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Questão de Medicina — Neurologia — FGV 2025

MedicinaNeurologia
Código
fg114402
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
As crises convulsivas febris são aquelas que ocorrem em crianças neurologicamente normais com menos de 6 anos de idade.Sobre a convulsão febril, é correto afirmar que
  1. Aum período de sonolência após o evento ictal de alguns minutos é incomum.
  2. Bnão ocorre durante infecções virais ou bacterianas.
  3. Cem geral, ocorre no início da elevação rápida da temperatura.
  4. Dnão acontece a recorrência após o primeiro episódio.
  5. Enão está relacionada à febre decorrente da vacinação contra alguns vírus.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — em geral, ocorre no início da elevação rápida da temperatura.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Convulsão febril: definição e características clínicas

Gabarito: letra C. A convulsão febril, em geral, ocorre no início da elevação rápida da temperatura — é a clássica crise que surge quando a febre está subindo abruptamente, frequentemente antes mesmo de os pais perceberem que a criança está febril. As demais alternativas distorcem características essenciais do quadro: a sonolência pós-ictal é comum, a crise ocorre justamente durante infecções virais ou bacterianas, a recorrência é possível e a febre pós-vacinal também pode desencadear o evento.

A convulsão febril é o transtorno convulsivo mais comum da infância, afetando de 2% a 5% das crianças. Define-se como uma crise que ocorre em crianças neurologicamente normais, tipicamente entre 6 meses e 5 anos de idade, associada a doença febril sem evidência de infecção do sistema nervoso central ou outra causa aguda. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história e no exame físico, e a crise costuma ser breve — na maioria dos casos cessa espontaneamente em 2 a 3 minutos.

A fisiopatologia explica a relação com o início da febre: o cérebro imaturo da criança pequena tem limiar convulsivo mais baixo, e a elevação rápida da temperatura corporal atua como gatilho para a descarga neuronal anormal. Por isso, a crise tipicamente ocorre no pico da ascensão térmica, muitas vezes como primeira manifestação da doença febril — o que a alternativa C corretamente afirma. É importante distinguir a convulsão febril simples da complexa: a simples é generalizada, dura menos de 15 minutos e não recorre em 24 horas; a complexa é focal ou prolongada (mais de 15 minutos), recorre em 24 horas ou associa-se a déficits neurológicos pós-ictais, como a paralisia de Todd.

A recorrência é um ponto central que a alternativa D nega erroneamente. Os principais fatores de risco para recorrência são: primeira crise antes de 1 ano de idade, história familiar de epilepsia ou convulsão febril e curta duração do episódio febril. A frequência de recorrência varia de 10% em pacientes sem fatores de risco até 50% a 100% na presença de três ou mais fatores. O prognóstico, porém, é benigno: o risco de epilepsia subsequente é de apenas 1% a 1,5% nas crises simples, pouco acima da população geral.

A alternativa E também erra ao excluir a vacinação como causa. Febre pós-vacinal — como a que ocorre após vacinas contra sarampo, caxumba e rubéola (tríplice viral) ou contra coqueluche — pode sim desencadear convulsão febril em crianças predispostas. A alternativa B erra ao afirmar que a crise não ocorre durante infecções virais ou bacterianas, quando na verdade essas infecções são a causa mais comum da febre que desencadeia a crise. E a alternativa A erra ao dizer que a sonolência pós-ictal é incomum: o período pós-ictal com sonolência, confusão ou irritabilidade é a regra após uma crise convulsiva, durando alguns minutos.

Guarde o critério que separa as alternativas: a convulsão febril é um evento gatilhado pela febre em ascensão rápida, ocorre durante processos infecciosos (inclusive pós-vacinais), pode recorrer e deixa um período pós-ictal com sonolência. É exatamente nesses quatro pontos que as alternativas se dividem.

  1. 1Gatilho: febre em ascensão rápida
  2. 2Causa: infecções virais/bacterianas
  3. 3Pós-ictal: sonolência comum
  4. 4Recorrência: possível
  5. 5Vacinação: pode desencadear
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que um período de sonolência após o evento ictal de alguns minutos é incomum. É exatamente o oposto: o período pós-ictal com sonolência, letargia ou confusão é a regra após uma crise convulsiva, incluindo a convulsão febril. A criança, após a crise, costuma ficar sonolenta e recuperar-se gradualmente em poucos minutos. A banca inverte a frequência do achado — o que é comum vira "incomum".

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que a convulsão febril não ocorre durante infecções virais ou bacterianas. É o contrário: as infecções virais e bacterianas são a causa mais frequente da febre que desencadeia a crise. Infecções de vias aéreas superiores, otites, gastroenterites e exantemas virais são os gatilhos típicos. A alternativa nega justamente o contexto clínico em que a convulsão febril acontece.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Afirma que a convulsão febril, em geral, ocorre no início da elevação rápida da temperatura. É a característica clássica: a crise surge quando a temperatura está subindo abruptamente, frequentemente como primeira manifestação da doença febril. O cérebro imaturo da criança tem limiar convulsivo mais baixo, e a ascensão térmica rápida é o gatilho. Por isso, muitas vezes a crise acontece antes mesmo de os pais perceberem que a criança está com febre.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que não acontece recorrência após o primeiro episódio. A recorrência é possível e relativamente comum: ocorre em cerca de 10% dos pacientes sem fatores de risco, podendo chegar a 50% a 100% na presença de três ou mais fatores de risco (primeira crise antes de 1 ano, história familiar de epilepsia ou convulsão febril, e curta duração do episódio febril). A alternativa nega um dado prognóstico bem estabelecido.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que a convulsão febril não está relacionada à febre decorrente da vacinação. A febre pós-vacinal pode sim desencadear convulsão febril em crianças predispostas. Vacinas como a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e as que contêm componente coqueluche podem causar febre, e essa febre pode ser o gatilho da crise. A alternativa exclui indevidamente um contexto febril reconhecido.

A convulsão febril é um evento benigno e autolimitado, mas a banca explora justamente as inversões: sonolência pós-ictal que é comum, infecções que são a causa, recorrência que é possível e vacinação que pode desencadear. A única afirmação fiel à clínica é a que descreve a crise no início da elevação rápida da temperatura.

Gabarito: letra C

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