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Questão de Medicina — Hematologia — FGV 2025

MedicinaHematologia
Código
fg114401
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Pré-escolar de 3 anos é trazido à emergência com queixa de dor óssea em membros inferiores, de início há aproximadamente 30 dias, que vem apresentando piora progressiva. Além da queixa álgica, apresenta febre associada.Ao exame, apresenta palidez, petéquias e equimoses difusas, hepatoesplenomegalia e linfomegalias generalizadas. O hemograma realizado evidencia anemia, hiperleucocitose (50 mil leucócitos/mm³ ), presença de blastos e trombocitopenia.De acordo com os dados apresentados, o diagnóstico mais provável é
  1. Amononucleose infecciosa.
  2. Bleucemia linfoide aguda.
  3. Cartrite reumatoide juvenil.
  4. Dtrombocitopenia imune primária.
  5. Eanemia aplástica.
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GabaritoB — leucemia linfoide aguda.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Leucemia linfoide aguda: diagnóstico na criança

Gabarito: letra B. O quadro clínico-laboratorial — pré-escolar com dor óssea, febre, palidez, petéquias/equimoses, hepatoesplenomegalia, linfadenomegalias e hemograma com anemia, hiperleucocitose (50.000/mm³), blastos e trombocitopenia — é a apresentação clássica da leucemia linfoide aguda (LLA), a neoplasia maligna mais comum na infância. O achado decisivo é a presença de blastos no sangue periférico, que praticamente fecha o diagnóstico e afasta as demais hipóteses.

A leucemia linfoide aguda é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação clonal de precursores linfoides (linfoblastos) na medula óssea, que infiltram a medula, o sangue e órgãos extramedulares. Na criança, o pico de incidência ocorre entre 2 e 5 anos, exatamente a faixa etária do paciente. A doença se manifesta pela tríade de insuficiência medular (anemia → palidez e fadiga; trombocitopenia → petéquias, equimoses e sangramentos; neutropenia → infecções e febre), infiltração de órgãos (hepatoesplenomegalia, linfadenomegalia, dor óssea por infiltração do periósteo ou da medula) e sintomas sistêmicos (febre, perda de peso). A dor óssea, presente no caso, é um sintoma frequente e muitas vezes inicial, podendo simular doenças reumatológicas ou ortopédicas — daí a importância de o pediatra lembrar da LLA diante de dor óssea + febre + alterações hematológicas.

O hemograma é o exame que direciona o diagnóstico: anemia normocítica/normocrômica, leucocitose (frequentemente > 50.000/mm³, como no caso), trombocitopenia e, crucialmente, blastos circulantes. A confirmação é feita por mielograma (aspirado de medula óssea) com imunofenotipagem, citogenética e biologia molecular, que definem o subtipo e o risco. Na prática, a presença de blastos no sangue periférico de uma criança com pancitopenia e organomegalias é praticamente diagnóstica de leucemia aguda, sendo a LLA responsável por cerca de 75–80% das leucemias infantis.

A distinção com as outras alternativas é clínica e laboratorial. A mononucleose infecciosa (A) causa linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e pode ter linfocitose atípica, mas não cursa com anemia, trombocitopenia e blastos — o hemograma mostra linfocitose com linfócitos atípicos (não blastos). A artrite reumatoide juvenil (C) explica a dor óssea/articular e a febre, mas não causa pancitopenia com blastos. A trombocitopenia imune primária (D) é isolada: apenas plaquetopenia, sem anemia, leucocitose ou blastos. A anemia aplástica (E) causa pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia), mas sem hiperleucocitose nem blastos — a medula é hipocelular, não infiltrativa.

A pegadinha da banca está em explorar a dor óssea + febre para induzir o candidato a pensar em doenças reumatológicas ou infecciosas, e a pancitopenia para induzir anemia aplástica. O diferencial é o hemograma: na LLA há leucocitose com blastos, enquanto na anemia aplástica há leucopenia (ou contagem normal) e ausência de blastos. Guarde a tríade: criança + dor óssea + febre + blastos no sangue periférico = LLA até prova em contrário.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A mononucleose infecciosa, causada pelo vírus Epstein-Barr, cursa com febre, linfadenopatia, hepatoesplenomegalia e, no hemograma, linfocitose com linfócitos atípicos — não blastos. Não há anemia significativa nem trombocitopenia (quando ocorre, é leve e transitória). A hiperleucocitose de 50.000/mm³ com blastos é incompatível com mononucleose.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Todos os achados convergem para LLA: faixa etária típica (pré-escolar), sintomas de insuficiência medular (palidez, petéquias, equimoses), infiltração orgânica (hepatoesplenomegalia, linfadenomegalias, dor óssea) e hemograma com anemia, hiperleucocitose, blastos e trombocitopenia. A presença de blastos no sangue periférico é o marcador que fecha o diagnóstico de leucemia aguda.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A artrite reumatoide juvenil (ARJ) explica dor óssea/articular e febre, mas não causa pancitopenia nem blastos. O hemograma pode mostrar anemia de doença crônica e leucocitose reacional, mas sem blastos e sem trombocitopenia significativa. A hepatoesplenomegalia e linfadenomegalias podem ocorrer na forma sistêmica (doença de Still), mas o quadro hematológico é diferente.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A trombocitopenia imune primária (PTI) é uma doença isolada de plaquetas: o hemograma mostra apenas trombocitopenia, com hemoglobina e leucócitos normais. Não há blastos, anemia, hepatoesplenomegalia nem linfadenomegalias. A PTI não explica a hiperleucocitose nem a dor óssea.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A anemia aplástica causa pancitopenia (anemia, leucopenia, trombocitopenia), mas com leucopenia, não hiperleucocitose, e sem blastos no sangue periférico. A medula óssea é hipocelular (gordura), não infiltrativa. A hepatoesplenomegalia e linfadenomegalias não são características da anemia aplástica, que cursa com medula "vazia".

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a dor óssea + febre para você pensar em ARJ ou infecção, e a pancitopenia para você pensar em anemia aplástica. O que separa tudo é o hemograma: blastos + leucocitose = leucemia; leucopenia sem blastos = aplasia. Na dúvida, procure sempre os blastos no sangue periférico — eles são o achado que decide.

PEGA ESSA DICA!

Na emergência pediátrica, diante de criança com dor óssea + febre + palidez + sangramentos, peça o hemograma e olhe o esfregaço. Se houver blastos, o diagnóstico é leucemia aguda até prova em contrário — e a LLA é a mais comum. Memorize a tríade: criança + blastos + pancitopenia = LLA.

Gabarito: letra B

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