Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114403
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
A frequência respiratória (FR) deve sempre ser aferida em caso de criança com infecção respiratória aguda, visando o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade.Na ausência de febre ou sibilância, no momento do exame físico, a FR classificada como taquipneia, de acordo com a faixa etária, é
A≥ 60 irpm nos menores de 2 meses de idade.
B≥ 40 irpm naqueles entre 2 e 11 meses de idade.
C≥ 20 irpm naqueles entre 1 e 4 anos de idade.
D≥ 30 irpm naqueles entre 1 e 4 anos de idade.
E≥ 50 irpm nos menores de 2 meses de idade.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — ≥ 60 irpm nos menores de 2 meses de idade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Taquipneia na infância: valores de referência por faixa etária
Gabarito: letra A. Na ausência de febre ou sibilância, a taquipneia é definida como FR ≥ 60 irpm em menores de 2 meses, ≥ 50 irpm entre 2 e 11 meses e ≥ 40 irpm entre 1 e 4 anos — valores que seguem a tabela de frequência respiratória normal da Sociedade Brasileira de Pediatria, adaptada da OMS. A alternativa A é a única que reproduz corretamente o ponto de corte para a faixa etária de menores de 2 meses.
A taquipneia é o sinal clínico mais sensível e específico para o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade em crianças, sendo inclusive mais fidedigna do que as crepitações na ausculta. Por isso, a aferição da FR é etapa obrigatória na avaliação de toda criança com tosse e febre. O ponto central é que os valores de normalidade variam inversamente com a idade: quanto menor a criança, maior a frequência respiratória fisiológica — e, portanto, maior o ponto de corte para definir taquipneia. Essa relação inversa é a chave para não confundir os valores entre as faixas etárias.
A tabela de referência utilizada na prática pediátrica estabelece os seguintes limites superiores da normalidade:
Faixa etária
FR normal (irpm)
Taquipneia (FR ≥)
< 2 meses
< 60
≥ 60
2–11 meses
< 50
≥ 50
1–4 anos
< 40
≥ 40
Esses valores são os mesmos adotados pela estratégia AIDPI (Atenção Integrada às Doenças Prevalentes da Infância) da OMS, que orienta a classificação de gravidade e a conduta na atenção primária. É importante destacar que a presença de sibilância afasta o diagnóstico de pneumonia e direciona para bronquiolite ou asma — por isso o enunciado ressalva "na ausência de febre ou sibilância", garantindo que a taquipneia seja interpretada como sinal de pneumonia.
Na prática, um lactente de 3 meses com FR de 52 irpm, sem sibilância, tem taquipneia (≥ 50) e deve ser investigado para pneumonia. Já uma criança de 2 anos com FR de 38 irpm está dentro do normal (< 40). A pegadinha clássica da banca é inverter os valores entre as faixas — por exemplo, atribuir o ponto de corte de 60 irpm a uma faixa etária maior, ou usar 40 irpm para menores de 2 meses. Guarde a progressão decrescente 60 → 50 → 40 conforme a idade aumenta: é exatamente nessa sequência que as alternativas se dividem.
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reproduz corretamente o ponto de corte para a faixa etária mais jovem: FR ≥ 60 irpm em menores de 2 meses. Esse é o valor que define taquipneia nesse grupo, conforme a tabela de referência da Sociedade Brasileira de Pediatria e a classificação da OMS, que inclusive considera FR ≥ 60 mrm como sinal de doença muito grave em crianças menores de 2 meses.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que a taquipneia entre 2 e 11 meses seria FR ≥ 40 irpm. O valor correto para essa faixa é ≥ 50 irpm; o valor de 40 irpm corresponde ao ponto de corte da faixa seguinte (1–4 anos). A banca deslocou o valor de uma faixa etária maior para uma menor, fazendo o candidato subestimar a taquipneia nesse grupo.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Afirma que a taquipneia entre 1 e 4 anos seria FR ≥ 20 irpm. Esse valor é muito baixo e não corresponde a nenhum ponto de corte da tabela — está abaixo até do limite superior da normalidade para essa faixa (que é < 40). O valor correto é ≥ 40 irpm. O número 20 irpm não tem correspondência na classificação de taquipneia pediátrica.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a taquipneia entre 1 e 4 anos seria FR ≥ 30 irpm. O valor correto para essa faixa é ≥ 40 irpm. O número 30 irpm não corresponde a nenhum ponto de corte da tabela de referência — é um distrator numérico sem base na classificação da OMS/SBP.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Afirma que a taquipneia em menores de 2 meses seria FR ≥ 50 irpm. O valor correto para essa faixa é ≥ 60 irpm; o valor de 50 irpm corresponde ao ponto de corte da faixa seguinte (2–11 meses). A banca deslocou o valor de uma faixa etária maior para a menor, fazendo o candidato superestimar a taquipneia nesse grupo.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre os valores de corte das diferentes faixas etárias, deslocando um valor de uma faixa para outra (como nas alternativas B e E) ou inventando números sem correspondência (como 20 e 30 irpm). A sequência correta é decrescente com a idade: 60 → 50 → 40. Memorize a progressão e associe cada valor à faixa etária correspondente — com treino, você identifica essas trocas de longe 💪.