A população brasileira está envelhecendo rapidamente: o número de idosos mais que dobrou em poucas décadas e a idade média da população aumentou significativamente. Com isso, temos o desafio de garantir um envelhecimento saudável com prevenção de doenças, acompanhamento médico adequado e cuidado integrado.Tendo em mente essas informações, considere que um idoso de 75 anos apresenta queixas de perda de memória, e dificuldade de realizar as atividades diárias.A abordagem mais apropriada para avaliar a capacidade funcional desse paciente é
Arealizar exames de imagem cerebral, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética.
Butilizar escalas de avaliação cognitiva, como o Miniexame do Estado Mental (MEEM).
Cavaliar a capacidade funcional através de atividades instrumentais da vida diária (AIVD).
Dprescrever medicamentos para melhorar a memória sem avaliar a capacidade funcional.
Eencaminhar o paciente para um especialista sem realizar uma avaliação inicial.
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GabaritoC — avaliar a capacidade funcional através de atividades instrumentais da vida diária (AIVD).
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Avaliação da capacidade funcional no idoso com queixa de memória
Gabarito: letra C. A abordagem mais apropriada para avaliar a capacidade funcional de um idoso de 75 anos com queixas de perda de memória e dificuldade nas atividades diárias é avaliar as atividades instrumentais da vida diária (AIVD). O prejuízo funcional é condição essencial para o diagnóstico de demência, e a avaliação das AIVD é o instrumento que captura o impacto da queixa cognitiva no dia a dia, conforme a literatura geriátrica. As demais alternativas ou avaliam domínios diferentes (imagem cerebral, cognição isolada) ou representam condutas inadequadas (prescrever sem avaliar, encaminhar sem avaliação inicial).
A queixa de memória no idoso é um dos motivos mais frequentes de consulta, e o desafio central é diferenciar o envelhecimento normal de uma possível síndrome demencial. O ponto-chave dessa diferenciação é justamente o impacto funcional: a perda de memória que interfere na capacidade de realizar as atividades do dia a dia aponta para um quadro demencial, enquanto queixas sem repercussão funcional tendem a ser benignas. Por isso, a primeira pergunta a ser feita diante de uma queixa de memória é o quanto ela tem interferido na rotina do paciente — e é exatamente essa interferência que as escalas de atividades instrumentais da vida diária (AIVD) mensuram.
As AIVD são tarefas mais complexas que as atividades básicas da vida diária (ABVD) e envolvem habilidades como gerenciar finanças, usar telefone, preparar refeições, fazer compras, usar transporte e administrar medicamentos. São justamente essas atividades que costumam ser as primeiras a se deteriorar nos estágios iniciais das demências, porque exigem funções executivas e memória mais elaboradas. Um idoso que antes administrava suas finanças e agora não consegue mais, ou que se perde em locais conhecidos, está demonstrando prejuízo funcional que precisa ser quantificado e monitorado.
A avaliação da capacidade funcional não substitui a avaliação cognitiva — elas são complementares. O Mini-Exame do Estado Mental (MEEM) é um teste de rastreio cognitivo que avalia orientação, memória, atenção e linguagem, mas não mede diretamente a capacidade funcional. A tomografia ou ressonância magnética cerebral são exames de imagem que ajudam a excluir causas secundárias de demência (como tumores, hidrocefalia ou AVC), mas não avaliam a funcionalidade. A abordagem correta é integrada: avaliação cognitiva + avaliação funcional + investigação de causas reversíveis, quando indicada.
A banca explora aqui a confusão entre os diferentes instrumentos de avaliação geriátrica. O enunciado pergunta especificamente sobre a capacidade funcional, e não sobre cognição ou imagem cerebral. O candidato que associa automaticamente "perda de memória" ao MEEM ou à neuroimagem erra a questão, pois o que se pede é a avaliação do impacto funcional da queixa — e isso se faz com as AIVD. Guarde essa distinção: cognição (MEEM), função (AIVD/ABVD) e estrutura cerebral (neuroimagem) são domínios diferentes que se complementam na avaliação geriátrica.
Avaliação do idoso com queixa de memória: Domínios complementares (Cognição → MEEM, Função → AIVD/ABVD, Estrutura cerebral → Neuroimagem); Capacidade funcional (AIVD) (Gerenciar finanças, Usar transporte, Preparar refeições, Administrar medicamentos); Diagnóstico de demência (Prejuízo funcional é essencial)
Alternativa A — ❌ Incorreta
Realizar exames de imagem cerebral (TC ou RM) avalia a estrutura anatômica do cérebro, buscando causas secundárias de demência (tumores, hidrocefalia, infartos). Não é um instrumento de avaliação da capacidade funcional. A neuroimagem pode ser indicada em casos selecionados, mas não responde à pergunta sobre o impacto funcional da queixa de memória.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O MEEM é um teste de rastreio cognitivo, que avalia orientação, memória, atenção e linguagem. Embora seja parte importante da avaliação de um idoso com queixa de memória, ele não mede a capacidade funcional — que é o que o enunciado pede. A alternativa confunde avaliação cognitiva com avaliação funcional.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A avaliação das atividades instrumentais da vida diária (AIVD) é o instrumento apropriado para avaliar a capacidade funcional. As AIVD englobam tarefas complexas como gerenciar finanças, usar transporte, preparar refeições e administrar medicamentos — exatamente as atividades que o idoso com queixa de memória pode estar perdendo. O prejuízo funcional é condição essencial para o diagnóstico de demência, e as AIVD capturam esse impacto de forma objetiva.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Prescrever medicamentos para melhorar a memória sem avaliar a capacidade funcional é conduta inadequada e antiética. Antes de qualquer prescrição, é necessário estabelecer o diagnóstico (que depende da avaliação funcional) e investigar causas reversíveis. Prescrever "às cegas" pode mascarar sintomas, causar efeitos adversos e atrasar o diagnóstico correto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Encaminhar o paciente a um especialista sem realizar uma avaliação inicial é conduta inadequada. A avaliação inicial — incluindo a funcional — é fundamental para orientar o encaminhamento e evitar investigações desnecessárias. O médico da atenção primária deve realizar a avaliação inicial e, a partir dela, decidir sobre a necessidade de aprofundamento e encaminhamento.
NÃO CAIA NESSA!
Na avaliação do idoso com queixa de memória, lembre-se da tríade: cognição (MEEM), função (AIVD/ABVD) e causas reversíveis (exames laboratoriais e de imagem quando indicados). A questão que pede "capacidade funcional" aponta diretamente para as AIVD — não confunda com o MEEM, que avalia cognição.