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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114415
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Homem de 52 anos, obeso, etilista crônico, apresenta hérnia umbilical de 4 cm, redutível, assintomática, descoberta em exame de rotina.A conduta recomendada, segundo as diretrizes cirúrgicas, é
  1. Aobservação indefinida, pois hérnias umbilicais em adultos não complicam.
  2. Bantibioticoterapia preventiva.
  3. Credução manual e acompanhamento ambulatorial.
  4. Dcorreção cirúrgica eletiva com uso de tela.
  5. Ehernioplastia somente se houver encarceramento.
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GabaritoD — correção cirúrgica eletiva com uso de tela.

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Hérnia umbilical no adulto: indicação cirúrgica

Gabarito: letra D. Em adulto com hérnia umbilical de 4 cm, redutível e assintomática, a conduta recomendada é a correção cirúrgica eletiva com uso de tela — a observação (watchful waiting) é segura apenas em hérnias assintomáticas de pequeno volume, e o risco de encarceramento/estrangulamento, aumentado pela rigidez do anel herniário, justifica a abordagem profilática. A conduta se alinha às diretrizes de cirurgia da parede abdominal, que indicam o reparo eletivo com tela para defeitos dessa magnitude.

A hérnia umbilical do adulto é uma falha da parede abdominal no anel umbilical, geralmente adquirida por enfraquecimento gradual do tecido cicatricial, e não uma falha congênita como na criança. O conteúdo herniário varia com o tamanho: nas pequenas, costuma ser gordura pré-peritoneal e omento; nas maiores, pode conter alças intestinais. O ponto central para a decisão terapêutica é que as hérnias umbilicais apresentam risco aumentado de encarceramento e estrangulamento devido à relativa rigidez de seu anel herniário — um anel pouco complacente aprisiona o conteúdo com mais facilidade. Por isso, mesmo assintomáticas, hérnias com defeito aponeurótico de 4 cm não devem ser apenas observadas: a chance de complicação ao longo do tempo é relevante, e o reparo eletivo é mais seguro e com menor morbidade do que a cirurgia de urgência.

Na prática, a conduta se divide conforme o perfil do paciente. Em crianças assintomáticas, o manejo expectante é aceito até os 5 anos. No adulto sintomático, a correção cirúrgica está sempre indicada. No adulto assintomático, a observação é uma medida segura apenas para hérnias de pequeno volume — mas, quando o defeito é maior (como 4 cm), a tendência é indicar o reparo eletivo, pois o risco de complicação supera o risco cirúrgico. O uso de tela (reforço da parede com prótese) reduz a recorrência, que é particularmente alta em obesos — exatamente o perfil do paciente do enunciado. A obesidade é fator de risco tanto para o desenvolvimento quanto para a recorrência da hérnia, o que reforça a necessidade de um reparo com tela bem executado.

A pegadinha da questão está em confundir a conduta para hérnias assintomáticas de pequeno volume (observação) com a conduta para hérnias maiores ou com risco aumentado de complicação. O enunciado descreve uma hérnia de 4 cm — não é um pequeno defeito — e o paciente tem obesidade e etilismo, fatores que aumentam a pressão abdominal e o risco de encarceramento. A alternativa que propõe "observação indefinida" ignora justamente o risco de complicação; a que propõe "redução manual e acompanhamento" trata a hérnia como se fosse um evento agudo redutível, quando na verdade é um defeito crônico da parede que não se resolve com manobra; e a que condiciona a cirurgia ao encarceramento inverte a lógica preventiva do reparo eletivo. A correção cirúrgica eletiva com tela é a única que aborda a causa (o defeito da parede) e previne a complicação.

Guarde o critério que separa as alternativas: hérnia umbilical assintomática de pequeno volume → observação; hérnia umbilical com defeito maior (≥ 2–4 cm), sintomática ou com fatores de risco → correção cirúrgica eletiva com tela. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

Hérnia umbilical no adulto
  • 1Conduta
    • Pequena e assintomática
      • Observação (watchful waiting)
    • Defeito ≥ 2–4 cm, sintomática ou fatores de risco
      • Reparo eletivo com tela
    • Encarceramento/estrangulamento
      • Cirurgia de urgência
  • 2Fatores de risco
    • Obesidade
    • Etilismo
    • Ascite
  • 3Por que operar
    • Anel rígido → risco de encarceramento
    • Tela reduz recorrência
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que hérnias umbilicais em adultos não complicam e que a observação indefinida é adequada. Isso contraria a diretriz: as hérnias umbilicais apresentam risco aumentado de encarceramento e estrangulamento devido à rigidez do anel herniário. A observação (watchful waiting) é segura apenas para hérnias assintomáticas de pequeno volume — não para um defeito de 4 cm em paciente obeso, que tem maior risco de complicação. A alternativa erra ao generalizar que "não complicam", ignorando o risco real de encarceramento.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Antibioticoterapia preventiva não tem papel no manejo de hérnia umbilical assintomática e redutível. Não há infecção presente, e antibióticos não previnem encarceramento nem tratam o defeito da parede. A antibioticoprofilaxia, quando indicada, é feita no perioperatório da correção cirúrgica — não como conduta isolada para a hérnia em si. A alternativa confunde o manejo de uma hérnia não complicada com o tratamento de uma complicação infecciosa, que não existe no caso.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Redução manual e acompanhamento ambulatorial é conduta para hérnia encarcerada redutível em caráter de urgência — não para uma hérnia crônica, redutível e assintomática, descoberta em exame de rotina. A redução manual não corrige o defeito aponeurótico; a hérnia vai recidivar. Além disso, o enunciado já diz que a hérnia é redutível, então não há indicação de manobra de redução. A conduta correta é o reparo eletivo, não a simples redução e observação.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A correção cirúrgica eletiva com uso de tela é a conduta recomendada para hérnia umbilical de 4 cm em adulto, mesmo assintomática. O defeito de 4 cm não é pequeno, e o paciente obeso tem risco aumentado de encarceramento e de recorrência. O reparo com tela (hernioplastia sem tensão) reduz a recorrência em comparação com a sutura primária, especialmente em obesos. A cirurgia eletiva é mais segura que a cirurgia de urgência, que seria necessária se houvesse encarceramento ou estrangulamento. A alternativa espelha exatamente a diretriz: reparo eletivo com tela para hérnias umbilicais do adulto com defeito significativo.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Condicionar a hernioplastia somente ao encarceramento inverte a lógica preventiva do tratamento. A cirurgia de urgência para hérnia encarcerada/estrangulada tem maior morbimortalidade que a cirurgia eletiva. A diretriz indica o reparo eletivo justamente para prevenir o encarceramento — não para esperar que ele ocorra. Em paciente obeso com hérnia de 4 cm, o risco de complicação é alto, e a conduta expectante até o encarceramento é inadequada e perigosa.

A regra de ouro para levar à prova: hérnia umbilical do adulto com defeito ≥ 2–4 cm, sintomática ou com fatores de risco (obesidade, etilismo, ascite) → reparo eletivo com tela; hérnia pequena e assintomática em paciente de baixo risco → observação é aceitável. A cirurgia de urgência fica reservada para encarceramento ou estrangulamento — nunca como conduta inicial planejada.

Gabarito: letra D

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