Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114337
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Um menino de 4 anos que apresentava história de dificuldade para correr e subir escada, além de quedas frequentes, teve a confirmação diagnóstica por ter sido encontrado uma variante patogênica no teste genético. Não há outros casos conhecidos na família e a mãe é assintomática.Com base na principal hipótese diagnóstica, assinale a afirmativa correta.
AComo as doenças com esse padrão de herança raramente apresentam mutações esporádicas, a mãe deve realizar teste genético molecular.
BA testagem genética materna está indicada quando ocorrerem sintomas típicos ou outras anormalidades compatíveis com portadora sintomática.
CNa minoria dos casos em que não há outros familiares afetados, a mutação ocorre de novo e, portanto, a mãe deverá realizar teste genético molecular.
DA investigação genética materna é dispensável, pois a presença de um único caso na família é considerada como mutação de novo, sem risco reprodutivo.
EConsiderando que o gene dessa doença não apresenta alta taxa de mutação, faz-se o teste genético materno nos casos em que houver histórico familiar positivo.
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GabaritoC — Na minoria dos casos em que não há outros familiares afetados, a mutação ocorre de novo e, portanto, a mãe deverá realizar teste genético molecular.
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Distrofia muscular de Duchenne: herança ligada ao X e aconselhamento genético
Gabarito: letra C. O quadro clínico — menino de 4 anos com dificuldade para correr, subir escadas e quedas frequentes — é clássico de distrofia muscular de Duchenne (DMD), doença de herança ligada ao X recessiva. Quando não há outros casos na família e a mãe é assintomática, na minoria dos casos a mutação é de novo (esporádica), mas na maioria a mãe é portadora assintomática — por isso o teste genético materno está indicado para definir o risco de recorrência. A alternativa C espelha exatamente essa conduta.
A distrofia muscular de Duchenne é a miopatia hereditária mais comum na infância, causada por mutações no gene DMD (cromossomo X), que codifica a distrofina. A herança é recessiva ligada ao X: meninos (XY) que herdam o alelo mutado expressam a doença; meninas (XX) geralmente são portadoras assintomáticas, pois o alelo normal no outro X compensa. O padrão clínico típico — início antes dos 5 anos, fraqueza proximal (dificuldade para correr, subir escadas, sinal de Gowers), quedas frequentes e pseudohipertrofia de panturrilhas — é o que a questão descreve.
O ponto central do aconselhamento genético é a distinção entre mutação de novo e mãe portadora. Estudos mostram que, em famílias sem história prévia, cerca de 1/3 dos casos de DMD resultam de mutação de novo (esporádica) e 2/3 ocorrem porque a mãe é portadora assintomática da mutação. Por isso, a simples ausência de casos na família não exclui a possibilidade de a mãe ser portadora — ela pode ter herdado a mutação de sua própria mãe (avó do paciente) sem que nenhum homem da família tivesse sido afetado, ou a mutação pode ter surgido nela.
A conduta correta, portanto, é sempre oferecer o teste genético molecular à mãe após o diagnóstico do filho, independentemente de ela ser sintomática ou de haver história familiar. Esse teste define se a mutação foi herdada (risco de recorrência de 50% em cada gestação de filho homem) ou se é de novo (risco de recorrência baixo, mas não zero, devido ao mosaicismo germinativo). A alternativa C captura essa nuance: "na minoria dos casos em que não há outros familiares afetados, a mutação ocorre de novo e, portanto, a mãe deverá realizar teste genético molecular" — ou seja, mesmo na minoria em que a mutação é de novo, o teste materno é necessário para confirmar.
A pegadinha da banca está em inverter a frequência: a maioria dos casos sem história familiar tem mãe portadora, não mutação de novo. E a alternativa D, que dispensa o teste materno, é um erro grave de aconselhamento genético, pois ignora o risco de recorrência e o mosaicismo germinativo.
Distrofia muscular de Duchenne
1Herança ligada ao X recessiva
Meninos (XY) afetados
Meninas (XX) portadoras assintomáticas
2Gene DMD (distrofina)
3Sem história familiar
Maioria (2/3): mãe portadora
Minoria (1/3): mutação de novo
4Conduta
Teste genético materno sempre indicado
Define risco de recorrência
Mosaicismo germinativo
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que "doenças com esse padrão de herança raramente apresentam mutações esporádicas". Isso é falso: na DMD, cerca de 1/3 dos casos sem história familiar são mutações de novo — não são raras. Além disso, a conclusão (mãe deve fazer teste) está correta, mas a premissa está errada, o que torna a alternativa incorreta.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Condiciona a testagem materna à presença de "sintomas típicos ou outras anormalidades compatíveis com portadora sintomática". Isso é incorreto: a testagem materna está indicada sempre após o diagnóstico de DMD no filho, independentemente de a mãe ser sintomática. A maioria das portadoras é assintomática, e o teste é necessário para avaliar o risco de recorrência.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Afirma que "na minoria dos casos em que não há outros familiares afetados, a mutação ocorre de novo e, portanto, a mãe deverá realizar teste genético molecular". Correto: cerca de 1/3 dos casos são mutações de novo (minoria), e mesmo nesses casos o teste materno é indicado para confirmar e avaliar o risco de recorrência (incluindo mosaicismo germinativo).
Alternativa D — ❌ Incorreta
Diz que "a investigação genética materna é dispensável, pois a presença de um único caso na família é considerada como mutação de novo, sem risco reprodutivo". Erro grave: a maioria dos casos sem história familiar tem mãe portadora (não mutação de novo), e mesmo na mutação de novo há risco de recorrência por mosaicismo germinativo. Dispensar o teste materno é conduta inadequada.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Condiciona o teste materno a "histórico familiar positivo". Incorreto: o teste materno está indicado mesmo sem história familiar, pois a mãe pode ser portadora assintomática. A ausência de história familiar não exclui a possibilidade de a mãe ser portadora.