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Questão de Medicina — Nefrologia — FGV 2025

MedicinaNefrologia
Código
fg114449
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
A Síndrome de Lise Tumoral representa uma emergência metabólica potencialmente fatal no paciente oncológico, sendo classicamente associada a terapias que induzem rápida destruição celular.Sobre a Síndrome de Lise Tumoral, assinale a afirmativa correta.
  1. AA alcalinização urinária é uma medida preventiva amplamente recomendada para reduzir a deposição de cristais renais.
  2. BA rasburicase atua corrigindo distúrbios como hipocalcemia e hipermagnesemia, sendo indicada principalmente nesses contextos.
  3. CO tratamento inicial da Leucemia Linfoblástica Aguda e do Linfoma de Burkitt raramente leva à Síndrome de Lise Tumoral, sendo considerada uma complicação incomum.
  4. DA insuficiência renal aguda associada à Síndrome de Lise tumoral pode resultar dos efeitos combinados da hiperuricemia e da hiperfosfatemia sobre os rins.
  5. EHipercalcemia e hipocalemia fazem parte dos critérios diagnósticos laboratoriais obrigatórios da Síndrome de Lise Tumoral.
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GabaritoD — A insuficiência renal aguda associada à Síndrome de Lise tumoral pode resultar dos efeitos combinados da hiperuricemia e da hiperfosfatemia sobre os rins.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Síndrome de Lise Tumoral: fisiopatologia e manejo

Gabarito: letra D. A insuficiência renal aguda na Síndrome de Lise Tumoral (SLT) resulta da combinação de hiperuricemia e hiperfosfatemia, que levam à deposição de cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio nos túbulos renais, causando obstrução e lesão tubular. As demais alternativas apresentam erros conceituais: a alcalinização urinária não é mais recomendada rotineiramente, a rasburicase atua na hiperuricemia (não em hipocalcemia/hipermagnesemia), a SLT é complicação comum em LLA e Linfoma de Burkitt, e os critérios diagnósticos incluem hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipercalemia e hipocalcemia (não hipercalcemia/hipocalemia).

A Síndrome de Lise Tumoral é uma emergência oncológica metabólica que ocorre quando há destruição rápida e maciça de células tumorais, liberando seu conteúdo intracelular na corrente sanguínea. Esse conteúdo inclui principalmente potássio, fosfato e ácidos nucleicos. Os ácidos nucleicos são metabolizados em ácido úrico, enquanto o fosfato liberado pode se combinar com o cálcio, formando cristais de fosfato de cálcio. É essa liberação em massa que desencadeia os distúrbios hidroeletrolíticos característicos da síndrome.

A fisiopatologia da lesão renal na SLT é multifatorial e envolve três mecanismos principais. Primeiro, a hiperuricemia: o ácido úrico é pouco solúvel em meio ácido e, quando em excesso, precipita nos túbulos renais, especialmente nos túbulos distais e ductos coletores, causando obstrução mecânica e lesão tubular direta. Segundo, a hiperfosfatemia: o fosfato em excesso combina-se com o cálcio, formando cristais de fosfato de cálcio que também se depositam nos túbulos renais, agravando a obstrução. Terceiro, a hipovolemia e a acidose, que frequentemente acompanham o quadro, aumentam a precipitação desses cristais. A combinação desses fatores leva à insuficiência renal aguda, que pode ser oligúrica ou anúrica e é uma das complicações mais graves da SLT.

O diagnóstico da SLT baseia-se em critérios laboratoriais e clínicos. Os critérios laboratoriais incluem a presença de dois ou mais dos seguintes distúrbios: hiperuricemia (ácido úrico > 8 mg/dL ou aumento de 25% acima do valor basal), hiperfosfatemia (fósforo > 4,5 mg/dL em adultos), hipercalemia (potássio > 6 mEq/L) e hipocalcemia (cálcio < 7 mg/dL). A SLT clínica é definida quando, além dos distúrbios laboratoriais, há manifestações clínicas como insuficiência renal aguda, arritmias cardíacas, convulsões ou morte súbita. É importante notar que a hipercalcemia e a hipocalemia NÃO fazem parte dos critérios diagnósticos — na verdade, ocorre o oposto: hipocalcemia e hipercalemia.

O manejo da SLT envolve medidas preventivas e terapêuticas. A hidratação vigorosa com solução salina é a base do tratamento, pois aumenta o fluxo urinário e dilui os solutos, reduzindo a precipitação de cristais. O uso de diuréticos pode ser necessário para manter o débito urinário. Para a hiperuricemia, utiliza-se alopurinol (inibidor da xantina oxidase) ou rasburicase (urato oxidase recombinante), que converte o ácido úrico em alantoína, substância mais solúvel e facilmente excretada. A alcalinização urinária com bicarbonato de sódio, embora historicamente recomendada, caiu em desuso, pois pode aumentar a precipitação de fosfato de cálcio e não demonstrou benefício claro na prevenção da nefropatia por ácido úrico. A diálise pode ser necessária em casos de insuficiência renal grave, hipercalemia refratária ou hiperfosfatemia severa.

A SLT é particularmente comum em neoplasias hematológicas de alto grau, como a Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) e o Linfoma de Burkitt, devido à alta taxa de proliferação celular e à grande sensibilidade dessas células à quimioterapia. O tratamento inicial dessas doenças frequentemente induz lise tumoral maciça, tornando a SLT uma complicação esperada e não rara. Por isso, a profilaxia é rotineiramente realizada antes do início da quimioterapia em pacientes de alto risco.

A pegadinha central desta questão está na inversão dos distúrbios eletrolíticos e na confusão entre as medidas preventivas. A banca explora o conhecimento superficial do candidato, que pode lembrar que a SLT envolve "problemas de potássio e fósforo", mas não distingue corretamente quais são as alterações específicas. Além disso, a alcalinização urinária, que já foi amplamente recomendada, agora é vista com cautela, e muitos candidatos podem marcá-la como correta por ser um conhecimento antigo e difundido.

Guarde a tríade fisiopatológica da SLT: hiperuricemia + hiperfosfatemia + hipercalemia/hipocalcemia. É exatamente essa combinação que leva à insuficiência renal aguda e que as alternativas tentam distorcer.

Alternativa A — ❌ Incorreta

A alcalinização urinária NÃO é mais uma medida preventiva amplamente recomendada. Embora tenha sido usada no passado para aumentar a solubilidade do ácido úrico, estudos mostraram que a alcalinização pode aumentar a precipitação de cristais de fosfato de cálcio nos túbulos renais, agravando a lesão renal. A medida preventiva de primeira linha é a hidratação vigorosa com solução salina, que aumenta o fluxo urinário e dilui os solutos, sem os riscos da alcalinização.

Alternativa B — ❌ Incorreta

A rasburicase é uma urato oxidase recombinante que atua convertendo o ácido úrico em alantoína, uma substância mais solúvel e facilmente excretada pelos rins. Ela é indicada para o tratamento e prevenção da hiperuricemia na SLT, não para corrigir hipocalcemia ou hipermagnesemia. Esses distúrbios são manejados com outras medidas: a hipocalcemia geralmente é corrigida apenas se sintomática, e a hipermagnesemia não é um distúrbio típico da SLT (na verdade, pode ocorrer hipomagnesemia). A alternativa troca o mecanismo de ação e a indicação do fármaco.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A SLT é uma complicação COMUM e esperada no tratamento inicial da Leucemia Linfoblástica Aguda e do Linfoma de Burkitt. Essas neoplasias têm alta taxa de proliferação celular e são extremamente sensíveis à quimioterapia, o que leva a uma lise tumoral maciça e rápida liberação de conteúdo intracelular. Por isso, a profilaxia da SLT é rotineiramente realizada antes do início do tratamento nesses pacientes. A alternativa inverte completamente a realidade clínica.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A insuficiência renal aguda na SLT resulta da combinação de hiperuricemia e hiperfosfatemia. O ácido úrico, em excesso, precipita nos túbulos renais, especialmente em meio ácido, causando obstrução e lesão tubular. O fosfato, por sua vez, combina-se com o cálcio formando cristais de fosfato de cálcio que também se depositam nos túbulos, agravando a obstrução. A combinação desses dois fatores, juntamente com a hipovolemia e a acidose frequentemente presentes, leva à insuficiência renal aguda, uma das complicações mais graves da SLT.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Os critérios diagnósticos laboratoriais da SLT incluem hiperuricemia, hiperfosfatemia, hipercalemia e hipocalcemia. A alternativa inverte os distúrbios: afirma que hipercalcemia e hipocalemia fazem parte dos critérios, quando na verdade ocorre o oposto — hipocalcemia e hipercalemia. A hipercalcemia não é um distúrbio típico da SLT, e a hipocalemia também não; na verdade, a lise celular libera grandes quantidades de potássio, causando hipercalemia, e o fosfato liberado sequestra o cálcio, causando hipocalcemia.

A regra de ouro para a prova: na SLT, lembre-se sempre do par "hiper" (uricemia, fosfatemia, calemia) e do par "hipo" (calcemia). A lesão renal vem da obstrução tubular por cristais de ácido úrico e fosfato de cálcio — e é essa a base da alternativa correta.

Gabarito: letra D

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