Paciente de 44 anos apresenta dor epigástrica intensa, diarreia crônica e perda ponderal. Endoscopia mostra múltiplas úlceras duodenais distais. Dosagem sérica: gastrina = 1.500 pg/mL (VR < 150). Teste de secretina positivo (elevação paradoxal da gastrina). Uma TC de abdome sugere nódulo pancreático na cabeça.A conduta mais adequada, nesse caso, será
Aressecção cirúrgica do gastrinoma, após localização tumoral adequada.
Bapenas tratamento clínico com IBP em altas doses, sem investigação adicional.
Cpancreatectomia total profilática, devido ao risco de múltiplos tumores.
Dradioterapia abdominal como tratamento de primeira escolha.
Ecolectomia subtotal, pois diarreia é o principal sintoma.
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GabaritoA — ressecção cirúrgica do gastrinoma, após localização tumoral adequada.
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Síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma): conduta cirúrgica
Gabarito: letra A. O quadro — úlceras duodenais distais múltiplas, diarreia, perda ponderal, gastrina sérica de 1.500 pg/mL e teste de secretina positivo — fecha o diagnóstico de síndrome de Zollinger-Ellison (gastrinoma). A conduta adequada é a ressecção cirúrgica do tumor após localização adequada, pois a cirurgia é o único tratamento potencialmente curativo, e a localização pré-operatória é essencial para planejar a abordagem (o nódulo pancreático na cabeça já foi sugerido pela TC).
A síndrome de Zollinger-Ellison é causada por um tumor neuroendócrino secretor de gastrina (gastrinoma), que leva a hipersecreção ácida gástrica e, consequentemente, a úlceras pépticas — frequentemente múltiplas, em localizações atípicas (pós-bulbares, duodenais distais) e refratárias ao tratamento convencional. A diarreia é comum, por inativação das enzimas pancreáticas pelo ácido e por lesão direta da mucosa intestinal. O diagnóstico é firmado pela tríade: sintomas ulcerosos atípicos, gastrina sérica elevada (> 1.000 pg/mL é praticamente diagnóstico) e teste de secretina positivo (aumento paradoxal da gastrina após infusão de secretina, em vez da supressão esperada).
O tratamento clínico com inibidores da bomba de prótons (IBPs) em altas doses é a base do controle sintomático e da prevenção de complicações, mas não é curativo — apenas controla a hipersecreção ácida. A ressecção cirúrgica é o único tratamento que oferece cura, com taxa de sucesso de cerca de 60-90% em tumores esporádicos bem localizados. Por isso, após o diagnóstico, a investigação deve prosseguir com exames de imagem (TC, RM, cintilografia com octreotida, ecoendoscopia) para localizar o tumor e avaliar a presença de metástases. A pancreatectomia total profilática não se justifica, pois é um procedimento mutilante, com alta morbidade, e a maioria dos gastrinomas é única e ressecável. A radioterapia não é tratamento de primeira escolha para tumores neuroendócrinos bem diferenciados. A colectomia subtotal é um absurdo terapêutico — a diarreia é consequência da hipersecreção ácida, não uma doença colônica primária.
A grande pegadinha desta questão é a tentação de tratar apenas com IBP, já que o controle sintomático é rápido e eficaz. Mas o aluno deve lembrar que, em um paciente jovem, com tumor localizado e sem metástases, a cirurgia é o padrão-ouro. A localização tumoral adequada é o passo que antecede a ressecção — sem ela, a cirurgia pode ser infrutífera. Guarde a sequência: diagnóstico → localização → ressecção cirúrgica.
1Diagnóstico (gastrina + secretina)
2IBP para estabilizar
3Localização tumoral
4Ressecção cirúrgica curativa
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ressecção cirúrgica do gastrinoma, após localização tumoral adequada, é a conduta correta. O paciente tem critérios diagnósticos claros de gastrinoma (gastrina 1.500 pg/mL, teste de secretina positivo, úlceras duodenais distais) e a TC sugere nódulo pancreático na cabeça. A cirurgia é o único tratamento curativo, e a localização pré-operatória (TC, RM, cintilografia com octreotida, ecoendoscopia) é fundamental para planejar a ressecção e evitar cirurgias fúteis. Em tumores esporádicos, a ressecção completa oferece taxas de cura de 60-90%.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Apenas tratamento clínico com IBP em altas doses, sem investigação adicional, é insuficiente. O IBP controla a hipersecreção ácida e os sintomas, mas não trata o tumor — que pode crescer, metastatizar e causar complicações graves. A investigação adicional (localização tumoral) é obrigatória para avaliar a ressecabilidade. A alternativa ignora o potencial curativo da cirurgia e o risco de progressão da doença neoplásica.
Alternativa C — ❌ Incorreta
A pancreatectomia total profilática é um absurdo terapêutico. É um procedimento mutilante, com alta morbidade (diabetes mellitus, insuficiência exócrina) e mortalidade, indicado apenas em casos selecionados de tumores difusos ou múltiplos não ressecáveis. No gastrinoma esporádico, a maioria é única e ressecável — a pancreatectomia total não é profilática, é destrutiva. A alternativa confunde o tratamento de tumores múltiplos (como na neoplasia endócrina múltipla tipo 1) com o caso esporádico.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A radioterapia abdominal não é tratamento de primeira escolha para gastrinoma. Tumores neuroendócrinos bem diferenciados são pouco radiossensíveis, e a radioterapia é reservada para casos paliativos, como metástases ósseas dolorosas ou tumores irressecáveis. A alternativa ignora o padrão-ouro (cirurgia) e propõe uma modalidade sem papel definido no tratamento curativo.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A colectomia subtotal é um erro grave. A diarreia no gastrinoma é consequência da hipersecreção ácida (inativação de enzimas pancreáticas, lesão da mucosa intestinal, aumento da motilidade), não uma doença colônica primária. A colectomia não trata a causa e expõe o paciente a uma cirurgia de grande porte sem benefício. A alternativa demonstra desconhecimento da fisiopatologia da síndrome.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre o controle sintomático (IBP) e o tratamento curativo (cirurgia). O aluno que memoriza que "gastrinoma trata com IBP" cai na alternativa B. Mas a questão pede a conduta mais adequada — e, em um paciente com tumor localizado, a cirurgia é o padrão-ouro. Lembre-se: IBP controla, cirurgia cura.
PEGA ESSA DICA!
Na prova, quando vir "úlceras duodenais distais + gastrina elevada + teste de secretina positivo", pense imediatamente em gastrinoma. A sequência de manejo é: 1) IBP para estabilizar; 2) localização tumoral (TC, RM, octreotida, ecoendoscopia); 3) ressecção cirúrgica se ressecável. Essa é a espinha dorsal da questão.