Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025
Medicina›Ginecologia e Obstetrícia
Código
fg114380
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Mulher de 27 anos, G1P0, usuária de DIU de cobre há 2 anos, procura a emergência relatando atraso menstrual de 6 semanas, náuseas e mamas doloridas. Ao exame especular, observa-se colo íntegro, com fio do DIU visível no orifício externo. O teste rápido de gravidez é positivo.A conduta diagnóstica imediata é
Asolicitar ultrassonografia transvaginal para confirmar a localização da gestação.
Breassegurar a paciente de que, com o fio visível, trata-se de gravidez intrauterina viável.
Csolicitar radiografia de abdômen para localizar o DIU e confirmar gravidez.
Dsolicitar histeroscopia para avaliar a posição do DIU em relação à gestação.
Eprescrever progesterona e seguir a gestação.
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GabaritoA — solicitar ultrassonografia transvaginal para confirmar a localização da gestação.
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Gravidez com DIU: conduta diagnóstica inicial
Gabarito: letra A. Em gestação com DIU de cobre, a conduta diagnóstica imediata é a ultrassonografia transvaginal para confirmar a localização da gestação (intrauterina ou ectópica) e a posição do dispositivo — o fio visível no orifício externo não exclui gravidez ectópica nem garante viabilidade. A ultrassonografia é o exame de escolha nesse cenário, conforme a prática obstétrica e as diretrizes de planejamento familiar.
A gestação com DIU é uma situação de risco aumentado: o dispositivo intrauterino não impede a concepção, mas quando ela ocorre, há maior chance de gravidez ectópica (especialmente tubária) e de complicações como abortamento, trabalho de parto prematuro e infecção. O fio do DIU visível no orifício externo do colo apenas indica que o dispositivo está em posição — não informa onde o saco gestacional se implantou. Por isso, a primeira preocupação do médico na emergência é localizar a gestação por imagem, e a ultrassonografia transvaginal é o método mais sensível e precoce para isso, permitindo visualizar o saco gestacional intrauterino já a partir de 5–6 semanas, além de avaliar a relação do DIU com a cavidade uterina.
A radiografia de abdômen não tem papel na avaliação inicial: não visualiza o saco gestacional e expõe a paciente a radiação desnecessária. A histeroscopia é um procedimento invasivo, reservado para situações específicas (como remoção do DIU com fio não visível), e não é o primeiro exame diagnóstico. A progesterona não é indicada para "seguir a gestação" — não há evidência de benefício e pode mascarar o quadro. A conduta correta é sempre confirmar a localização antes de qualquer decisão sobre manter ou interromper a gestação, ou sobre a retirada do DIU.
Na prática, o algoritmo é: teste de gravidez positivo + atraso menstrual + DIU → ultrassonografia transvaginal imediata. Se a gestação for intrauterina e o DIU estiver com fio visível, discute-se a remoção eletiva (preferencialmente no 1º trimestre) para reduzir riscos de abortamento e infecção. Se for ectópica, o manejo é o da gravidez ectópica (clínico ou cirúrgico), independentemente do DIU. A ultrassonografia também avalia a viabilidade (presença de batimentos cardíacos) e a idade gestacional, orientando todo o seguimento.
A pegadinha da questão está na alternativa B: o fio visível dá uma falsa sensação de segurança. O candidato que associa "fio visível" a "DIU na posição correta" e conclui que a gestação é intrauterina comete um erro grave, pois a ectopia é justamente mais frequente em gestações com DIU. A banca explora essa associação automática para induzir ao erro. Guarde o princípio: DIU + gestação = ultrassom para localizar, sempre.
1Teste de gravidez positivo
2Ultrassonografia transvaginal imediata
3Localizar a gestação (intrauterina × ectópica)
4Avaliar posição do DIU e viabilidade
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ultrassonografia transvaginal é o exame de imagem de primeira linha para confirmar a localização da gestação (intrauterina ou ectópica) e avaliar a posição do DIU em relação ao saco gestacional. É o método mais sensível e precoce, não invasivo e sem radiação, sendo a conduta diagnóstica imediata recomendada em qualquer gestação com DIU, independentemente da visibilidade do fio.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Reassegurar a paciente de que, com o fio visível, trata-se de gravidez intrauterina viável é um erro grave. O fio visível apenas indica que o DIU está na cavidade, mas não exclui gravidez ectópica — que é mais frequente em gestações com DIU. Além disso, a viabilidade (presença de batimentos cardíacos) só pode ser avaliada por ultrassonografia. A conduta correta é sempre confirmar a localização por imagem antes de qualquer reasseguramento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A radiografia de abdômen não visualiza o saco gestacional e não tem papel no diagnóstico de gravidez. Além de expor a paciente a radiação ionizante desnecessária, não fornece informação sobre a localização da gestação. O exame de escolha é a ultrassonografia transvaginal.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A histeroscopia é um procedimento invasivo, que não é indicado como exame diagnóstico inicial em gestação com DIU. Seu papel é restrito a situações específicas, como a remoção do DIU com fio não visível, e não substitui a ultrassonografia para localizar a gestação. A conduta imediata é sempre a ultrassonografia transvaginal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Prescrever progesterona e "seguir a gestação" sem antes confirmar a localização é conduta inadequada e potencialmente perigosa. Não há evidência de benefício da progesterona nesse contexto, e a prescrição pode mascarar os sintomas de uma gravidez ectópica, retardando o diagnóstico e aumentando o risco de complicações graves. A prioridade é sempre a ultrassonografia transvaginal para localizar a gestação.
Gabarito: letra A — solicitar ultrassonografia transvaginal para confirmar a localização da gestação.