Você atende a uma mulher de 42 anos que apresenta crises recorrentes de cefaleia, palpitações e sudorese intensa. PA em repouso: 180 x 110 mmHg. Exames de catecolaminas urinárias: elevadas. TC de abdome mostra massa de 4 cm em adrenal direita.Diante desse quadro, a conduta cirúrgica adequada é
Aadrenalectomia imediata, sem preparo pré-operatório.
Bradioterapia abdominal profilática.
Cadrenalectomia, após preparo com bloqueio alfa-adrenérgico.
Dquimioterapia exclusiva com ciclofosfamida.
Eapenas acompanhamento clínico, sem cirurgia.
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GabaritoC — adrenalectomia, após preparo com bloqueio alfa-adrenérgico.
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Feocromocitoma: preparo pré-operatório e conduta cirúrgica
Gabarito: letra C. O quadro — mulher de 42 anos com crises de cefaleia, palpitações, sudorese, hipertensão grave (180×110 mmHg), catecolaminas urinárias elevadas e massa adrenal de 4 cm — é a apresentação clássica de feocromocitoma, tumor produtor de catecolaminas. A conduta cirúrgica correta é a adrenalectomia após preparo com bloqueio alfa-adrenérgico, pois a manipulação do tumor libera grande quantidade de catecolaminas, podendo causar crise hipertensiva fatal se o paciente não estiver previamente bloqueado. Essa é a recomendação consensual das diretrizes de endocrinologia e cirurgia (Endocrine Society, 2014).
O feocromocitoma é um tumor neuroendócrino da medula adrenal (ou de gânglios simpáticos, quando extra-adrenal — paraganglioma) que secreta catecolaminas (adrenalina, noradrenalina) de forma intermitente ou contínua. A tríade clássica — cefaleia, palpitações e sudorese — associada a hipertensão (paroxística ou sustentada) é altamente sugestiva. O diagnóstico é confirmado pela dosagem de metanefrinas livres plasmáticas ou de catecolaminas/metanefrinas fracionadas em urina de 24 horas, e a localização por TC ou RM de abdome.
O tratamento de escolha é a exérese cirúrgica (adrenalectomia, preferencialmente videolaparoscópica para tumores < 6 cm). Porém, a cirurgia nunca é imediata: o preparo pré-operatório com bloqueio alfa-adrenérgico (fenoxibenzamina ou doxazosina) é obrigatório, iniciado 7 a 14 dias antes, com o objetivo de controlar a PA e expandir o volume intravascular (que está contraído pela vasoconstrição crônica). Após o bloqueio alfa, se houver taquicardia, adiciona-se betabloqueador — nunca antes do alfa, pois o bloqueio beta isolado deixa a vasoconstrição alfa sem oposição, agravando a crise hipertensiva. Esse preparo reduz drasticamente a mortalidade cirúrgica, que era altíssima no passado.
A banca explora exatamente a pressa: o candidato pode achar que, diante de uma PA de 180×110 mmHg, a conduta é operar logo. Mas operar sem preparo é catastrófico — a manipulação tumoral libera catecolaminas em massa, podendo causar pico hipertensivo, AVC, IAM ou arritmia fatal. Por isso, o preparo alfa é condição sine qua non para a cirurgia. As demais alternativas (radioterapia, quimioterapia, acompanhamento) não têm papel no tratamento curativo do feocromocitoma localizado.
Guarde a sequência: diagnóstico → bloqueio alfa → cirurgia. É exatamente essa ordem que as alternativas tentam quebrar.
1Diagnóstico (metanefrinas + TC)
2Bloqueio alfa (7–14 dias)
3Beta se houver taquicardia
4Adrenalectomia (curativa)
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Alternativa A — ❌ Incorreta
Adrenalectomia imediata, sem preparo pré-operatório é um erro grave. A manipulação do tumor libera catecolaminas, e sem bloqueio alfa o paciente pode desenvolver crise hipertensiva intraoperatória, com risco de AVC, IAM e óbito. O preparo alfa-adrenérgico é obrigatório antes de qualquer manipulação cirúrgica.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Radioterapia abdominal profilática não é tratamento para feocromocitoma localizado. A radioterapia tem papel limitado em casos de doença metastática ou irressecável, nunca como conduta profilática inicial. O tratamento curativo é cirúrgico.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Adrenalectomia após preparo com bloqueio alfa-adrenérgico é a conduta correta. O bloqueio alfa (fenoxibenzamina ou doxazosina) é iniciado 7–14 dias antes da cirurgia, controla a PA e previne a crise hipertensiva intraoperatória. Só após o bloqueio alfa, se houver taquicardia, adiciona-se betabloqueador. A cirurgia é curativa na maioria dos casos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Quimioterapia exclusiva com ciclofosfamida não é tratamento de primeira linha para feocromocitoma. A quimioterapia (esquema CVD — ciclofosfamida, vincristina, dacarbazina) é reservada para doença metastática avançada, nunca como tratamento exclusivo de tumor localizado ressecável.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Apenas acompanhamento clínico, sem cirurgia é inadequado. O feocromocitoma é potencialmente maligno (cerca de 10%) e causa morbimortalidade cardiovascular significativa. A exérese cirúrgica é o tratamento de escolha; o acompanhamento isolado só se aplicaria a casos inoperáveis ou metastáticos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta induzir o candidato a operar imediatamente (alternativa A), explorando a urgência do quadro hipertensivo. Mas a regra de ouro é: nunca operar feocromocitoma sem bloqueio alfa prévio. O preparo é parte do tratamento, não um atraso. Memorize a sequência: alfa → (beta se necessário) → cirurgia.
NÃO CAIA NESSA!
Na prova, diante de hipertensão + tríade (cefaleia, palpitações, sudorese) + massa adrenal, pense em feocromocitoma e lembre: bloqueio alfa antes de tudo. Se a alternativa trouxer "cirurgia imediata" ou "sem preparo", descarte na hora. E nunca use betabloqueador antes do alfa — essa inversão é outra pegadinha clássica.