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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114338
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Lactente de 3 meses é levado ao pronto-socorro após episódio súbito de palidez associado a pausa respiratória breve, acompanhado de diminuição do tônus e responsividade. O evento durou cerca de 25 segundos e já estava resolvido na chegada. Não há antecedentes de doença ou achados clínicos atuais que expliquem o quadro.Assinale a opção que melhor explica esse episódio.
  1. ASíncope vasovagal secundária a estímulo doloroso intenso.
  2. BEvento breve e resolvido em lactente, sem causa identificável (BRUE).
  3. CRefluxo gastroesofágico complicado, responsável por apneia prolongada e cianose.
  4. DCrise convulsiva generalizada com necessidade de investigação neurológica imediata.
  5. EInfecção respiratória aguda grave, manifestando-se com hipoxemia e instabilidade clínica.
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GabaritoB — Evento breve e resolvido em lactente, sem causa identificável (BRUE).

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Evento breve, resolvido e inexplicado em lactente: BRUE

Gabarito: letra B. O quadro descrito — lactente de 3 meses com episódio súbito de palidez, pausa respiratória breve, hipotonia e diminuição da responsividade, com duração de cerca de 25 segundos, já resolvido na chegada e sem causa identificável — preenche os critérios clássicos de Evento Breve, Resolvido e Inexplicado (BRUE, do inglês Brief Resolved Unexplained Event), conceito que substituiu a antiga denominação "aparente ameaça à vida" (ALTE). A alternativa B é a única que descreve exatamente essa entidade: um evento breve, resolvido e sem explicação após avaliação clínica adequada.

O BRUE é definido como um evento que ocorre em lactente menor de 1 ano, caracterizado por uma combinação de cianose ou palidez, alteração do tônus muscular (hipotonia ou hipertonia), alteração da responsividade e/ou respiração anormal (pausa, respiração irregular ou ofegante), com duração tipicamente inferior a 1 minuto, que se resolve espontaneamente e cuja causa não é identificada após história e exame físico minuciosos. O termo foi proposto em 2016 pela Academia Americana de Pediatria (AAP) para substituir o antigo ALTE, pois este último não distinguia eventos benignos daqueles com risco real de recorrência ou doença subjacente grave.

A importância clínica do BRUE está na estratificação de risco. A AAP classifica o BRUE em duas categorias: BRUE de baixo risco e BRUE de alto risco. O lactente do enunciado — 3 meses, sem antecedentes, sem achados ao exame físico, evento breve e já resolvido — se enquadra no perfil de baixo risco, desde que preencha todos os critérios: idade > 60 dias, nascido a termo (≥ 37 semanas), sem história prévia de BRUE, evento com duração < 1 minuto, sem necessidade de reanimação por profissional treinado e sem achados anormais ao exame físico. Para esses casos, a conduta recomendada é observação e orientação aos pais, sem necessidade de internação ou investigação extensa imediata.

O diagnóstico de BRUE é essencialmente de exclusão: só pode ser firmado quando, após história detalhada e exame físico completo, nenhuma causa específica é encontrada. Isso diferencia o BRUE de outras entidades que podem se apresentar de forma semelhante, como refluxo gastroesofágico complicado, crises convulsivas, infecções ou síncope — todas elas teriam achados clínicos ou história que as identificariam como causa. A banca explora exatamente essa fronteira: o que torna o caso um BRUE é a ausência de causa identificável após avaliação adequada, não a presença de qualquer sintoma isolado.

Na prática, o médico deve realizar uma anamnese dirigida (perguntar sobre a duração exata do evento, coloração da pele, tônus, responsividade, necessidade de intervenção, história de eventos anteriores, uso de medicamentos, ambiente) e exame físico completo, incluindo sinais vitais, avaliação neurológica e cardíaca. Se tudo for normal e o evento se encaixar nos critérios, o diagnóstico de BRUE de baixo risco é feito e a conduta é conservadora. A pegadinha da questão está em reconhecer que o BRUE é um diagnóstico sindrômico de exclusão — qualquer alternativa que atribua uma causa específica (refluxo, convulsão, infecção, síncope) estaria incorreta justamente porque o enunciado afirma que "não há antecedentes de doença ou achados clínicos atuais que expliquem o quadro".

Guarde o critério decisivo: evento breve + resolvido + inexplicado = BRUE. É exatamente essa tríade que separa a alternativa correta das demais, que tentam impor uma etiologia específica a um quadro que, por definição, não tem causa identificada.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A síncope vasovagal é um mecanismo de perda transitória de consciência por hipoperfusão cerebral, geralmente desencadeada por estímulo doloroso intenso, estresse emocional ou ortostatismo prolongado. Embora possa causar palidez e hipotonia, a síncope vasovagal é rara em lactentes de 3 meses — o reflexo vasovagal maduro é mais comum em crianças maiores e adolescentes. Além disso, o enunciado não menciona nenhum estímulo desencadeante, e a síncope costuma ter pródromos (sudorese, visão turva) que não são descritos. O erro está em atribuir uma causa específica (estímulo doloroso) a um evento que, pelo enunciado, é inexplicado.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Esta alternativa descreve com precisão o BRUE: evento breve (25 segundos), resolvido na chegada ao serviço de saúde, em lactente de 3 meses, sem causa identificável após avaliação. A definição de BRUE exige exatamente esses elementos — brevidade, resolução espontânea e ausência de explicação após história e exame físico. O lactente do caso se encaixa no perfil de baixo risco, o que orienta conduta conservadora com orientação aos pais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O refluxo gastroesofágico (RGE) complicado pode causar apneia e cianose em lactentes, mas o enunciado não traz nenhum dado que sustente essa hipótese: não há história de regurgitações frequentes, choro excessivo, recusa alimentar, ganho de peso inadequado ou qualquer outro sintoma típico de RGE patológico. Além disso, o RGE complicado costuma causar eventos mais prolongados e recorrentes, não um episódio único e breve. A alternativa erra ao afirmar que o RGE é "responsável" pelo quadro, quando o enunciado explicitamente diz que não há causa identificável.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Uma crise convulsiva generalizada poderia causar hipotonia e diminuição da responsividade, mas o enunciado não descreve movimentos tônico-clônicos, desvio ocular, mordedura de língua ou período pós-ictal prolongado — sinais típicos de convulsão. Além disso, a duração de 25 segundos com resolução espontânea e completa é mais compatível com BRUE do que com crise convulsiva, que geralmente dura mais de 1 minuto e deixa sequelas pós-ictais. A alternativa erra ao afirmar que há "necessidade de investigação neurológica imediata", quando o quadro não preenche critérios para suspeita de convulsão.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Uma infecção respiratória aguda grave cursaria com febre, tosse, taquipneia, esforço respiratório, hipoxemia e instabilidade clínica — nenhum desses sinais está presente no enunciado. O lactente não tem antecedentes de doença, não apresenta achados ao exame físico e o evento já estava resolvido na chegada. A alternativa erra ao atribuir o quadro a uma infecção, quando não há nenhum dado clínico que a sustente.

NÃO CAIA NESSA!

A banca tenta fazer o candidato "inventar" uma causa para o evento, oferecendo distratores com etiologias plausíveis (refluxo, convulsão, infecção, síncope). A chave é perceber que o BRUE é, por definição, um evento inexplicado — o enunciado afirma explicitamente que não há causa identificável. Se o quadro tivesse qualquer achado que apontasse para uma dessas etiologias, não seria BRUE. Memorize a tríade: breve + resolvido + inexplicado.

NÃO CAIA NESSA!

Na prova, ao se deparar com um lactente que teve um evento súbito e transitório (palidez, apneia, hipotonia) já resolvido e sem causa aparente, pense imediatamente em BRUE. Verifique os critérios de baixo risco (idade > 60 dias, nascido a termo, evento < 1 minuto, sem reanimação, exame físico normal) — se todos estiverem presentes, a conduta é observação e orientação, sem investigação extensa. Essa é uma das pegadinhas mais recorrentes em pediatria: confundir BRUE com causas específicas que exigiriam investigação imediata.

Gabarito: letra B

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