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Questão de Medicina — Ginecologia e Obstetrícia — FGV 2025

MedicinaGinecologia e Obstetrícia
Código
fg114387
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Gestante de 28 anos, G2P1, 17 semanas de gestação, procura emergência obstétrica com quadro de sangramento transvaginal de pequena intensidade associado à cólica uterina. Ao exame especular, observa-se o colo uterino aparentemente fechado. A ultrassonografia evidenciou o concepto sem batimentos cardíacos, compatível com morte fetal. Hemodinâmica estável.melhor conduta para esse caso é
  1. Aconduta expectante, pois há 90% de chance de absorção fetal espontânea.
  2. Bcuretagem uterina de urgência.
  3. Caspiração manual intrauterina após amadurecimento cervical com misoprostol dose única.
  4. Dindução medicamentosa com misoprostol até expulsão fetal.
  5. Emicrocesariana de urgência.
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GabaritoD — indução medicamentosa com misoprostol até expulsão fetal.

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Abortamento retido: conduta obstétrica

Gabarito: letra D. Em gestação de 17 semanas com morte fetal confirmada (ausência de batimentos cardíacos ao ultrassom), colo fechado e hemodinâmica estável, a conduta de escolha é a indução medicamentosa com misoprostol até a expulsão fetal — trata-se de abortamento retido no segundo trimestre, em que o esvaziamento uterino por via farmacológica é preferível à curetagem, que se associa a maior risco de complicações nessa idade gestacional.

O abortamento retido (ou missed abortion) é definido pela morte do concepto sem que haja expulsão espontânea dos produtos conceptuais, permanecendo o colo uterino fechado. O diagnóstico é firmado pela ultrassonografia, que evidencia ausência de batimentos cardíacos fetais, como no caso descrito. A conduta dependerá da idade gestacional, das condições clínicas da paciente e da preferência desta, após aconselhamento adequado.

Na idade gestacional de 17 semanas, o útero já ultrapassou a pelve e o conteúdo uterino é volumoso. A curetagem uterina, nesse cenário, é tecnicamente mais difícil e apresenta maior risco de perfuração uterina, hemorragia e retenção de restos placentários. Por isso, a indução do abortamento com misoprostol — um análogo da prostaglandina E1 que promove amadurecimento cervical e contrações uterinas — é o método de escolha, devendo ser mantida até a expulsão completa do feto e da placenta.

A conduta expectante, embora seja uma opção válida em alguns casos de abortamento retido no primeiro trimestre, não é a mais indicada no segundo trimestre, pois o risco de complicações (como coagulopatia, infecção e hemorragia) aumenta com o tempo de retenção do concepto morto. Além disso, a chance de absorção fetal espontânea é baixa nessa fase da gestação, sendo mais comum a expulsão retardada, o que expõe a paciente a riscos desnecessários.

A aspiração manual intrauterina (AMIU) é uma técnica eficaz para esvaziamento uterino até cerca de 12 semanas de gestação. Em gestações mais avançadas, como a do caso (17 semanas), o volume uterino e o tamanho fetal tornam a AMIU inadequada e arriscada, sendo preferível a indução medicamentosa. A microcesariana, por sua vez, é um procedimento de exceção, reservado para situações de emergência (como hemorragia incontrolável ou falha de outros métodos), não sendo indicada como primeira escolha no abortamento retido.

A paciente encontra-se hemodinamicamente estável, sem sinais de infecção ou hemorragia ativa, o que permite a realização da indução medicamentosa de forma programada e segura, com monitorização adequada. O misoprostol pode ser administrado por via vaginal, sublingual ou oral, e o esquema deve ser ajustado conforme a idade gestacional e a resposta da paciente, mantendo-se até a expulsão fetal.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre o abortamento retido no primeiro trimestre (em que a curetagem ou AMIU são opções) e o abortamento retido no segundo trimestre (em que a indução medicamentosa é a conduta preferencial). A idade gestacional de 17 semanas é o dado-chave que direciona para a letra D.

  1. 1Confirmar morte fetal (USG)
  2. 2Avaliar estabilidade clínica
  3. 3Induzir com misoprostol
  4. 4Manter até expulsão fetal
LEVEL · soulevel.com.br

Alternativa A — ❌ Incorreta

A conduta expectante não é a mais indicada no segundo trimestre. Embora seja uma opção em alguns casos de abortamento retido precoce, a retenção prolongada do concepto morto aumenta o risco de coagulopatia, infecção e hemorragia. Além disso, a chance de absorção fetal espontânea é baixa nessa fase, sendo mais comum a expulsão retardada, o que expõe a paciente a riscos desnecessários.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A curetagem uterina de urgência não é a conduta de escolha em gestação de 17 semanas com colo fechado. Nessa idade gestacional, o útero é volumoso e a curetagem apresenta maior risco de perfuração, hemorragia e retenção de restos placentários. A indução medicamentosa é preferível, pois promove o esvaziamento uterino de forma mais fisiológica e segura.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A aspiração manual intrauterina (AMIU) é indicada para esvaziamento uterino até cerca de 12 semanas de gestação. Em gestações mais avançadas, como a do caso (17 semanas), o volume uterino e o tamanho fetal tornam a AMIU inadequada e arriscada, sendo preferível a indução medicamentosa com misoprostol.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A indução medicamentosa com misoprostol até a expulsão fetal é a conduta de escolha no abortamento retido no segundo trimestre. O misoprostol promove amadurecimento cervical e contrações uterinas, levando à expulsão do conteúdo uterino. A paciente está hemodinamicamente estável, sem contraindicações, e o método é seguro e eficaz nessa idade gestacional.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A microcesariana é um procedimento de exceção, reservado para situações de emergência, como hemorragia incontrolável, falha de outros métodos ou quando há contraindicação à indução. No caso descrito, não há indicação para cesariana, pois a paciente está estável e o esvaziamento uterino pode ser realizado por via vaginal com segurança.

Gabarito: letra D

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