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Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025

MedicinaPediatria e Neonatologia
Código
fg114345
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Pediatria (Med Ins Ped, Neonatologia, Neurologia Pediátrica, Psiquiatria na Inf e Adolescência)
Adolescente, 15 anos, feminino, previamente saudável, é trazida ao ambulatório com queixa de queda acentuada de cabelo há cerca de três semanas. Os fios caem em grande quantidade durante o banho e ao pentear. Nega prurido ou dor. Há dois meses, iniciou anticoncepcional hormonal por dismenorreia.Ao exame físico, não há lesões ou áreas de rarefação do cabelo em couro cabeludo. Exames laboratoriais iniciais (hemograma, TSH, ferritina, zinco e vitamina D) sem alterações.Com base na principal hipótese diagnóstica, a conduta mais adequada é
  1. Atranquilizar a adolescente e explicar que houve uma alteração passageira no ciclo normal do cabelo.
  2. Bsuspender o anticoncepcional hormonal, explicando que a parada da queda ocorrerá em duas semanas.
  3. Cexplicar que está ocorrendo uma inflamação leve e passageira dos folículos, revertida com medicação tópica.
  4. Desclarecer que haverá adaptação progressiva às alterações hormonais induzidas pelo medicamento, cessando a queda.
  5. Esugerir evitar lavagens excessivas dos cabelos até a melhora do quadro, que tende a ser gradual com o controle da dismenorreia.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — tranquilizar a adolescente e explicar que houve uma alteração passageira no ciclo normal do cabelo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Eflúvio telógeno: diagnóstico e conduta

Gabarito: letra A. O quadro — queda difusa e acentuada de cabelo há três semanas, sem lesões no couro cabeludo, exames laboratoriais normais e início recente de anticoncepcional hormonal — é a apresentação clássica de eflúvio telógeno, uma alteração passageira do ciclo capilar em que fios em fase de repouso caem de forma sincronizada. A conduta correta é tranquilizar a paciente e explicar que a queda é autolimitada, sem necessidade de suspender a medicação, tratar inflamação ou restringir lavagens.

O eflúvio telógeno é a causa mais comum de queda difusa de cabelo e ocorre quando um estresse fisiológico — como alterações hormonais, febre, cirurgia, perda de peso ou parto — interrompe prematuramente a fase de crescimento (anágena) de um grande número de folículos, empurrando-os para a fase de repouso (telógena). Cerca de 2 a 3 meses após o gatilho, esses fios caem simultaneamente, o que explica o intervalo entre o início do anticoncepcional e o aparecimento da queixa. O diagnóstico é essencialmente clínico: a queda é difusa, sem áreas de rarefação, sem prurido ou dor, e o exame do couro cabeludo é normal. Exames laboratoriais (hemograma, TSH, ferritina, zinco, vitamina D) servem para afastar causas como anemia ferropriva, disfunção tireoidiana ou deficiências nutricionais — e, no caso, vieram todos normais.

A conduta é expectante: explicar à paciente que a queda é passageira e que o cabelo voltará ao normal em alguns meses, sem necessidade de suspender o anticoncepcional (que está sendo usado para tratar a dismenorreia) nem de usar medicações tópicas. A suspensão do anticoncepcional não é indicada, pois a queda não é causada por ele de forma permanente — é apenas o gatilho que desencadeou a sincronização do ciclo capilar. Além disso, a queda não cessa em duas semanas; o ciclo completo de recuperação leva de 3 a 6 meses. Também não há inflamação folicular (o que descarta alopecia areata ou foliculite) e não há necessidade de evitar lavagens — a lavagem apenas remove os fios que já estavam em fase de queda.

A distinção mais importante é entre eflúvio telógeno e outras causas de queda de cabelo, como eflúvio anágeno (queda de fios em fase de crescimento, associada a quimioterapia ou radiação, que ocorre em dias a semanas), alopecia areata (queda em placas, com áreas de rarefação bem delimitadas) e alopecia androgenética (queda progressiva e permanente, com padrão característico). No eflúvio telógeno, o teste de tração costuma ser positivo (fios caem facilmente ao puxar), mas o exame do couro cabeludo não mostra áreas de rarefação — exatamente como no caso da paciente.

A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem plausíveis, mas que não correspondem à conduta correta: suspender o anticoncepcional, tratar uma inflamação inexistente, prometer adaptação hormonal ou restringir lavagens. A alternativa correta é a que reconhece o caráter benigno e autolimitado do quadro e orienta a paciente de forma tranquilizadora. Guarde o critério: queda difusa + gatilho recente + exame normal + exames laboratoriais normais = eflúvio telógeno → conduta expectante e tranquilização.

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa reconhece o diagnóstico de eflúvio telógeno e a conduta adequada: tranquilizar a adolescente e explicar que houve uma alteração passageira no ciclo normal do cabelo. A queda é autolimitada e o cabelo voltará ao normal em alguns meses, sem necessidade de intervenção. É exatamente o que a paciente precisa ouvir — e o que a medicina baseada em evidências recomenda para essa condição.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Suspender o anticoncepcional não é indicado, pois o medicamento está sendo usado para tratar a dismenorreia e a queda não é causada por ele de forma permanente — é apenas o gatilho que desencadeou a sincronização do ciclo capilar. Além disso, a queda não cessa em duas semanas; o ciclo completo de recuperação leva de 3 a 6 meses. A suspensão do anticoncepcional poderia até piorar a dismenorreia, sem benefício para a queda de cabelo.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Não há inflamação folicular no eflúvio telógeno. A queda é causada pela sincronização do ciclo capilar, não por um processo inflamatório. A alternativa confunde eflúvio telógeno com foliculite ou alopecia areata, que cursam com inflamação e lesões no couro cabeludo — ausentes no caso. Medicação tópica não tem papel no tratamento do eflúvio telógeno.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A alternativa sugere que haverá adaptação progressiva às alterações hormonais induzidas pelo medicamento, o que não é o mecanismo do eflúvio telógeno. A queda não ocorre por falta de adaptação, mas pela interrupção prematura da fase de crescimento de um grande número de folículos. A queda é passageira e autolimitada, mas não por "adaptação" — e sim pela retomada natural do ciclo capilar.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Evitar lavagens excessivas não tem impacto no eflúvio telógeno. A lavagem apenas remove os fios que já estavam em fase de queda — não acelera nem retarda o processo. A conduta correta é tranquilizar a paciente, não restringir hábitos de higiene. Além disso, a melhora não está relacionada ao controle da dismenorreia, mas à resolução espontânea do ciclo capilar.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a associação automática entre "queda de cabelo + anticoncepcional" e a ideia de que o medicamento deve ser suspenso. Mas o eflúvio telógeno é uma resposta fisiológica ao gatilho, não um efeito adverso que exija suspensão. A queda é passageira e o tratamento é expectante — tranquilizar, não intervir. Fique atento: quando o exame físico e os exames laboratoriais são normais, a conduta raramente é medicamentosa.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as causas de queda de cabelo, use o padrão clínico: queda difusa + gatilho recente + exame normal = eflúvio telógeno (conduta expectante); queda em placas + áreas de rarefação = alopecia areata (pode precisar de tratamento tópico); queda progressiva + padrão característico = alopecia androgenética (tratamento específico). Memorize o intervalo de 2 a 3 meses entre o gatilho e a queda — é a chave para reconhecer o eflúvio telógeno.

Gabarito: letra A.

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