Tuberculose em lactente: contato domiciliar e tratamento da infecção latente
Gabarito: letra E. Lactente de 12 meses, assintomático, contato domiciliar de caso bacilífero, com radiografia de tórax normal e prova tuberculínica (PT) de 7 mm — a conduta é iniciar tratamento preventivo (tratamento da infecção latente — ILTB), pois, em crianças contato, PT ≥ 5 mm indica ILTB e indica tratamento, independentemente da vacinação prévia com BCG (Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, Ministério da Saúde).
A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa causada pelo Mycobacterium tuberculosis, transmitida por via respiratória a partir de casos bacilíferos (com baciloscopia positiva). Quando uma pessoa é exposta, duas situações podem ocorrer: a infecção latente (ILTB), em que o bacilo permanece quiescente no organismo, sem doença ativa, e a tuberculose ativa, em que há doença em evolução, com sintomas e alterações radiológicas. O tratamento da ILTB é uma medida preventiva fundamental, pois reduz em 60% a 90% o risco de adoecimento por TB ativa.
Na avaliação de contatos, especialmente crianças (< 10 anos), o Ministério da Saúde preconiza a realização de radiografia de tórax e prova tuberculínica (PT) ou IGRA. A PT mede a resposta imune celular ao antígeno do bacilo; uma induração ≥ 5 mm em crianças contato é considerada critério para ILTB, independentemente do tempo decorrido da vacinação BCG. Isso porque, em crianças vacinadas até o primeiro ano de vida (como é o padrão no Brasil), o efeito da BCG sobre a PT diminui com o tempo, e uma PT ≥ 5 mm deve ser interpretada como infecção latente.
No caso apresentado, o lactente de 12 meses é contato domiciliar de caso bacilífero (mãe), está assintomático, tem radiografia de tórax normal e PT de 7 mm. Como a PT é ≥ 5 mm, o diagnóstico é de ILTB, e o tratamento preventivo está indicado. A radiografia normal exclui TB ativa, e a ausência de sintomas reforça o quadro. O tratamento da ILTB em crianças é feito, em geral, com isoniazida (H) por 6 a 9 meses, ou rifampicina (R) por 3 a 4 meses, conforme o Manual de Recomendações.
A principal distinção que a questão explora é entre tratamento da ILTB (preventivo) e tratamento da TB ativa. A criança não tem TB ativa (assintomática, RX normal), portanto não se trata com esquema para TB ativa. Também não se deve apenas repetir a PT ou o RX em 8 semanas, pois a PT já é ≥ 5 mm e o tratamento está indicado de imediato. O acompanhamento clínico isolado, sem tratamento, também é inadequado, pois a criança tem indicação formal de ILTB.
A pegadinha da banca está em confundir o fluxograma de investigação de contatos: em adultos e adolescentes, PT < 5 mm leva a repetir a PT em 8 semanas; em crianças, PT ≥ 5 mm já indica tratamento. O candidato que memoriza o fluxo do adulto pode erroneamente escolher a alternativa de repetir a PT, mas a regra pediátrica é diferente.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Iniciar tratamento para tuberculose ativa seria um erro, pois a criança está assintomática e com radiografia de tórax normal, o que exclui TB ativa. O tratamento da TB ativa é indicado quando há doença em atividade (sintomas, alterações radiológicas ou bacteriológicas). Aqui, o quadro é de infecção latente, não de doença ativa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Repetir a prova tuberculínica em 8 semanas é a conduta para contatos com PT < 5 mm (sem critério para ILTB), para verificar conversão. Como a PT já é 7 mm (≥ 5 mm), há critério para ILTB e o tratamento deve ser iniciado, não se repetindo a PT.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Realizar acompanhamento clínico por 8 semanas, sem tratamento, é inadequado. A criança tem indicação formal de tratamento da ILTB (PT ≥ 5 mm em contato). O acompanhamento clínico isolado não previne o adoecimento por TB ativa, que é o objetivo do tratamento preventivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Repetir radiografia de tórax em 8 semanas não é a conduta. A radiografia já foi realizada e é normal; não há indicação de repeti-la, a menos que haja suspeita clínica de TB ativa. A conduta correta é iniciar o tratamento da ILTB.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Iniciar tratamento preventivo para tuberculose (tratamento da ILTB) é a conduta correta. A criança é contato domiciliar de caso bacilífero, está assintomática, tem RX normal e PT de 7 mm (≥ 5 mm). Segundo o Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil, em crianças contato, PT ≥ 5 mm indica ILTB e tratamento, independentemente da vacinação BCG.
Gabarito: letra E