Questão de Medicina — Gastroenterologia — FGV 2025
Medicina›Gastroenterologia
Código
fg114414
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Mulher de 48 anos chega ao pronto-socorro com febre alta, icterícia e dor em hipocôndrio direito. Na avaliação, apresenta pressão arterial (PA) 85 × 50 mmHg e confusão mental. Realizou exame físico doloroso em hipocôndrio direito, sem sinais peritoneais.Diante desse caso, a conduta prioritária será
Aobservação clínica.
Balta hospitalar após analgesia.
Cradioterapia abdominal.
Dapenas antibióticos orais.
Ereanimação hemodinâmica + antibióticos endovenosos e descompressão biliar urgente (CPRE).
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Colangite aguda: conduta na emergência
Gabarito: letra E. O quadro é de colangite aguda grave (tríade de Charcot + hipotensão e confusão mental = pentada de Reynolds), uma emergência que exige reanimação hemodinâmica + antibióticos endovenosos + descompressão biliar urgente (CPRE). A conduta prioritária é estabilizar a paciente e desobstruir a via biliar, pois a demora aumenta a mortalidade.
A colangite aguda é a infecção da árvore biliar, quase sempre secundária à obstrução do fluxo biliar (cálculo, estenose, neoplasia). A tríade de Charcot — febre, icterícia e dor no hipocôndrio direito — está presente em cerca de 50-70% dos casos. Quando há sinais de sepse grave ou choque (hipotensão, confusão mental), fala-se em pentada de Reynolds, que indica colangite grave e necessidade de intervenção biliar urgente.
A fisiopatologia explica a gravidade: a obstrução biliar leva ao aumento da pressão intraductal, o que facilita a passagem de bactérias e endotoxinas para a corrente sanguínea, causando bacteremia e sepse. Por isso, o tratamento não é apenas antibiótico — é preciso descomprimir a via biliar para controlar o foco infeccioso. A CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) é o método de escolha para descompressão, podendo ser realizada com esfincterotomia e/ou colocação de stent ou drenagem nasobiliar.
Na prática, a sequência é: (1) reanimação volêmica agressiva com cristaloides, (2) antibióticos endovenosos de amplo espectro (cobrindo Gram-negativos e anaeróbios, como piperacilina-tazobactam ou ceftriaxona + metronidazol), (3) correção de distúrbios hidroeletrolíticos e (4) CPRE de urgência, idealmente nas primeiras 24-48 horas. A demora na descompressão está associada a maior mortalidade, especialmente em pacientes com disfunção orgânica.
A distinção crucial é entre colangite leve/moderada (que pode ser tratada inicialmente com antibióticos e CPRE eletiva) e colangite grave (que exige CPRE urgente). A presença de hipotensão, confusão mental, insuficiência renal ou coagulopatia define a forma grave. Nesta paciente, a PA de 85×50 mmHg e a confusão mental indicam choque séptico, o que torna a descompressão biliar uma prioridade absoluta.
A pegadinha da banca está em oferecer alternativas que parecem razoáveis (observação, analgesia, antibióticos orais) mas que ignoram a gravidade do quadro. A paciente não pode ser observada nem receber alta — ela está em choque séptico de origem biliar e precisa de intervenção imediata. A radioterapia abdominal não tem papel no tratamento da colangite aguda.
Guarde o critério decisivo: colangite + sinais de sepse grave/choque = reanimação + antibióticos EV + CPRE urgente. É exatamente essa combinação que a alternativa E apresenta.
1Reanimação volêmica (cristaloides)
2Antibióticos EV de amplo espectro
3Correção de distúrbios hidroeletrolíticos
4CPRE de urgência (24-48h)
LEVEL · soulevel.com.br
Alternativa A — ❌ Incorreta
Observação clínica é conduta inadequada para uma paciente com choque séptico. A colangite grave tem alta mortalidade se não tratada precocemente; a observação sem intervenção ativa levaria à deterioração clínica. A paciente precisa de reanimação e descompressão biliar, não de espera.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Alta hospitalar após analgesia é um erro grave. A paciente está hemodinamicamente instável (PA 85×50 mmHg) e com confusão mental — sinais de sepse grave. Analgesia isolada não trata a infecção nem a obstrução biliar, e a alta colocaria a vida da paciente em risco imediato.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Radioterapia abdominal não é tratamento para colangite aguda. A radioterapia é usada em oncologia, não em infecções biliares agudas. A conduta correta envolve antibióticos e descompressão biliar, não radiação.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Apenas antibióticos orais é insuficiente e inadequado. Em colangite grave, os antibióticos devem ser endovenosos (para garantir níveis séricos adequados) e a descompressão biliar é obrigatória. Antibióticos orais não tratam a obstrução e a paciente está em choque, com absorção gastrointestinal comprometida.
Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Reanimação hemodinâmica + antibióticos endovenosos e descompressão biliar urgente (CPRE) é exatamente a conduta recomendada para colangite aguda grave. A reanimação estabiliza a paciente, os antibióticos EV combatem a infecção e a CPRE descomprime a via biliar, controlando o foco. Essa combinação aborda os três pilares do tratamento: suporte, antibiótico e drenagem.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato escolher uma conduta "mais simples" (observação, analgesia, antibióticos orais) diante de um quadro que parece apenas uma colecistite. Mas a presença de hipotensão e confusão mental eleva o caso para colangite grave com choque séptico — e aí a descompressão biliar urgente é inegociável. Fique atento: tríade de Charcot + sinais de sepse = pentada de Reynolds = emergência.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando vir "febre + icterícia + dor em HCD", pense em colangite. Se houver hipotensão ou confusão mental, a resposta quase sempre envolve "reanimação + antibióticos EV + CPRE urgente". Memorize a tríade de Charcot e a pentada de Reynolds — são clássicos que a banca adora cobrar.