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Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114425
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Paciente, sexo masculino, de 58 anos, tabagista e etilista, com história clínica de esôfago de Barrett, diagnosticado há 5 anos. Refere disfagia progressiva para sólidos, odinofagia e emagrecimento de 2 kg em 3 meses. Uma endoscopia mostra lesão estenosante no terço distal do esôfago. A biópsia teve, como diagnóstico histopatológico, adenocarcinoma.A melhor conduta terapêutica com intenção curativa será
  1. Aradioterapia exclusiva.
  2. Bmiotomia de Heller.
  3. Cquimioterapia paliativa isolada.
  4. Desofagectomia com linfadenectomia regional.
  5. Edilatação endoscópica seriada.
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GabaritoD — esofagectomia com linfadenectomia regional.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adenocarcinoma de esôfago sobre esôfago de Barrett: conduta curativa

Gabarito: letra D. Para adenocarcinoma de esôfago localizado (sem evidência de metástases), a conduta com intenção curativa é a esofagectomia com linfadenectomia regional. As demais opções são paliativas, sintomáticas ou indicadas para outras doenças. A base está no tratamento do câncer de esôfago: doença localizada é tratada com cirurgia, e a doença localmente avançada, com terapia multimodal (quimio e radioterapia neoadjuvantes seguidas de cirurgia).

O adenocarcinoma de esôfago é uma complicação do esôfago de Barrett, que é uma metaplasia intestinal do epitélio escamoso distal, causada pela exposição crônica ao refluxo gastroesofágico. O paciente do caso tem os fatores de risco clássicos: sexo masculino, tabagismo, etilismo e Barrett de longa data. A disfagia progressiva, a odinofagia e o emagrecimento são sintomas de alarme que indicam malignidade. A endoscopia mostrou lesão estenosante no terço distal, e a biópsia confirmou adenocarcinoma.

O tratamento do câncer de esôfago depende do estadiamento. Para tumores precoces (T1a, restritos à mucosa), a ressecção endoscópica da mucosa pode ser curativa. Para tumores que invadem a submucosa (T1b) ou mais avançados, mas ainda localizados, a esofagectomia com linfadenectomia é o tratamento padrão. Para doença localmente avançada (T3/T4 ou N+), a terapia multimodal (quimioterapia e radioterapia neoadjuvantes seguidas de cirurgia) é o padrão de cuidado. A quimiorradioterapia definitiva é alternativa para quem não pode operar. Para doença metastática (estágio IV), o tratamento é paliativo, com quimioterapia e terapias-alvo.

No caso apresentado, não há informação sobre metástases ou invasão de estruturas vizinhas. A lesão é estenosante no terço distal, e o paciente tem sintomas obstrutivos. A conduta com intenção curativa, portanto, é a cirurgia: esofagectomia com linfadenectomia regional. As outras opções são incorretas: radioterapia exclusiva não é curativa para adenocarcinoma; miotomia de Heller é para acalasia; quimioterapia paliativa isolada é para doença metastática; dilatação endoscópica seriada é apenas paliativa para alívio da disfagia.

A pegadinha da questão está em confundir o tratamento do adenocarcinoma com o de outras doenças esofágicas, como a acalasia (miotomia de Heller) ou a estenose péptica (dilatação). O candidato deve lembrar que, diante de um câncer ressecável, a cirurgia é a única opção curativa.

Adenocarcinoma de esôfago
  • 1Tratamento curativo
    • T1a (mucosa)
      • Ressecção endoscópica
    • T1b+ localizado
      • Esofagectomia + linfadenectomia
    • Localmente avançado (T3/T4 ou N+)
      • Quimio/radio neoadjuvante + cirurgia
  • 2Tratamento paliativo
    • Doença metastática
      • Quimioterapia paliativa
    • Inoperável
      • Quimiorradioterapia definitiva
    • Alívio de disfagia
      • Dilatação endoscópica
  • 3Outras doenças (não câncer)
    • Acalasia
      • Miotomia de Heller
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A radioterapia exclusiva não é curativa para o adenocarcinoma de esôfago. Ela pode ser usada como parte da terapia multimodal (neoadjuvante ou definitiva em pacientes inoperáveis), mas isoladamente não oferece chance de cura. A intenção curativa exige a ressecção cirúrgica do tumor.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A miotomia de Heller é o tratamento cirúrgico da acalasia, um distúrbio motor do esôfago caracterizado por falha de relaxamento do esfíncter esofágico inferior e ausência de peristaltismo. Não tem papel no tratamento do adenocarcinoma. A banca troca a doença: o paciente tem câncer, não acalasia.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A quimioterapia paliativa isolada é indicada para doença metastática (estágio IV), com objetivo de melhorar sobrevida e qualidade de vida, não de curar. No caso, não há evidência de metástases, e a intenção é curativa. A quimioterapia pode ser usada como neoadjuvante (antes da cirurgia), mas não isoladamente como tratamento curativo.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A esofagectomia com linfadenectomia regional é o tratamento padrão com intenção curativa para adenocarcinoma de esôfago localizado (T1b ou mais avançado, sem metástases). A cirurgia remove o tumor primário e os linfonodos regionais, que são o principal sítio de disseminação. No caso, o paciente tem tumor estenosante no terço distal, sem contraindicação cirúrgica aparente, então a cirurgia é a melhor conduta.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A dilatação endoscópica seriada é um tratamento paliativo para alívio da disfagia em estenoses malignas ou benignas. Não trata o câncer em si, apenas o sintoma obstrutivo. Não tem intenção curativa e não é indicada como tratamento definitivo para adenocarcinoma.

Gabarito: letra D

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