Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114400
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
A bronquiolite viral aguda (BVA) é uma infecção viral que acomete as vias aéreas de pequeno calibre dos lactentes. É uma das principais causas de morbimortalidade e internação hospitalar, dentre as afecções respiratórias no primeiro ano de vida.Acerca do diagnóstico da BVA, é correto afirmar que
Aa radiografia de tórax é necessária mesmo nos casos leves.
Bo hemograma é fundamental para descartar infecção bacteriana.
Cé feito com base na história clínica e no exame físico.
Da gasometria está indicada em todos os casos para comprovar hipóxia.
Eo isolamento do vírus sincicial é fundamental.
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GabaritoC — é feito com base na história clínica e no exame físico.
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Bronquiolite viral aguda: diagnóstico
Gabarito: letra C. O diagnóstico da bronquiolite viral aguda (BVA) é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, não havendo necessidade de exames complementares na maioria dos casos — a radiografia de tórax não é recomendada de rotina, o hemograma não é fundamental para descartar infecção bacteriana, a gasometria não está indicada em todos os casos e o isolamento viral não é necessário para o diagnóstico.
A bronquiolite viral aguda é uma infecção viral do trato respiratório inferior que acomete lactentes, caracterizada por inflamação aguda, edema e necrose das células epiteliais das pequenas vias aéreas, com aumento da produção de muco e estreitamento do diâmetro brônquico, levando a hiperinsuflação e atelectasias. O vírus sincicial respiratório (VSR) é o agente etiológico mais comum, com pico de incidência entre 30 e 60 dias de vida e maior ocorrência nos meses de outono e inverno no hemisfério sul. Outros vírus incluem rinovírus humano, metapneumovírus, influenza, adenovírus, coronavírus humano e parainfluenza.
O diagnóstico é clínico: a história típica é de um lactente jovem (geralmente < 2 anos) com pródromo de infecção de vias aéreas superiores (coriza, tosse, febre baixa) seguido de desconforto respiratório progressivo — sibilância, taquipneia, dispneia, batimento de asas nasais e, às vezes, cianose. O exame físico revela taquipneia, tiragens intercostais e subcostais, sibilos difusos e, nos casos graves, diminuição do murmúrio vesicular. A radiografia de tórax, quando realizada, pode mostrar hiperinsuflação, atelectasias e infiltrados peri-hilares, mas não é necessária para o diagnóstico e não é recomendada de rotina nos casos leves.
A principal distinção que importa é entre bronquiolite e outras causas de sibilância no lactente, como asma (lactente sibilante), pneumonia, aspiração de corpo estranho e cardiopatia congênita. A história clínica detalhada e o exame físico cuidadoso geralmente são suficientes para diferenciar essas condições. Exames complementares ficam reservados para casos atípicos, graves ou com suspeita de complicações — por exemplo, radiografia de tórax em caso de dúvida diagnóstica ou suspeita de pneumonia, e gasometria apenas em casos de insuficiência respiratória significativa.
A pegadinha que a banca explora é a tendência de supervalorizar exames complementares. O candidato pode pensar que "quanto mais exames, melhor" — mas na BVA a conduta baseada em evidências é justamente o oposto: o diagnóstico é clínico e exames de rotina são desnecessários e até contraindicados por não alterarem a conduta e exporem o lactente a procedimentos desnecessários. Guarde este princípio: na BVA, a clínica manda — exames são exceção, não regra.
Diagnóstico da BVA
1Essencialmente clínico
História: pródromo de IVAS + desconforto respiratório
Exame físico: taquipneia, sibilos, tiragens
2Exames complementares
Não recomendados de rotina
Reservados para casos graves/atípicos
Radiografia: dúvida diagnóstica
Gasometria: insuficiência respiratória
Pesquisa viral: surtos/epidemiologia
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A radiografia de tórax não é necessária nos casos leves de BVA. A recomendação é justamente o contrário: a solicitação de radiografia de tórax não é recomendada de rotina. O exame pode ser útil em casos selecionados — quando há dúvida diagnóstica (suspeita de pneumonia, atelectasia, cardiopatia) ou nos casos graves — mas não é obrigatório em todos os pacientes, muito menos nos leves. A banca troca a indicação seletiva pela indicação universal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O hemograma não é fundamental para descartar infecção bacteriana na BVA. A bronquiolite é uma doença viral, e o hemograma não tem papel diagnóstico definido — não diferencia infecção viral de bacteriana de forma confiável, e sua solicitação de rotina não é recomendada. A decisão de investigar ou tratar coinfecção bacteriana é clínica, baseada em sinais de gravidade ou evolução atípica, não em um exame laboratorial isolado. O hemograma pode ser útil em outros contextos (como identificar eosinofilia em doenças alérgicas), mas não é o exame que define ou descarta infecção bacteriana na BVA.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
O diagnóstico da BVA é feito com base na história clínica e no exame físico. A história típica — lactente jovem com pródromo de infecção de vias aéreas superiores seguido de desconforto respiratório — associada aos achados do exame físico (taquipneia, sibilos, tiragens) é suficiente para o diagnóstico na grande maioria dos casos. Não há necessidade de exames complementares de rotina. Esta é a recomendação das principais diretrizes, incluindo a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A gasometria não está indicada em todos os casos para comprovar hipóxia. A gasometria é um exame invasivo, doloroso e que deve ser reservado para casos graves, com insuficiência respiratória significativa ou quando há necessidade de avaliar a ventilação e o equilíbrio ácido-base. Para a avaliação inicial da oxigenação, o método não invasivo de escolha é a oximetria de pulso. A banca troca a indicação seletiva (casos graves) pela indicação universal (todos os casos).
Alternativa E — ❌ Incorreta
O isolamento do vírus sincicial não é fundamental para o diagnóstico da BVA. O diagnóstico é clínico, e a identificação do agente etiológico não é necessária na maioria dos casos, pois não altera a conduta — o tratamento é de suporte, independentemente do vírus causador. A pesquisa viral (por imunofluorescência, PCR ou cultura) pode ser útil em situações específicas, como em estudos epidemiológicos, em surtos hospitalares (para isolamento de contato) ou em casos de dúvida diagnóstica, mas não é parte da rotina diagnóstica.
NÃO CAIA NESSA!
Na prova, quando a questão perguntar sobre diagnóstico de BVA, lembre-se do tripé: história + exame físico = diagnóstico. Desconfie de alternativas que tragam exames complementares como "necessários", "fundamentais" ou "indicados em todos os casos" — a regra é justamente o contrário: exames são exceção, reservados para casos graves ou atípicos. Essa é uma pegadinha recorrente em pediatria: a banca tenta fazer você acreditar que "quanto mais exames, melhor", quando a conduta baseada em evidências é minimalista.