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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg114379
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Mulher de 24 anos, nuligesta, procura atendimento na clínica da família queixando-se de corrimento vaginal abundante, amarelado, bolhoso, com odor desagradável, associado a prurido vulvar e dispareunia. Ao exame especular, observa-se colo uterino hiperemiado com aspecto em “morango”. Foi realizada coleta de secreção vaginal para análise a fresco em soro fisiológico.Assinale o achado laboratorial compatível com o diagnóstico mais provável desse caso.
  1. APresença de células epiteliais recobertas por bacilos Gram variáveis.
  2. BHifas e brotamentos.
  3. CEstruturas celulares móveis flageladas.
  4. DLactobacilos predominantes, bacilos Gram positivos longos.
  5. EAusência de leucócitos e microbiota vaginal escassa.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Estruturas celulares móveis flageladas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Tricomoníase: diagnóstico laboratorial

Gabarito: letra C. O quadro clínico — corrimento abundante, amarelado, bolhoso, com odor desagradável, prurido vulvar, dispareunia e colo em "morango" — é clássico de tricomoníase, causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. O exame a fresco em soro fisiológico revela estruturas celulares móveis flageladas, que correspondem ao próprio protozoário em movimento. As demais alternativas descrevem achados de outras causas de corrimento vaginal (vaginose bacteriana, candidíase e microbiota normal).

A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pelo protozoário flagelado Trichomonas vaginalis. Diferentemente da vaginose bacteriana (que é uma infecção endógena por desequilíbrio da flora) e da candidíase (também endógena, por fungos), a tricomoníase é uma IST clássica, com implicações como a necessidade de tratar parcerias sexuais. O protozoário coloniza o epitélio vaginal e uretral, causando intensa inflamação — daí o prurido, a dispareunia e a hiperemia do colo, que assume o aspecto de "morango" (colpite puntiforme) pela presença de petéquias.

O diagnóstico é essencialmente clínico-laboratorial. O exame a fresco (microscopia direta) do conteúdo vaginal em soro fisiológico é o método mais simples e imediato: observa-se o Trichomonas como um organismo móvel, maior que um leucócito, com flagelos que lhe conferem movimento característico. É esse achado que a alternativa C descreve. O pH vaginal costuma estar elevado (> 4,5) e há intensa leucocitose, refletindo o processo inflamatório.

É importante distinguir a tricomoníase das outras duas causas principais de corrimento vaginal, pois cada uma tem achado laboratorial próprio:

Característica

Tricomoníase

Vaginose bacteriana

Candidíase vulvovaginal

Agente

Protozoário Trichomonas vaginalis

Bactérias anaeróbicas (predomínio de Gardnerella vaginalis)

Fungo (Candida albicans na maioria)

Corrimento

Amarelado, bolhoso, fétido

Acinzentado, homogêneo, fétido (odor de peixe)

Branco, grumoso ("leite coalhado"), sem odor

Prurido

Presente

Discreto

Intenso

pH vaginal

> 4,5

> 4,5

< 4,5 (normal)

Exame a fresco

Protozoários móveis flagelados

Clue cells (células epiteliais recobertas por bactérias)

Hifas e/ou esporos (brotamentos)

Teste de Whiff (KOH 10%)

Pode ser positivo

Positivo (odor de peixe)

Negativo

A pegadinha da banca está em associar o corrimento bolhoso e fétido à vaginose bacteriana, que também cursa com odor desagradável. Porém, o colo em "morango" e o prurido intenso são fortemente indicativos de tricomoníase. Além disso, o corrimento da vaginose é tipicamente acinzentado e não costuma causar prurido significativo. O achado laboratorial que fecha o diagnóstico é a visualização do protozoário móvel, não as clue cells.

Guarde a tríade que decide esta questão: corrimento bolhoso fétido + colo em "morango" + protozoário móvel flagelado ao exame a fresco = tricomoníase. É exatamente nessa associação que as alternativas se separam.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Descreve as células epiteliais recobertas por bacilos Gram variáveis, que são as clue cells — achado característico da vaginose bacteriana, não da tricomoníase. Na vaginose, há perda de lactobacilos e crescimento de bactérias anaeróbicas (predominantemente Gardnerella vaginalis), que aderem às células epiteliais, conferindo esse aspecto puntilhado ao microscópio. Embora o corrimento fétido possa lembrar a tricomoníase, o colo em "morango" e o prurido apontam para o protozoário.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Hifas e brotamentos são os achados do exame a fresco na candidíase vulvovaginal (CVV). A CVV cursa com prurido intenso, mas o corrimento é tipicamente branco, grumoso, sem odor, e o pH vaginal é normal (< 4,5). O colo em "morango" não faz parte do quadro. A presença de hifas e/ou esporos (brotamentos) é visibilizada com soro fisiológico ou KOH a 10%.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Estruturas celulares móveis flageladas descrevem exatamente o Trichomonas vaginalis observado ao exame a fresco em soro fisiológico. O protozoário é um organismo móvel, com flagelos que lhe conferem movimento característico, sendo facilmente identificado na microscopia direta. Este é o achado laboratorial compatível com o diagnóstico de tricomoníase, que explica todo o quadro clínico apresentado.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Lactobacilos predominantes, bacilos Gram positivos longos descrevem a microbiota vaginal normal de uma mulher saudável em idade reprodutiva. Os lactobacilos mantêm o pH vaginal ácido (< 4,5), protegendo contra infecções. Na tricomoníase, há intensa inflamação e o pH se eleva, com predomínio de outros microrganismos — não de lactobacilos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Ausência de leucócitos e microbiota vaginal escassa não corresponde a nenhuma das vaginites infecciosas. Na tricomoníase, há intensa leucocitose (grande quantidade de leucócitos) devido ao processo inflamatório agudo. A ausência de leucócitos e flora escassa poderia sugerir vaginite atrófica (comum na pós-menopausa), o que não se aplica a uma mulher de 24 anos com quadro infeccioso agudo.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre tricomoníase e vaginose bacteriana, pois ambas cursam com corrimento fétido e pH elevado. O diferencial está no colo em "morango" e no prurido intenso, que são típicos da tricomoníase, e no achado laboratorial: protozoário móvel flagelado (tricomoníase) versus clue cells (vaginose). Fique atento a essa troca clássica.

PEGA ESSA DICA!

Para diferenciar as três principais causas de corrimento vaginal na prova, monte um quadro mental com: agente, aspecto do corrimento, pH e achado ao exame a fresco. A tricomoníase é a única com protozoário móvel; a vaginose, com clue cells; a candidíase, com hifas. O pH separa a candidíase (normal) das outras duas (elevado).

Gabarito: letra C — o achado laboratorial compatível com tricomoníase é a presença de estruturas celulares móveis flageladas (Trichomonas vaginalis) ao exame a fresco.

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