Questão de Medicina — Distúrbios Nutricionais — FGV 2025
- Código
- fg114446
- Banca
- FGV
- Órgão
- HUEM
- Ano
- 2025
- Nível
- Superior
- Cargo
- Residência Médica - Prova Geral
- AA.
- BC.
- CD.
- DE.
- EK.
GabaritoD — E.
Gabarito: letra D. O quadro — parestesias, perda de propriocepção e sensibilidade vibratória, marcha atáxica, sinal de Romberg positivo e reflexos reduzidos — é uma neuropatia periférica com comprometimento das colunas posteriores da medula, e a associação com esteatorreia crônica aponta para deficiência de vitamina E (tocoferol), que é lipossolúvel e cuja absorção está prejudicada na má absorção de gorduras. A vitamina E é o antioxidante lipossolúvel cuja deficiência causa exatamente esse padrão neurológico.
A vitamina E (α-tocoferol) é um antioxidante lipossolúvel que protege as membranas celulares do estresse oxidativo. Sua absorção depende da digestão e absorção de gorduras, que ocorre no intestino delgado proximal com a ajuda dos sais biliares e das lipases pancreáticas. Quando há esteatorreia — fezes gordurosas, volumosas e mal cheirosas — isso indica que as gorduras não estão sendo absorvidas adequadamente, e com elas as vitaminas lipossolúveis A, D, E e K. A deficiência de vitamina E, em particular, manifesta-se tardiamente com neuropatia periférica e degeneração das colunas posteriores da medula espinhal, porque o sistema nervoso é particularmente vulnerável ao dano oxidativo.
O quadro clínico descrito é clássico: parestesias em mãos e pés (distribuição em luva e bota), perda da sensibilidade vibratória e proprioceptiva (funções das colunas posteriores), marcha de base alargada e sinal de Romberg positivo (ataxia sensitiva), reflexos reduzidos (arreflexia ou hiporreflexia). Isso é uma mielopatia + neuropatia periférica, que pode ser causada por deficiência de vitamina E, mas também por deficiência de vitamina B12. A diferença crucial aqui é a esteatorreia crônica, que aponta para má absorção de gorduras e, portanto, para uma vitamina lipossolúvel — a vitamina E. A vitamina B12 não é lipossolúvel e sua deficiência não causa esteatorreia.
Na prática, a deficiência de vitamina E é mais comum em crianças com colestase ou fibrose cística, mas em adultos pode ocorrer por doença celíaca, doença de Crohn, insuficiência pancreática, ou cirurgia bariátrica. O diagnóstico é clínico-laboratorial, com dosagem sérica de α-tocoferol, e o tratamento é a reposição oral ou parenteral da vitamina. A banca explora exatamente a confusão entre vitamina E e vitamina B12, pois ambas causam neuropatia com comprometimento de colunas posteriores, mas a esteatorreia é o dado que desempata para a vitamina lipossolúvel.
A pegadinha central é associar o quadro neurológico apenas à vitamina B12, esquecendo que a vitamina E também causa esse padrão e que a esteatorreia é a pista para uma vitamina lipossolúvel. Guarde a tríade: esteatorreia + neuropatia com ataxia = deficiência de vitamina E.
A vitamina A (retinol) é lipossolúvel e sua deficiência causa cegueira noturna, xeroftalmia e hiperqueratose folicular, além de maior suscetibilidade a infecções. Não causa neuropatia periférica com comprometimento de colunas posteriores. A esteatorreia poderia levar à deficiência de vitamina A, mas o quadro neurológico descrito não é compatível.
A vitamina C (ácido ascórbico) é hidrossolúvel e sua deficiência causa escorbuto, com sangramento gengival, hemorragias perifoliculares, má cicatrização e fadiga. Não causa neuropatia periférica nem ataxia. Além disso, por ser hidrossolúvel, sua absorção não é prejudicada pela esteatorreia.
A vitamina D (calciferol) é lipossolúvel e sua deficiência causa raquitismo em crianças e osteomalacia em adultos, com dor óssea, fraqueza muscular proximal e deformidades. Não causa neuropatia periférica com comprometimento de colunas posteriores. A fraqueza muscular descrita é discreta e difusa, não proximal e proeminente como na osteomalacia.
A vitamina E (α-tocoferol) é lipossolúvel e sua deficiência causa neuropatia periférica e degeneração das colunas posteriores da medula, manifestando-se com parestesias, perda de propriocepção e sensibilidade vibratória, ataxia, sinal de Romberg positivo e hiporreflexia. A esteatorreia crônica é a pista-chave: indica má absorção de gorduras, e com elas a vitamina E. Este é o quadro clássico de deficiência de vitamina E em adultos.
A vitamina K é lipossolúvel e sua deficiência causa distúrbios de coagulação, com sangramento fácil e equimoses. Não causa neuropatia periférica nem ataxia. Embora a esteatorreia possa levar à deficiência de vitamina K, o quadro neurológico descrito não é compatível.
A banca troca a vitamina E pela B12, pois ambas causam neuropatia com comprometimento de colunas posteriores. A diferença está na esteatorreia: a B12 não é lipossolúvel e não causa má absorção de gorduras. Quando o enunciado traz esteatorreia + neuropatia, a resposta é vitamina E.
Para diferenciar as deficiências de vitaminas lipossolúveis, lembre-se: A (cegueira noturna), D (raquitismo/osteomalacia), E (neuropatia/ataxia), K (sangramento). A esteatorreia afeta todas elas, mas o quadro neurológico com ataxia é exclusivo da vitamina E.
Gabarito: letra D
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