixo gonadotrófico.
No caso apresentado, a presença de massa abdominal palpável no quadrante inferior direito é o dado-chave que direciona para um tumor ovariano (o mais comum é o tumor de células da granulosa, produtor de estrogênio). O sangramento vaginal em uma menina de 5 anos, sem menarca, é consequência da proliferação endometrial induzida pelo estrogênio elevado. O padrão hormonal esperado é:
Estradiol (E2) aumentado — produção autônoma pelo tumor.
DHEA-S normal — a adrenarca não está envolvida; o tumor ovariano não produz androgênios adrenais.
LH e FSH suprimidos (baixos) — o estrogênio elevado exerce feedback negativo sobre a hipófise, inibindo a secreção de gonadotrofinas.
Progesterona normal ou baixa — o tumor de células da granulosa produz predominantemente estrogênio, não progesterona.
A distinção entre puberdade precoce central e periférica é feita pela dosagem de LH basal ou após estímulo com GnRH: na central, o LH está elevado (≥ 0,3 UI/L por ECLIA/ICMA); na periférica, o LH está suprimido. Essa é a fronteira que separa as alternativas: a questão cobra exatamente o padrão hormonal da forma periférica, em que o estradiol está alto e o DHEA-S normal.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre puberdade precoce central e periférica. Na central, o LH e o FSH estão elevados (ativação do eixo); na periférica, estão suprimidos. As alternativas que citam LH/FSH aumentados (como a E) descrevem a forma central, não o tumor ovariano autônomo. Além disso, o DHEA-S elevado indicaria adrenarca prematura ou tumor adrenal, não tumor ovariano.
Puberdade precoce
1Central (verdadeira)
Ativação do eixo H-H-G
LH e FSH elevados
2Periférica (pseudo)
Produção autônoma de esteroides
LH e FSH suprimidos
Causas
Tumor ovariano (células da granulosa)
Tumor testicular
Hiperplasia adrenal congênita
Tumor adrenal
McCune-Albright
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma progesterona aumentada e estradiol diminuído. O tumor de células da granulosa produz estrogênio, não progesterona, e o estradiol está aumentado, não diminuído. A progesterona elevada seria esperada em tumores produtores de progesterona (raros) ou em fase lútea do ciclo, não neste contexto.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma estradiol e DHEA-S diminuídos. O estradiol está aumentado pela produção autônoma do tumor. O DHEA-S pode estar normal, mas não diminuído; sua elevação indicaria adrenarca prematura ou tumor adrenal, não tumor ovariano.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma FSH e progesterona aumentados. Na puberdade precoce periférica, o FSH está suprimido pelo feedback negativo do estrogênio elevado, não aumentado. A progesterona também não está aumentada, pois o tumor produz predominantemente estrogênio.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma DHEA-S normal e estradiol aumentado. É exatamente o padrão esperado no tumor ovariano produtor de estrogênio: o estradiol está elevado pela produção autônoma, e o DHEA-S permanece normal, pois a adrenarca não está envolvida. O LH e o FSH estariam suprimidos, mas a alternativa não os menciona, o que a torna correta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma LH normal e FSH aumentado. Na puberdade precoce periférica, ambos estão suprimidos pelo feedback negativo do estrogênio. LH e FSH elevados são característicos da puberdade precoce central, não do tumor ovariano autônomo.
Gabarito: letra D — DHEA-S normal e estradiol aumentado, padrão do tumor ovariano produtor de estrogênio na puberdade precoce periférica.