Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114405
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Um lactente de 2 meses é internado com tosse paroxística precedida de sintomas gripais, e o diagnóstico de coqueluche é confirmado.A antibioticoterapia de primeira escolha para o tratamento da coqueluche deve ser feita com
Aazitromicina por 3 dias.
Bazitromicina por 5 dias.
Csulfametoxazol e trimetropim por 7 dias.
Deritromicina por 5 dias.
Eclaritromicina por 5 dias.
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GabaritoB — azitromicina por 5 dias.
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Coqueluche: antibioticoterapia de primeira escolha
Gabarito: letra B. Para o tratamento da coqueluche em lactente de 2 meses, a primeira escolha é a azitromicina por 5 dias — o esquema preferido para menores de 6 meses é 10 mg/kg em dose única diária por 5 dias, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde. A alternativa B é a única que combina o fármaco correto com a duração correta do tratamento.
A coqueluche é uma infecção respiratória altamente contagiosa causada pela bactéria Bordetella pertussis, que se apresenta em três fases clínicas: catarral (1-2 semanas, com sintomas gripais leves), paroxística (2-6 semanas, com crises de tosse súbita e incontrolável, frequentemente com "guincho" inspiratório) e de convalescença (2-6 semanas, com tosse residual). O diagnóstico é clínico e/ou laboratorial, sendo a cultura e a PCR em tempo real os métodos de escolha, a partir de secreção nasofaríngea.
O tratamento tem dois objetivos principais: erradicar a bactéria da nasofaringe (reduzindo a transmissibilidade) e, se iniciado precocemente na fase catarral, reduzir a intensidade e a duração dos sintomas. Os antibióticos não alteram o curso clínico da doença se iniciados tardiamente, mas são essenciais para o controle da transmissão.
Historicamente, a eritromicina era o fármaco preferido, mas caiu em desuso como primeira escolha devido à necessidade de administração a cada 6 horas por 7 a 14 dias (baixa adesão) e aos efeitos colaterais gastrintestinais. Atualmente, os macrolídeos de espectro mais estreito e com melhor perfil de tolerância — azitromicina e claritromicina — são preferidos. A azitromicina é a primeira escolha, especialmente em lactentes menores de 6 meses, pela posologia simples (dose única diária) e pelo excelente perfil de segurança. A claritromicina é a segunda escolha, e a eritromicina fica reservada para casos de indisponibilidade dos anteriores. O sulfametoxazol-trimetoprima (SMZ-TMP) é alternativa apenas em caso de intolerância a macrolídeos, sendo contraindicado em menores de 2 meses.
A pegadinha central desta questão está na duração do tratamento: a banca oferece a azitromicina com duração de 3 dias (alternativa A), que é um esquema usado em outras infecções respiratórias, mas não na coqueluche. O esquema correto para coqueluche é sempre de 5 dias para azitromicina, independentemente da idade. As demais alternativas erram no fármaco (eritromicina e SMZ-TMP não são primeira escolha) ou na duração (eritromicina por 5 dias é insuficiente — o esquema é de 7 a 14 dias).
Guarde o esquema terapêutico completo: azitromicina 5 dias (1ª escolha) → claritromicina 7 dias (2ª escolha) → eritromicina 7-14 dias (3ª escolha) → SMZ-TMP 7 dias (alternativa se intolerância a macrolídeos). É exatamente essa hierarquia e essas durações que separam as alternativas.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A azitromicina é o fármaco correto, mas a duração de 3 dias está errada. O esquema para coqueluche é de 5 dias em todas as faixas etárias. O esquema de 3 dias é utilizado em outras infecções respiratórias (como otite média aguda e faringite estreptocócica), mas não na coqueluche, onde a erradicação da B. pertussis da nasofaringe exige o curso completo de 5 dias.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A azitromicina é a primeira escolha para o tratamento da coqueluche, e o esquema para lactentes menores de 6 meses é de 10 mg/kg em dose única diária por 5 dias. Esta é a alternativa que combina corretamente o fármaco de primeira linha com a duração adequada do tratamento.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O sulfametoxazol-trimetoprima (SMZ-TMP) não é primeira escolha — é alternativa apenas em caso de intolerância a macrolídeos. Além disso, é contraindicado em menores de 2 meses, e o lactente da questão tem exatamente 2 meses, o que torna esta alternativa duplamente errada.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A eritromicina não é mais a primeira escolha — foi substituída pela azitromicina e claritromicina por questões de adesão e tolerabilidade. Além disso, o esquema correto de eritromicina é de 7 a 14 dias (a cada 6 horas), não de 5 dias. A duração de 5 dias é insuficiente para erradicar a bactéria.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A claritromicina é a segunda escolha, não a primeira. O esquema correto é de 7 dias (a cada 12 horas), não de 5 dias. A azitromicina é preferida por ter posologia mais simples (dose única diária) e melhor perfil de segurança em lactentes.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre a duração do tratamento da coqueluche e a de outras infecções respiratórias. O candidato que memorizou "azitromicina 3 dias" para otite ou faringite pode marcar a alternativa A, mas na coqueluche o esquema é sempre de 5 dias. Além disso, a alternativa D tenta atrair quem ainda associa eritromicina à coqueluche — mas ela foi substituída como primeira escolha justamente pela dificuldade de adesão (6/6h por 7-14 dias).
PEGA ESSA DICA!
Para fixar os esquemas da coqueluche, monte uma hierarquia mental: Azitromicina 5d → Claritromicina 7d → Eritromicina 7-14d → SMZ-TMP 7d (só se intolerância a macrolídeos). Lembre-se: azitromicina é sempre 5 dias, claritromicina sempre 7 dias, e eritromicina varia de 7 a 14 dias. SMZ-TMP é contraindicado em menores de 2 meses.