Pular para o conteúdo principal

Questão de Medicina — Cirurgia Geral — FGV 2025

MedicinaCirurgia Geral
Código
fg114426
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
No Serviço de Emergência, dá entrada uma mulher de 60 anos que apresenta dor torácica súbita e intensa após episódio de vômitos repetidos. O exame físico mostra taquicardia, febre, enfisema subcutâneo cervical. Na TC de tórax, há extravasamento de contraste do esôfago distal para mediastino.Nesse caso, a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada são
  1. Aruptura espontânea do esôfago (síndrome de Boerhaave) / estabilização clínica, antibióticos e drenagem cirúrgica precoce.
  2. Besofagite erosiva / IBP e dieta líquida.
  3. Cperfuração por corpo estranho / retirada endoscópica.
  4. Dpneumotórax espontâneo / drenagem torácica simples.
  5. Erefluxo gastroesofágico grave / cirurgia antirrefluxo.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — ruptura espontânea do esôfago (síndrome de Boerhaave) / estabilização clínica, antibióticos e drenagem cirúrgica precoce.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Boerhaave: ruptura esofágica espontânea

Gabarito: letra A. O quadro clássico de dor torácica súbita após vômitos repetidos, febre, taquicardia, enfisema subcutâneo cervical e extravasamento de contraste do esôfago distal no mediastino à TC é a síndrome de Boerhaave (ruptura espontânea do esôfago). A conduta inicial é estabilização clínica, antibióticos de largo espectro e drenagem cirúrgica precoce — o tratamento é cirúrgico e urgente, pois a mortalidade é alta sem intervenção.

A síndrome de Boerhaave é uma emergência cirúrgica rara, mas gravíssima, caracterizada pela perfuração transmural espontânea do esôfago, quase sempre no terço distal, desencadeada por um aumento súbito da pressão intraesofágica — o mecanismo clássico é o vômito contra uma glote fechada. A tríade de Mackler (vômitos, dor torácica e enfisema subcutâneo) está presente em menos de metade dos casos, mas quando aparece, é altamente sugestiva. O enfisema subcutâneo cervical ocorre porque o ar extravasa do esôfago para o mediastino e dissecae os planos fasciais até o pescoço.

O diagnóstico é confirmado por TC de tórax com contraste oral, que mostra o extravasamento do contraste para o mediastino — exatamente o achado do enunciado. A conduta é cirúrgica e precoce: estabilização hemodinâmica, antibióticos de largo espectro (cobrindo flora oral e anaeróbios), jejum e drenagem cirúrgica (toracotomia com sutura primária e drenagem mediastinal, ou drenagem por vídeo-toracoscopia em casos selecionados). O atraso no tratamento aumenta drasticamente a mortalidade, que pode chegar a 18% nas perfurações torácicas.

A banca explora aqui a diferenciação entre as causas de dor torácica aguda com extravasamento esofágico. A chave é o mecanismo: vômitos repetidos + ruptura espontânea = Boerhaave. As demais alternativas (esofagite, corpo estranho, pneumotórax, refluxo) não explicam o extravasamento de contraste para o mediastino nem o enfisema subcutâneo. Guarde a tríade: vômito + dor torácica + enfisema subcutâneo = Boerhaave até prova em contrário.

1Ruptura espontânea do esôfago
Terço distal
Mecanismo: vômito contra glote fechada
2Tríade de Mackler
Vômitos
Dor torácica
Enfisema subcutâneo
3Diagnóstico
TC com contraste oral
Extravasamento para mediastino
4Conduta
Estabilização clínica
Antibióticos de largo espectro
Drenagem cirúrgica precoce
Síndrome de Boerhaave
LEVELsoulevel.com.br
Síndrome de Boerhaave: Ruptura espontânea do esôfago (Terço distal, Mecanismo: vômito contra glote fechada); Tríade de Mackler (Vômitos, Dor torácica, Enfisema subcutâneo); Diagnóstico (TC com contraste oral, Extravasamento para mediastino); Conduta (Estabilização clínica, Antibióticos de largo espectro, Drenagem cirúrgica precoce)

Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A alternativa descreve com precisão a síndrome de Boerhaave: ruptura espontânea do esôfago distal após vômitos, com extravasamento para o mediastino. A conduta inicial é a estabilização clínica (jejum, reposição volêmica, analgesia), antibióticos de largo espectro (cobrindo anaeróbios e gram-negativos) e drenagem cirúrgica precoce — o tratamento definitivo é cirúrgico, pois a contaminação mediastinal evolui para mediastinite e sepse. A precocidade é decisiva: quanto mais cedo a drenagem, menor a mortalidade.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Esofagite erosiva não causa ruptura transmural nem extravasamento de contraste para o mediastino. É uma inflamação da mucosa, tratada com IBP e dieta, sem indicação cirúrgica. A alternativa confunde uma condição benigna e comum com uma emergência cirúrgica — o quadro do enunciado é agudo, febril e com sinais de perfuração, incompatível com esofagite isolada.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Perfuração por corpo estranho é uma possibilidade, mas o enunciado não menciona ingestão de corpo estranho e o mecanismo típico é o vômito. Além disso, a conduta descrita (retirada endoscópica) não é a inicial para uma perfuração já estabelecida com extravasamento mediastinal — nesse cenário, a endoscopia pode agravar a lesão e o tratamento é cirúrgico. A alternativa troca o mecanismo e a conduta.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Pneumotórax espontâneo causa dor torácica súbita e dispneia, mas não cursa com extravasamento de contraste esofágico nem enfisema subcutâneo cervical (que é mediastinal, não pleural). A drenagem torácica simples trata o pneumotórax, não a perfuração esofágica. A alternativa confunde o sinal de enfisema subcutâneo com pneumotórax, mas a TC mostra claramente a origem esofágica.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Refluxo gastroesofágico grave é uma condição crônica, sem febre, sem enfisema subcutâneo e sem extravasamento de contraste. A cirurgia antirrefluxo é eletiva, não uma conduta de emergência. A alternativa ignora todos os sinais de gravidade do caso e propõe um tratamento para doença crônica, não para perfuração aguda.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre as causas de dor torácica com envolvimento esofágico. O candidato pode ser tentado a escolher esofagite ou refluxo por serem mais comuns, mas o extravasamento de contraste para o mediastino é o achado que fecha o diagnóstico de perfuração — e o mecanismo de vômitos repetidos aponta diretamente para a síndrome de Boerhaave. Memorize: vômito + dor torácica + enfisema subcutâneo = Boerhaave, e o tratamento é cirúrgico de urgência.

Gabarito: letra A

Link permanente: /questoes/fg114426