Questão de Medicina — Pediatria e Neonatologia — FGV 2025
Medicina›Pediatria e Neonatologia
Código
fg114411
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Pré-escolar de 3 anos, com diarreia crônica, distensão abdominal e baixo peso, é submetido à investigação e o diagnóstico de doença celíaca é confirmado.O tratamento nesse caso é
Adieta isenta de glúten por toda a vida.
Bdieta sem lactose.
Ccom uso de probióticos.
Dcom dieta isenta de proteína do leite de vaca.
Ecom dieta sem carboidrato.
Revelar gabarito e comentário▾
GabaritoA — dieta isenta de glúten por toda a vida.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Doença celíaca: tratamento com dieta isenta de glúten
Gabarito: letra A. O tratamento da doença celíaca, em qualquer idade, é a dieta isenta de glúten (DIG) por toda a vida, pois se trata de uma intolerância permanente ao glúten (proteína do trigo, centeio e cevada) que desencadeia resposta autoimune na mucosa intestinal. Essa conduta é universalmente aceita e consta nos protocolos clínicos, como o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Celíaca do Ministério da Saúde.
A doença celíaca é uma enteropatia crônica imunomediada, desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos (HLA-DQ2/DQ8). A exposição ao glúten leva à atrofia das vilosidades do intestino delgado, comprometendo a absorção de nutrientes e causando diarreia, distensão abdominal, déficit de crescimento e diversas manifestações extraintestinais. O diagnóstico é confirmado por sorologia (anticorpos anti-transglutaminase tecidual IgA, anti-endomísio) e biópsia duodenal, que mostra atrofia vilosa. Uma vez confirmado, o único tratamento eficaz é a exclusão total e definitiva do glúten da dieta.
A dieta isenta de glúten deve ser rigorosa e permanente. Isso significa eliminar alimentos que contenham trigo, centeio e cevada, além de produtos que possam ter contaminação cruzada, como a aveia não certificada. A adesão estrita promove a recuperação da mucosa intestinal, o desaparecimento dos sintomas e a prevenção de complicações a longo prazo, como osteoporose, anemia, linfoma intestinal e outras doenças autoimunes. A não adesão, mesmo parcial, mantém a inflamação e os riscos associados.
Na prática, o manejo envolve também a correção de deficiências nutricionais (ferro, cálcio, vitaminas) e o acompanhamento multiprofissional com médico e nutricionista. O monitoramento é feito por sorologia periódica e avaliação clínica. Em crianças, a dieta deve ser instituída o quanto antes, e a adesão deve ser supervisionada pelos cuidadores. A resposta clínica costuma aparecer em semanas, mas a dieta deve ser mantida por toda a vida, pois a reintrodução do glúten reativa a doença.
A banca explora a confusão entre a doença celíaca e outras condições que cursam com diarreia crônica e má absorção, como a intolerância à lactose, a alergia à proteína do leite de vaca (APLV) e a má absorção de carboidratos. Embora essas condições possam coexistir ou apresentar sintomas semelhantes, o tratamento específico da doença celíaca é exclusivamente a retirada do glúten. As demais dietas (sem lactose, sem proteína do leite, sem carboidratos) são indicadas para outras doenças, não para a doença celíaca em si. O uso de probióticos não tem papel no tratamento da doença celíaca.
Guarde o critério decisivo: doença celíaca = intolerância permanente ao glúten → dieta isenta de glúten por toda a vida. É exatamente essa associação que separa a alternativa correta das demais.
Doença celíaca: Mecanismo (Intolerância permanente ao glúten, Resposta autoimune (HLA-DQ2/DQ8), Atrofia de vilosidades); Diagnóstico (Sorologia (anti-transglutaminase IgA), Biópsia duodenal); Tratamento (Dieta isenta de glúten por toda a vida, Correção de deficiências nutricionais, Acompanhamento multiprofissional); Complicações se não aderir (Osteoporose, Anemia, Linfoma intestinal)
Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A dieta isenta de glúten por toda a vida é o tratamento padrão-ouro da doença celíaca. O glúten é o gatilho da resposta imune que lesa a mucosa intestinal; sua exclusão total e definitiva é a única forma de controlar a doença, promover a recuperação da mucosa e prevenir complicações. Essa conduta é válida para todas as idades, incluindo pré-escolares, como no caso apresentado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
A dieta sem lactose é indicada para intolerância à lactose, que pode ocorrer secundariamente à doença celíaca não tratada (devido à lesão das vilosidades que produzem lactase), mas não é o tratamento da doença celíaca em si. Após a instituição da dieta sem glúten e a recuperação da mucosa, a tolerância à lactose geralmente melhora. A alternativa confunde a doença celíaca com intolerância à lactose.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O uso de probióticos não é tratamento para doença celíaca. Embora possam ser estudados como coadjuvantes na modulação da microbiota, não há evidência de que alterem o curso da doença ou substituam a dieta sem glúten. A alternativa sugere uma intervenção sem respaldo científico para essa condição.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A dieta isenta de proteína do leite de vaca é o tratamento da alergia à proteína do leite de vaca (APLV), outra causa de diarreia crônica e baixo peso em crianças, mas distinta da doença celíaca. A APLV é uma alergia mediada por IgE ou não IgE, enquanto a doença celíaca é uma intolerância ao glúten. A alternativa troca o agente agressor: glúten por proteína do leite.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A dieta sem carboidrato não é indicada para doença celíaca. A doença celíaca não é uma intolerância a carboidratos, mas sim ao glúten. Dietas com restrição de carboidratos são usadas em outras condições, como na intolerância a dissacarídeos ou em dietas cetogênicas, mas não têm papel no tratamento da doença celíaca. A alternativa generaliza erroneamente a restrição alimentar.