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Questão de Medicina — Doenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico — FGV 2025

MedicinaDoenças Reumatológicas e do Sistema Imunológico
Código
fg114442
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
Um homem de 39 anos procura atendimento ambulatorial por congestão nasal persistente e dor facial há 6 meses. Nas últimas semanas, passou a apresentar tosse com hemoptise e dispneia progressiva. Refere também febre baixa recorrente, fadiga e perda de 5 kg nesse período.Ao exame físico, observam-se úlceras na mucosa nasal, estertores crepitantes difusos em ambos os pulmões e púrpura palpável nos membros inferiores. Os exames laboratoriais revelam anemia normocítica, creatinina de 2,3 mg/dL e hematúria com cilindros hemáticos. A radiografia de tórax evidencia múltiplos nódulos, alguns cavitados, associados a opacidades bilaterais em regiões hilo pulmonares.Esses achados sugerem, entre as hipóteses diagnósticas, uma vasculite primária associada a autoanticorpos dirigidos contra antígenos, que estão presentes no seguinte tipo celular:
  1. Acélulas parietais gástricas.
  2. Bpneumócitos tipo II.
  3. Cneutrófilos.
  4. Dplaquetas.
  5. Ecélulas da junção neuromuscular.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoC — neutrófilos.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Vasculites ANCA-associadas: o alvo dos autoanticorpos

Gabarito: letra C. O quadro clínico — congestão nasal persistente, úlceras na mucosa nasal, hemoptise, nódulos pulmonares cavitados, glomerulonefrite (hematúria com cilindros hemáticos e creatinina elevada) e púrpura palpável — é clássico de uma vasculite de pequenos vasos associada a ANCA (anticorpos anticitoplasma de neutrófilos). Esses autoanticorpos são dirigidos contra antígenos presentes nos neutrófilos (células do sangue), como a proteinase-3 (PR3) e a mieloperoxidase (MPO).

As vasculites ANCA-associadas (VAA) formam um grupo de doenças autoimunes que cursam com inflamação e necrose da parede dos vasos sanguíneos, predominantemente de pequeno calibre. Os principais representantes são a granulomatose com poliangeíte (GPA, antiga granulomatose de Wegener), a poliangeíte microscópica (PAM) e a granulomatose eosinofílica com poliangeíte (GEPA, antiga síndrome de Churg-Strauss). O que une essas doenças é justamente a presença de autoanticorpos que atacam enzimas presentes nos grânulos dos neutrófilos — daí o nome ANCA (antineutrophil cytoplasmic antibodies).

O mecanismo fisiopatológico é fascinante e explica a síndrome clínica: os ANCA se ligam aos antígenos (PR3 ou MPO) na superfície de neutrófilos ativados, levando à ativação excessiva dessas células, que liberam espécies reativas de oxigênio e enzimas proteolíticas, causando dano endotelial e necrose vascular. Isso resulta em inflamação granulomatosa e vasculite necrosante, que pode acometer vias aéreas superiores (úlceras nasais, congestão), pulmões (nódulos cavitados, hemorragia alveolar difusa), rins (glomerulonefrite rapidamente progressiva) e pele (púrpura palpável).

O diagnóstico é eminentemente clínico-laboratorial, com confirmação pela positividade dos ANCA (imunofluorescência indireta ou ELISA para PR3 e MPO). A biópsia de um órgão acometido (rinoscopia, pulmão, rim) pode confirmar a vasculite necrosante. O tratamento de indução em casos graves (com comprometimento renal ou pulmonar) envolve glicocorticoides em altas doses associados a imunossupressores como ciclofosfamida ou rituximabe.

A pegadinha desta questão está em reconhecer que os ANCA são dirigidos contra antígenos de neutrófilos, e não contra outras células. As alternativas trazem alvos de outros autoanticorpos bem conhecidos: células parietais gástricas (anticorpos anti-célula parietal na gastrite atrófica), pneumócitos tipo II (não são alvo clássico de autoanticorpos em vasculites), plaquetas (anticorpos antiplaquetários na púrpura trombocitopênica imune) e células da junção neuromuscular (anticorpos anti-receptor de acetilcolina na miastenia gravis).

Autoanticorpo

Alvo celular

Doença associada

ANCA (anti-PR3/MPO)

Neutrófilos

Vasculites ANCA-associadas (GPA, PAM, GEPA)

Anti-célula parietal

Células parietais gástricas

Gastrite atrófica autoimune / anemia perniciosa

Antiplaquetário

Plaquetas

Púrpura trombocitopênica imune (PTI)

Anti-receptor de acetilcolina

Junção neuromuscular

Miastenia gravis

1Alvo: neutrófilos
Proteinase-3 (PR3)
Mieloperoxidase (MPO)
2Vasculites associadas
Granulomatose com poliangeíte
Poliangeíte microscópica
Granulomatose eosinofílica
3Órgãos acometidos
Vias aéreas superiores (úlceras nasais)
Pulmões (nódulos cavitados)
Rins (glomerulonefrite)
Pele (púrpura palpável)
ANCA (anticorpos anticitoplasma de neutrófilos)
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ANCA (anticorpos anticitoplasma de neutrófilos): Alvo: neutrófilos (Proteinase-3 (PR3), Mieloperoxidase (MPO)); Vasculites associadas (Granulomatose com poliangeíte, Poliangeíte microscópica, Granulomatose eosinofílica); Órgãos acometidos (Vias aéreas superiores (úlceras nasais), Pulmões (nódulos cavitados), Rins (glomerulonefrite), Pele (púrpura palpável))

Alternativa A — ❌ Incorreta

Os anticorpos contra células parietais gástricas são marcadores de gastrite atrófica autoimune e anemia perniciosa, não de vasculites. Eles atacam as células produtoras de ácido do estômago, levando à acloridria e deficiência de vitamina B12. Não há relação com o quadro de vasculite sistêmica apresentado.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Os pneumócitos tipo II são células do epitélio alveolar responsáveis pela produção de surfactante. Não são alvo de autoanticorpos em vasculites ANCA-associadas. Embora haja acometimento pulmonar na doença, o alvo imunológico são os neutrófilos, não as células epiteliais alveolares.

Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Os ANCA são autoanticorpos dirigidos contra antígenos presentes nos neutrófilos, principalmente a proteinase-3 (PR3) e a mieloperoxidase (MPO). Esses anticorpos são o marcador sorológico das vasculites ANCA-associadas (granulomatose com poliangeíte, poliangeíte microscópica e granulomatose eosinofílica com poliangeíte). O quadro clínico do paciente — vias aéreas superiores, pulmões, rins e pele — é a expressão clássica dessa vasculite de pequenos vasos.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os anticorpos antiplaquetários estão associados à púrpura trombocitopênica imune (PTI), doença em que há destruição periférica das plaquetas, causando trombocitopenia e manifestações hemorrágicas. Não há relação com vasculite sistêmica nem com os achados pulmonares e renais do caso.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os anticorpos contra a junção neuromuscular, especificamente contra o receptor de acetilcolina, são característicos da miastenia gravis, doença autoimune que causa fraqueza muscular flutuante. Não se relacionam com vasculites nem com o quadro clínico apresentado.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre os alvos de diferentes autoanticorpos. O candidato que decora que "ANCA = anticorpo anticitoplasma de neutrófilo" acerta; quem confunde com outros autoanticorpos (anti-célula parietal, antiplaquetário, anti-receptor de acetilcolina) erra. A chave é associar cada autoanticorpo ao seu alvo celular específico.

PEGA ESSA DICA!

Para questões de vasculites, monte um mapa mental: ANCA → neutrófilos → PR3/MPO → vasculite de pequenos vasos (GPA, PAM, GEPA). Lembre-se também dos outros autoanticorpos clássicos: anti-célula parietal (gastrite atrófica), antiplaquetário (PTI), anti-receptor de acetilcolina (miastenia gravis), anti-transglutaminase (doença celíaca), anti-mitocôndria (cirrose biliar primária).

Gabarito: letra C

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