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Questão de Medicina — Oncologia — FGV 2025

MedicinaOncologia
Código
fg114436
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Um homem de 64 anos procura atendimento ambulatorial por fadiga progressiva e perda ponderal não voluntária de 6 kg, nos últimos 2 meses. Relata náuseas ocasionais e desconforto abdominal difuso, sem relação com alimentação ou evacuação, e nega sangramentos. A filha notou coloração amarelada discreta na pele recentemente. Tabagista há 40 anos, faz uso ocasional de bebidas alcoólicas aos fins de semana.Ao exame, apresenta icterícia, sem dor ou massas palpáveis. Exames laboratoriais mostram padrão colestático discreto. A tomografia abdominal evidencia lesão tumoral na cabeça do pâncreas com dilatação da via biliar. A biópsia por ultrassom endoscópico confirma adenocarcinoma pancreático.Dos fatores a seguir, assinale o mais associado ao desenvolvimento desse tipo de tumor.
  1. AIntolerância à lactose.
  2. BColelitíase.
  3. CTabagismo.
  4. DHipercalcemia.
  5. ESíndrome do intestino irritável.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — Tabagismo.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Adenocarcinoma de pâncreas: fatores de risco

Gabarito: letra C. O tabagismo é o fator de risco modificável mais fortemente associado ao adenocarcinoma de pâncreas, com aumento de cerca de duas vezes no risco em fumantes de longa data — exatamente o perfil do paciente (tabagista há 40 anos). As demais alternativas (intolerância à lactose, colelitíase, hipercalcemia e síndrome do intestino irritável) não são fatores de risco estabelecidos para esse tumor.

O adenocarcinoma ductal é o tipo mais comum de neoplasia maligna do pâncreas, correspondendo a cerca de 90% dos casos. Trata-se de um tumor de prognóstico sombrio: a maioria dos pacientes já apresenta doença localmente avançada ou metastática ao diagnóstico, e a sobrevida global em 5 anos é de apenas 10 a 25%. A apresentação clássica inclui icterícia obstrutiva indolor (como no caso), perda ponderal, dor abdominal e, por vezes, diabetes de início recente. O diagnóstico é confirmado por biópsia, geralmente guiada por ultrassom endoscópico, como ocorreu com o paciente.

Os fatores de risco mais bem estabelecidos para o adenocarcinoma de pâncreas são:

  • Tabagismo — o mais importante fator de risco modificável; aumenta o risco em aproximadamente 2 vezes, com relação dose-dependente (maior tempo e intensidade de tabagismo, maior risco).

  • Idade avançada — a incidência aumenta progressivamente após os 50 anos, com pico na sétima década.

  • História familiar — cerca de 5 a 10% dos casos têm componente hereditário (síndromes como BRCA1/BRCA2, Lynch, Peutz-Jeghers, pancreatite hereditária).

  • Pancreatite crônica — especialmente a forma hereditária, mas também a alcoólica.

  • Diabetes mellitus — tanto o de longa data quanto o de início recente (que pode ser manifestação paraneoplásica).

  • Obesidade — associação modesta, mas consistente.

  • Exposição ocupacional — a certos solventes e pesticidas.

O consumo de álcool, por si só, não é considerado um fator de risco independente para o câncer de pâncreas — sua associação se dá indiretamente, por meio do desenvolvimento de pancreatite crônica. Já a colelitíase (cálculos na vesícula biliar) não é fator de risco para neoplasia pancreática; ela se associa a outras condições, como colecistite e coledocolitíase. A intolerância à lactose e a síndrome do intestino irritável são condições funcionais ou de má absorção, sem relação com carcinogênese pancreática. A hipercalcemia, por sua vez, é uma manifestação paraneoplásica que pode ocorrer em alguns tumores (como carcinoma de células claras do rim e câncer de pulmão), mas não é fator de risco para o adenocarcinoma de pâncreas.

A pegadinha desta questão está em o enunciado descrever um paciente com múltiplos fatores potencialmente confundidores: tabagista, etilista ocasional, idoso, com perda ponderal. O candidato pode ser tentado a escolher a colelitíase (por ser uma condição biliar, e o tumor está na cabeça do pâncreas obstruindo a via biliar) ou a hipercalcemia (por ser uma alteração laboratorial que pode acompanhar neoplasias). No entanto, a pergunta é objetiva: qual fator está mais associado ao desenvolvimento do tumor — e a resposta é o tabagismo, o fator de risco modificável mais forte e bem documentado na literatura.

Guarde a distinção central: fatores de risco (o que aumenta a chance de desenvolver a doença) são diferentes de manifestações clínicas (o que a doença causa). Colelitíase e hipercalcemia podem aparecer no contexto de um paciente oncológico, mas não são fatores etiológicos do adenocarcinoma de pâncreas.

Adenocarcinoma de pâncreas
  • 1Fatores de risco
    • Tabagismo (risco ~2x)
    • Idade avançada
    • História familiar
    • Pancreatite crônica
    • Diabetes
    • Obesidade
  • 2Não são fatores de risco
    • Colelitíase
    • Hipercalcemia (paraneoplásica)
    • Intolerância à lactose
    • Síndrome do intestino irritável
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Alternativa A — ❌ Incorreta

A intolerância à lactose é um distúrbio de má absorção de carboidratos, causado por deficiência da enzima lactase. Não há qualquer associação epidemiológica ou fisiopatológica entre essa condição e o desenvolvimento de adenocarcinoma de pâncreas. É um distrator que explora o sintoma de desconforto abdominal, mas não se relaciona com carcinogênese pancreática.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A colelitíase (presença de cálculos na vesícula biliar) não é fator de risco para câncer de pâncreas. Embora o paciente tenha icterícia obstrutiva por obstrução da via biliar pelo tumor na cabeça do pâncreas, a presença de cálculos biliares não aumenta o risco de neoplasia pancreática. A confusão surge porque ambas as condições podem cursar com colestase, mas a etiologia é completamente distinta.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O tabagismo é o fator de risco modificável mais fortemente associado ao adenocarcinoma de pâncreas. Estudos epidemiológicos demonstram aumento de aproximadamente 2 vezes no risco entre fumantes, com relação dose-dependente — quanto maior o tempo e a intensidade do tabagismo, maior o risco. O paciente da questão é tabagista há 40 anos, o que reforça a associação. O mecanismo envolve carcinógenos do tabaco que atingem o pâncreas tanto por via hematogênica quanto pelo refluxo biliar.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A hipercalcemia é uma síndrome paraneoplásica que pode ocorrer em diversos tumores (como carcinoma de pulmão, mama, rim e mieloma múltiplo), mas não é um fator de risco para o desenvolvimento de adenocarcinoma de pâncreas. Na verdade, a hipercalcemia no câncer de pâncreas é rara. A alternativa inverte o raciocínio: confunde uma possível consequência (manifestação paraneoplásica) com um fator causal.

Alternativa E — ❌ Incorreta

A síndrome do intestino irritável (SII) é um distúrbio funcional gastrointestinal caracterizado por dor abdominal e alteração do hábito intestinal, sem doença orgânica subjacente. Não há evidência de que a SII aumente o risco de neoplasias pancreáticas. É um distrator que explora o sintoma de desconforto abdominal difuso relatado pelo paciente, mas que não tem relação etiológica com o tumor.

NÃO CAIA NESSA!

A banca mistura fatores de risco com manifestações clínicas. O paciente tem icterícia (sugerindo obstrução biliar — o que pode levar o candidato a pensar em colelitíase) e perda ponderal (que pode lembrar hipercalcemia paraneoplásica). Mas a pergunta é sobre o que causa o tumor, não o que ele causa. Tabagismo é o fator de risco clássico e mais forte — decore: câncer de pâncreas + tabagismo = associação direta.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de oncologia, separe mentalmente os fatores em dois grupos: (1) modificáveis — tabagismo, obesidade, álcool (este indireto, via pancreatite crônica), dieta; (2) não modificáveis — idade, sexo, história familiar, mutações genéticas. Quando a banca perguntar "fator mais associado", priorize o tabagismo, a menos que haja história familiar forte ou síndrome genética no enunciado.

Gabarito: letra C

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