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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg114383
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Mulher de 22 anos, G1P0, procura a emergência com quadro de emagrecimento, sudorese intensa, palpitações, taquicardia e hipertensão arterial. Refere também sangramento transvaginal irregular há 3 semanas, de moderada intensidade.Ao exame físico, apresenta tireoide sem aumento palpável e útero aumentado. Ultrassonografia obstétrica é compatível com a imagem a seguir:Imagem associada para resolução da questãoAssinale o mecanismo fisiopatológico mais provável para explicar os sintomas dessa paciente.
  1. AProdução aumentada de T3 e T4 pela estimulação direta da hipófise.
  2. BNíveis elevados de gonadotrofina coriônica humana.
  3. CMutação germinativa do receptor de TSH, levando à hiperplasia tireoidiana.
  4. DFormação de autoanticorpos estimuladores contra o receptor de TSH.
  5. EDegeneração nodular tóxica da tireoide associada à gestação.
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GabaritoB — Níveis elevados de gonadotrofina coriônica humana.

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Tireotoxicose na gestação: hiperemese gravídica e mola hidatiforme

Gabarito: letra B. O quadro — emagrecimento, sudorese, palpitações, taquicardia, hipertensão, sangramento vaginal irregular e útero aumentado em gestante jovem — é a apresentação clássica da doença trofoblástica gestacional (mola hidatiforme), cuja tireotoxicose é mediada pelos níveis elevados de gonadotrofina coriônica humana (hCG), que mimetiza o TSH e estimula a tireoide. A imagem ultrassonográfica típica (padrão em "tempestade de neve" ou múltiplos cistos) confirma o diagnóstico.

A tireotoxicose gestacional é um espectro que vai desde o hipertireoidismo subclínico até a tempestade tireoidiana, e a causa mais comum na gestação não é a doença de Graves, mas sim o efeito tireotrófico do hCG. O hCG é estruturalmente semelhante ao TSH e, em níveis muito elevados — como ocorre na mola hidatiforme, na hiperemese gravídica e na gestação múltipla —, liga-se ao receptor de TSH da tireoide, estimulando a produção de T3 e T4. Esse mecanismo explica por que a paciente apresenta tireoide sem aumento palpável (o estímulo é hormonal, não autoimune) e por que os sintomas tireotóxicos aparecem associados a um quadro de sangramento e útero aumentado, que são as manifestações da mola.

O diagnóstico diferencial é fundamental. Na doença de Graves, a tireotoxicose é causada por autoanticorpos estimuladores do receptor de TSH (TRAb), e a tireoide costuma estar aumentada, com oftalmopatia e mixedema pré-tibial. Na mola hidatiforme, não há autoimunidade: o estímulo é o hCG, que atua como um "TSH-like". A distinção é clínica e laboratorial: na mola, os níveis de hCG são extremamente elevados (muitas vezes acima de 100.000 mUI/mL), o TSH está suprimido e os hormônios tireoidianos estão elevados, mas os anticorpos anti-receptor de TSH são negativos.

A mutação germinativa do receptor de TSH (alternativa C) é uma causa rara de hipertireoidismo não autoimune, mas não se relaciona com a gestação nem com os níveis de hCG. A degeneração nodular tóxica (alternativa E) é uma causa de hipertireoidismo em pacientes mais velhas, com nódulos tireoidianos autônomos, e não explica o quadro agudo em gestante jovem. A produção aumentada de T3 e T4 pela estimulação direta da hipófise (alternativa A) é fisiologicamente impossível, pois o TSH hipofisário é suprimido na tireotoxicose, e não há estímulo hipofisário direto para a produção de hormônios tireoidianos.

A doença trofoblástica gestacional é uma complicação da gestação caracterizada pela proliferação anormal do trofoblasto. A mola hidatiforme completa é a forma mais comum e apresenta cariótipo 46,XX (paterno), com ausência de tecido fetal. O diagnóstico é feito pela ultrassonografia, que mostra o padrão característico de múltiplos cistos anecóicos no interior da cavidade uterina, sem feto. O tratamento é a curetagem uterina, e o seguimento é feito com dosagens seriadas de hCG até a negativação.

A pegadinha desta questão está em associar os sintomas tireotóxicos à doença de Graves (alternativa D), que é a causa mais comum de hipertireoidismo na população geral, mas não na gestação com mola. A banca explora exatamente essa confusão: o candidato que não conhece o efeito tireotrófico do hCG tende a escolher a alternativa D, que é a causa mais frequente de tireotoxicose fora do contexto gestacional. Guarde a fronteira: na gestação, tireotoxicose + útero aumentado + sangramento = pensar em mola hidatiforme e hCG elevado.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A produção de T3 e T4 não é estimulada diretamente pela hipófise. O TSH hipofisário está suprimido na tireotoxicose (feedback negativo), e o estímulo tireoidiano na mola é feito pelo hCG, que mimetiza o TSH. A hipófise não produz hormônios que estimulem diretamente a tireoide além do TSH, e este está baixo.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os níveis elevados de hCG são o mecanismo fisiopatológico central. O hCG, por homologia estrutural com o TSH, liga-se ao receptor de TSH e estimula a tireoide, causando tireotoxicose. Na mola hidatiforme, os níveis de hCG são extremamente altos, explicando os sintomas tireotóxicos da paciente.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A mutação germinativa do receptor de TSH causa hipertireoidismo não autoimune familiar, mas é uma condição rara, não relacionada à gestação nem aos níveis de hCG. Não explica o quadro agudo em gestante com mola.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A formação de autoanticorpos estimuladores contra o receptor de TSH é o mecanismo da doença de Graves, a causa mais comum de hipertireoidismo na população geral. Porém, na gestação com mola hidatiforme, a tireotoxicose é mediada pelo hCG, não por autoimunidade. A tireoide sem aumento palpável e a ausência de oftalmopatia reforçam que não se trata de Graves.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A degeneração nodular tóxica (bócio multinodular tóxico) é uma causa de hipertireoidismo em pacientes mais velhas, com nódulos autônomos, e não se relaciona com a gestação nem com o quadro de mola. A paciente é jovem, G1P0, e o útero aumentado com sangramento aponta para doença trofoblástica.

Gabarito: letra B

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