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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114334
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Pré-escolar, 4 anos, é trazido para consulta ambulatorial com história de episódios repetidos de vômitos intensos, com início súbito, ocorrendo há cerca de um ano. Os episódios ocorrem no final da noite ou nas primeiras horas da manhã, durando algumas horas. Em meio às crises, apresenta intolerância à luz e aos sons. Nos intervalos entre os episódios, permanece bem. O exame físico é normal, e o paciente encontra-se completamente recuperado do último episódio.O medicamento correto para uso profilático, de acordo com a principal hipótese diagnóstica, é o(a)
  1. Apizotifeno.
  2. Bibuprofeno.
  3. Cpropranolol.
  4. Damitriptilina.
  5. Eesomeprazol.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — pizotifeno.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de vômitos cíclicos: profilaxia farmacológica

Gabarito: letra A. O quadro descrito — pré-escolar com episódios repetidos de vômitos intensos, início súbito, ocorrendo no final da noite ou nas primeiras horas da manhã, com intolerância à luz e ao som durante as crises e completo bem-estar nos intervalos — é a apresentação clássica da síndrome de vômitos cíclicos (SVC), uma desordem funcional gastrintestinal. Para a profilaxia dos episódios, o medicamento de primeira linha é o pizotifeno, um antagonista serotoninérgico com propriedades anticolinérgicas e anti-histamínicas, que reduz a frequência e a intensidade das crises. As demais opções não são indicadas como profilaxia de primeira linha nessa condição.

A síndrome de vômitos cíclicos é uma condição crônica e debilitante, mais comum em crianças, caracterizada por crises estereotipadas de vômitos intensos, separadas por intervalos de saúde plena. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado nos critérios de Roma IV, que exigem pelo menos cinco episódios em qualquer intervalo, ou três episódios em seis meses, com cada crise durando de 1 a 5 dias, e com padrão estereotipado e resolução completa entre os episódios. A fisiopatologia envolve disfunção do eixo cérebro-intestino, com possível hiperatividade do sistema nervoso autônomo e alterações na regulação do núcleo do trato solitário, que integra os estímulos eméticos. Gatilhos comuns incluem estresse emocional, infecções, privação de sono e certos alimentos.

O tratamento divide-se em duas frentes: o manejo da crise aguda e a profilaxia. Na crise aguda, o objetivo é interromper o vômito e prevenir a desidratação, utilizando antieméticos como ondansetrona, e, em casos graves, sedação com benzodiazepínicos ou clorpromazina. A profilaxia é indicada quando os episódios são frequentes (mais de um por mês) ou graves, e as opções incluem pizotifeno, ciproheptadina, propranolol e amitriptilina. O pizotifeno é considerado a primeira escolha em crianças, especialmente na faixa etária pré-escolar, devido à sua eficácia e perfil de segurança. A ciproheptadina é alternativa, principalmente em crianças menores. O propranolol e a amitriptilina são opções de segunda linha, usados quando as primeiras falham. O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroidal, sem papel na profilaxia da SVC, e o esomeprazol é um inibidor de bomba de prótons, indicado para refluxo gastroesofágico, não para SVC.

A distinção crucial é entre a SVC e outras causas de vômitos recorrentes, como refluxo gastroesofágico, obstrução intestinal, hipertensão intracraniana, distúrbios metabólicos e enxaqueca abdominal. Na SVC, os vômitos são projetados, intensos, e frequentemente acompanhados de palidez, letargia e sintomas autonômicos, como fotofobia e fonofobia, que também ocorrem na enxaqueca. A enxaqueca abdominal é um diagnóstico diferencial importante, mas a SVC é mais comum em crianças mais novas e tem vômitos como sintoma predominante. A ausência de sintomas entre as crises e o exame físico normal são características que ajudam a diferenciar de causas orgânicas.

A banca explora a confusão entre o tratamento agudo e o profilático, e entre as diferentes classes de medicamentos. O candidato pode ser tentado a escolher um antiemético (como ondansetrona, não listado) ou um analgésico (ibuprofeno), mas a questão pede explicitamente o uso profilático. Além disso, é comum confundir o pizotifeno com outros agentes, como a ciproheptadina, que também é usada, mas o pizotifeno é a resposta correta para a faixa etária descrita. A chave é reconhecer a SVC e lembrar que o pizotifeno é a primeira linha profilática em crianças.

1Profilaxia
1ª linha: pizotifeno
Alternativa: ciproheptadina
2ª linha: propranolol
2ª linha: amitriptilina
2Crise aguda
Antiemético (ondansetrona)
Sedação (benzodiazepínico)
3Diagnóstico (Roma IV)
≥5 episódios (ou 3 em 6 meses)
Crises de 1 a 5 dias
Padrão estereotipado
Resolução completa entre crises
Síndrome de vômitos cíclicos
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Síndrome de vômitos cíclicos: Profilaxia (1ª linha: pizotifeno, Alternativa: ciproheptadina, 2ª linha: propranolol, 2ª linha: amitriptilina); Crise aguda (Antiemético (ondansetrona), Sedação (benzodiazepínico)); Diagnóstico (Roma IV) (≥5 episódios (ou 3 em 6 meses), Crises de 1 a 5 dias, Padrão estereotipado, Resolução completa entre crises)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O pizotifeno é um antagonista dos receptores de serotonina (5-HT2) e histamina (H1), com ação anticolinérgica, que tem se mostrado eficaz na profilaxia da síndrome de vômitos cíclicos em crianças. Estudos clínicos demonstram redução significativa na frequência e intensidade das crises. É a primeira escolha em pré-escolares, como o caso apresentado, devido à sua eficácia e segurança. A dose usual é de 0,5 a 1,5 mg/dia, administrada à noite, e pode ser ajustada conforme a resposta.

Alternativa B — ❌ Incorreta

O ibuprofeno é um anti-inflamatório não esteroidal (AINE), utilizado para dor, febre e inflamação. Não tem papel na profilaxia da SVC, pois não atua nos mecanismos fisiopatológicos da doença, que envolvem disfunção autonômica e serotoninérgica. Seu uso na crise aguda poderia até ser considerado para dor, mas não é profilático e pode irritar a mucosa gástrica, piorando os vômitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O propranolol é um betabloqueador não seletivo, usado como profilaxia de segunda linha na SVC, especialmente em crianças maiores e adolescentes. No entanto, não é a primeira escolha em pré-escolares, e a questão pede o medicamento correto para o caso, que é o pizotifeno. O propranolol pode ser considerado quando o pizotifeno falha ou não é tolerado, mas não é a resposta esperada.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A amitriptilina é um antidepressivo tricíclico, também usado como profilaxia de segunda linha na SVC, principalmente em adolescentes e adultos. Em crianças pré-escolares, seu uso é limitado devido aos efeitos colaterais anticolinérgicos e cardiovasculares. Não é a primeira escolha para a faixa etária do caso, sendo o pizotifeno o mais indicado.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O esomeprazol é um inibidor de bomba de prótons (IBP), utilizado para reduzir a secreção ácida gástrica, sendo indicado no tratamento de refluxo gastroesofágico, úlceras e dispepsia. Não tem indicação na profilaxia da SVC, pois a doença não é causada por excesso de ácido, mas por disfunção do reflexo do vômito. Seu uso seria inadequado e não traria benefício.

Gabarito: letra A — o pizotifeno é o medicamento profilático correto para a síndrome de vômitos cíclicos em pré-escolares.

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