Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114333
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Escolar de 6 anos, sexo masculino, é trazido ao ambulatório de Pediatria por apresentar quedas súbitas recorrentes, geralmente precedidas por abalos musculares e seguidas de perda breve da consciência. Nos últimos meses, surgiram episódios em que permanece imóvel, com olhar fixo e sem resposta, por alguns segundos.Observa-se regressão de habilidades previamente adquiridas, queda no desempenho cognitivo, além de hiperatividade e irritabilidade. O exame físico é normal, sem déficits motores.Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale a afirmativa correta.
AA primeira linha de tratamento medicamentoso é formada pela etossuximida ou lamotrigina.
BPacientes sem etiologia definida, com deterioração global, devem ser investigados para esclerose tuberosa.
CNo EEG, ocorrem ondas lentas com projeção nas regiões centrotemporais que se exacerbam durante o sono.
DA maior parte dos pacientes tem remissão total das crises na adolescência, com duração média da doença de 4 anos.
ETrata-se de acometimento cujos sintomas iniciam nos primeiros seis meses de vida e, em geral, não percebidos pelos pais.
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GabaritoB — Pacientes sem etiologia definida, com deterioração global, devem ser investigados para esclerose tuberosa.
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Epilepsia de ausência na infância: diagnóstico e tratamento
Gabarito: letra B. O quadro clínico — escolar de 6 anos com quedas súbitas precedidas de abalos musculares, episódios de olhar fixo e imobilidade, regressão de habilidades e deterioração cognitiva — é compatível com epilepsia de ausência na infância (ou epilepsia com ausências da infância), e a alternativa correta afirma que, na ausência de etiologia definida, com deterioração global, deve-se investigar esclerose tuberosa. Essa é uma associação clássica: a esclerose tuberosa é uma das principais causas genéticas de epilepsia com deterioração cognitiva e regressão do desenvolvimento.
A epilepsia de ausência é uma síndrome epiléptica generalizada, de início típico entre 4 e 6 anos de idade, caracterizada por crises de ausência (perda breve de consciência, com olhar fixo e imobilidade, durando de 2 a 20 segundos). O diagnóstico é clínico, confirmado pelo EEG, que mostra complexos de ponta-onda a 3 Hz. O tratamento de primeira linha é feito com etossuximida ou ácido valproico (a lamotrigina é opção de segunda linha). A alternativa B está correta porque, quando há deterioração global e regressão de habilidades, deve-se investigar causas estruturais/genéticas como a esclerose tuberosa, que cursa com epilepsia de difícil controle e comprometimento cognitivo.
A esclerose tuberosa é uma doença genética (autossômica dominante) que causa hamartomas em múltiplos órgãos, incluindo o cérebro (tubérculos corticais). Esses tubérculos são focos epileptogênicos, frequentemente associados a epilepsia de difícil controle, atraso do desenvolvimento e regressão de habilidades. A investigação diagnóstica inclui exame de fundo de olho (hamartomas de retina), exame de pele (manchas hipocrômicas, angiofibromas), e neuroimagem (RNM com tubérculos corticais).
A alternativa A está incorreta porque a primeira linha de tratamento para epilepsia de ausência é etossuximida ou ácido valproico, não lamotrigina (que é segunda linha). A alternativa C está incorreta porque o EEG típico da epilepsia de ausência mostra complexos de ponta-onda a 3 Hz, não ondas lentas centrotemporais (que são características da epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais). A alternativa D está incorreta porque a remissão total das crises na adolescência é mais característica da epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais, não da epilepsia de ausência (que tem remissão em cerca de 60-70% dos casos, mas pode persistir). A alternativa E está incorreta porque os sintomas da epilepsia de ausência iniciam tipicamente entre 4 e 6 anos, não nos primeiros seis meses de vida (que é o padrão da síndrome de West).
A pegadinha da banca está em trocar características de diferentes síndromes epilépticas: a epilepsia de ausência é confundida com a epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais (que tem EEG com ondas lentas centrotemporais exacerbadas pelo sono e remissão na adolescência) e com a síndrome de West (que inicia nos primeiros meses de vida).
Epilepsia de ausência na infância
1Início típico
4 a 6 anos
2Crise
Perda breve de consciência
Olhar fixo e imobilidade
2 a 20 segundos
3EEG
Complexos ponta-onda a 3 Hz
4Tratamento de 1ª linha
Etossuximida
Ácido valproico
52ª linha
Lamotrigina
6Deterioração global sem etiologia
Investigar esclerose tuberosa
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A primeira linha de tratamento para epilepsia de ausência é etossuximida ou ácido valproico. A lamotrigina é uma opção de segunda linha, não de primeira. A banca troca o ácido valproico pela lamotrigina, que é um erro clássico.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A esclerose tuberosa é uma causa genética de epilepsia com deterioração cognitiva e regressão do desenvolvimento. Quando há deterioração global sem etiologia definida, a investigação deve incluir esclerose tuberosa, que cursa com tubérculos corticais epileptogênicos.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O EEG da epilepsia de ausência mostra complexos de ponta-onda a 3 Hz, não ondas lentas centrotemporais. Essas ondas lentas centrotemporais exacerbadas pelo sono são características da epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais (epilepsia rolândica).
Alternativa D — ❌ Incorreta
A remissão total das crises na adolescência com duração média de 4 anos é característica da epilepsia benigna da infância com pontas centrotemporais, não da epilepsia de ausência. Na epilepsia de ausência, a remissão ocorre em cerca de 60-70% dos casos, mas pode persistir na vida adulta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Os sintomas da epilepsia de ausência iniciam tipicamente entre 4 e 6 anos de idade, não nos primeiros seis meses de vida. O início nos primeiros meses é característico da síndrome de West (espasmos infantis).