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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg114377
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Mulher de 23 anos, previamente saudável, procura prontosocorro com dor abdominal em hipocôndrio direito há 3 dias, irradiada para ombro direito, de forte intensidade, associada a febre baixa e a corrimento vaginal purulento. Nega litíase biliar prévia.Ao exame, apresenta dor à palpação do hipocôndrio direito sem icterícia. O exame ginecológico revela dor à mobilização do colo uterino. Ultrassonografia de abdome superior mostra vesícula biliar de paredes finas, sem cálculos, vias biliares sem dilatação.O diagnóstico mais provável é
  1. Acolecistite calculosa aguda.
  2. Bhepatite viral aguda.
  3. Csíndrome de Fitz-Hugh-Curtis.
  4. Dpancreatite aguda.
  5. Eabscesso hepático amebiano.
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GabaritoC — síndrome de Fitz-Hugh-Curtis.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis: diagnóstico diferencial de dor em hipocôndrio direito

Gabarito: letra C. O quadro — dor em hipocôndrio direito irradiada para o ombro direito, febre baixa, corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino, com ultrassonografia de vias biliares normal — é a apresentação clássica da síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, a peri-hepatite gonocócica ou por clamídia que complica a doença inflamatória pélvica (DIP). O diagnóstico é essencialmente clínico, e a chave está na associação entre os sintomas abdominais altos e os sinais de infecção genital.

A síndrome de Fitz-Hugh-Curtis é uma complicação da doença inflamatória pélvica (DIP), na qual a infecção ascendente do trato genital feminino — tipicamente por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis — se dissemina pela cavidade peritoneal até a cápsula hepática, causando uma peri-hepatite (inflamação da cápsula de Glisson). Essa inflamação é o que gera a dor no hipocôndrio direito, que frequentemente irradia para o ombro direito por irritação do diafragma (sinal de Kehr, classicamente descrito em processos inflamatórios contíguos ao diafragma). O quadro clínico típico é de uma mulher jovem, sexualmente ativa, com dor abdominal em quadrante superior direito, febre, e sinais de DIP — como corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino (o chamado "cervical motion tenderness" ou sinal de Chandelier). A ultrassonografia de abdome superior costuma ser normal ou mostrar apenas alterações inespecíficas, pois a inflamação é capsular e não parenquimatosa — exatamente o que o enunciado descreve: vesícula biliar de paredes finas, sem cálculos e vias biliares sem dilatação.

O diagnóstico é clínico, mas pode ser auxiliado por exames de imagem (como a tomografia, que pode mostrar realce capsular hepático) e por testes para gonococo e clamídia. O tratamento é com antibioticoterapia dirigida a esses agentes, e o reconhecimento precoce evita complicações como abscesso tubo-ovariano, dor pélvica crônica e infertilidade. A importância de conhecer essa síndrome está justamente no diagnóstico diferencial: em uma mulher jovem com dor em hipocôndrio direito, é preciso pensar além das causas hepatobiliares clássicas e considerar a possibilidade de uma origem ginecológica, especialmente quando há sinais de infecção genital associados.

A banca explora aqui a armadilha de associar dor em hipocôndrio direito automaticamente a colecistite ou hepatite, mas a presença de corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino é o dado que redireciona o raciocínio para a DIP e suas complicações. A ultrassonografia normal da vesícula biliar é o achado que praticamente exclui a colecistite calculosa aguda, e a ausência de icterícia e de alterações de vias biliares afasta a colangite. O diagnóstico diferencial de dor em hipocôndrio direito é amplo, e a tabela abaixo resume as principais causas e seus achados distintivos:

Diagnóstico

Achados-chave

Exame que confirma

Síndrome de Fitz-Hugh-Curtis

Dor em QSD irradiada p/ ombro, febre, corrimento vaginal, dor à mobilização do colo

Clínico + testes para gonococo/clamídia; US normal

Colecistite aguda

Dor em QSD, febre, sinal de Murphy, relação com refeições gordurosas

US com espessamento de parede e/ou cálculos

Hepatite viral aguda

Dor em QSD, icterícia, mal-estar, anorexia, transaminases elevadas

Sorologias virais

Pancreatite aguda

Dor epigástrica/central intensa, irradiação dorsal, náuseas/vômitos, amilase/lipase elevadas

Amilase/lipase + TC

Abscesso hepático amebiano

Dor em QSD, febre alta, hepatomegalia, história de viagem/área endêmica

US/TC com lesão focal; sorologia para ameba

Guarde a fronteira entre as causas hepatobiliares e a origem ginecológica: é exatamente nela que as alternativas se dividem. A presença de sintomas genitais e a ultrassonografia biliar normal são os dois pilares que sustentam o diagnóstico de Fitz-Hugh-Curtis.

Dor em hipocôndrio direito
  • 1Origem hepatobiliar
    • Colecistite aguda (US: parede espessada/cálculos)
    • Hepatite viral (icterícia + transaminases)
    • Abscesso hepático (lesão focal na US)
    • Pancreatite (dor epigástrica + irradiação dorsal)
  • 2Origem ginecológica
    • Fitz-Hugh-Curtis (peri-hepatite da DIP)
      • Dor QSD irradiada p/ ombro
      • Corrimento vaginal purulento
      • Dor à mobilização do colo
      • US biliar normal
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A colecistite calculosa aguda é caracterizada por dor em hipocôndrio direito, febre e sinal de Murphy, mas o enunciado exclui essa hipótese ao descrever a ultrassonografia com "vesícula biliar de paredes finas, sem cálculos". A colecistite aguda, na ultrassonografia, tipicamente mostra espessamento da parede vesicular, com ou sem cálculos, e frequentemente há barro biliar. Além disso, a presença de corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino não é explicada pela colecistite. A banca troca a síndrome de Fitz-Hugh-Curtis pela colecistite, explorando a associação automática entre dor em QSD e doença biliar.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A hepatite viral aguda pode causar dor em hipocôndrio direito por distensão da cápsula hepática, mas o quadro típico inclui icterícia, colúria, acolia, mal-estar, anorexia e elevação importante das transaminases. A paciente do enunciado não apresenta icterícia e não há menção a alterações de enzimas hepáticas. Além disso, a hepatite não explica o corrimento vaginal purulento nem a dor à mobilização do colo uterino. A ausência de icterícia e a presença de sinais de infecção genital afastam essa hipótese.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A síndrome de Fitz-Hugh-Curtis é a peri-hepatite que complica a doença inflamatória pélvica, causada por Neisseria gonorrhoeae ou Chlamydia trachomatis. O quadro clássico é de mulher jovem com dor em hipocôndrio direito irradiada para o ombro direito (por irritação diafragmática), febre, e sinais de DIP — corrimento vaginal purulento e dor à mobilização do colo uterino. A ultrassonografia de abdome superior é normal, pois a inflamação é capsular e não parenquimatosa. Todos os dados do enunciado se encaixam perfeitamente: dor em QSD irradiada para ombro, febre baixa, corrimento purulento, dor à mobilização do colo e US biliar normal. O diagnóstico é clínico, e o tratamento é antibioticoterapia dirigida a gonococo e clamídia.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A pancreatite aguda manifesta-se com dor epigástrica ou central, de forte intensidade, frequentemente irradiada para o dorso, acompanhada de náuseas, vômitos e elevação de amilase e lipase. A dor em hipocôndrio direito não é a localização típica, e o enunciado não menciona irradiação dorsal nem alterações de enzimas pancreáticas. Além disso, a pancreatite não explica o corrimento vaginal purulento nem a dor à mobilização do colo uterino. A localização da dor e a ausência de sintomas genitais afastam essa hipótese.

Alternativa E — ❌ Incorreta

O abscesso hepático amebiano causa dor em hipocôndrio direito, febre e hepatomegalia, mas o quadro típico inclui febre alta, calafrios e história de exposição a área endêmica ou disenteria amebiana. A ultrassonografia mostraria uma lesão focal hepática (coleção), o que não é descrito no enunciado. Além disso, o abscesso hepático não explica o corrimento vaginal purulento nem a dor à mobilização do colo uterino. A ausência de lesão focal na US e a presença de sinais de infecção genital afastam essa hipótese.

Gabarito: letra C — síndrome de Fitz-Hugh-Curtis, a peri-hepatite da doença inflamatória pélvica, confirmada pela tríade de dor em QSD irradiada para ombro, corrimento vaginal purulento e US biliar normal.

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