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Questão de Medicina — Clínica Médica Humana — FGV 2025

MedicinaClínica Médica Humana
Código
fg114451
Banca
FGV
Órgão
HUEM
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Residência Médica - Prova Geral
A nefropatia por IgA é uma das formas mais comuns de glomerulonefrite no mundo. Pode ocorrer em qualquer faixa etária, mas apresenta maior incidência entre a segunda e a terceira décadas de vida. O achado característico é a demonstração, na imunofluorescência da biópsia renal, de depósitos de IgA na região mesangial.Em relação ao tema, avalie as afirmativas a seguir.I. A hematúria microscópica é característica da doença, sendo tipicamente dismórfica à sedimentoscopia.II. Episódios de hematúria macroscópica podem ocorrer em associação com infecções de vias aéreas superiores.III. A síndrome nefrótica constitui uma apresentação frequente da doença.Está correto o que se afirma em
  1. AI, II e III.
  2. BI e II, apenas.
  3. CII, apenas.
  4. DI e III, apenas.
  5. EI, apenas.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — I e II, apenas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Nefropatia por IgA: apresentações clínicas e diagnóstico

Gabarito: letra B — estão corretos os itens I e II. A nefropatia por IgA (doença de Berger) é a glomerulopatia primária mais comum no mundo e tem como marca a deposição mesangial de IgA na imunofluorescência; clinicamente, manifesta-se por hematúria — microscópica persistente ou macroscópica recorrente, frequentemente desencadeada por infecções de vias aéreas superiores (sinfaringite). A síndrome nefrótica, por sua vez, é uma apresentação incomum (ocorre em menos de 10% dos casos), o que torna o item III incorreto.

A nefropatia por IgA é uma glomerulonefrite mediada por imunocomplexos, caracterizada pela deposição predominante de IgA no mesângio glomerular. A doença afeta principalmente adultos jovens (segunda e terceira décadas) e apresenta espectro clínico amplo: desde hematúria microscópica assintomática, detectada em exame de urina de rotina, até episódios de hematúria macroscópica que frequentemente acompanham infecções respiratórias superiores — o chamado fenômeno de sinfaringite. Essa associação é tão característica que se tornou um dos pilares do reconhecimento clínico da doença.

A hematúria na nefropatia por IgA é tipicamente dismórfica à sedimentoscopia, ou seja, as hemácias apresentam deformidades morfológicas (acantócitos, células em forma de anel) que indicam origem glomerular. Esse achado, somado à presença de cilindros hemáticos, reforça o diagnóstico de glomerulopatia. A proteinúria também é comum, mas geralmente em grau leve a moderado; a síndrome nefrótica (proteinúria > 3,5 g/24h, hipoalbuminemia, edema) é rara, ocorrendo em menos de 10% dos casos, e quando presente levanta a suspeita de uma podocitopatia primária sobreposta, como a doença de lesões mínimas.

O diagnóstico definitivo é feito por biópsia renal, que demonstra na imunofluorescência a deposição mesangial de IgA, frequentemente acompanhada de C3. Na microscopia óptica, observa-se hipercelularidade mesangial; na microscopia eletrônica, depósitos elétron-densos mesangiais. A patogênese envolve moléculas de IgA1 deficientes em galactose (GD-IgA1) e autoanticorpos contra essas moléculas, formando imunocomplexos que se depositam no mesângio e ativam o complemento.

O prognóstico é variável: até 60% dos pacientes têm evolução benigna, com proteinúria inferior a 500 mg/24h e função renal preservada; porém, até 40% progridem para doença renal terminal em 10 a 25 anos. Os principais preditores de progressão são proteinúria acima de 1 g/24h, hipertensão arterial, crescentes na biópsia e comprometimento da função renal ao diagnóstico.

A pegadinha desta questão está na distinção entre o que é frequente e o que é raro na apresentação da doença: a hematúria (microscópica ou macroscópica) é a marca registrada, enquanto a síndrome nefrótica é exceção. Guarde essa fronteira: é exatamente nela que os itens se dividem.

Item I — ✅ Correto

A hematúria microscópica é, de fato, característica da nefropatia por IgA, e as hemácias dismórficas à sedimentoscopia confirmam a origem glomerular do sangramento. Esse é um dos achados mais típicos da doença, presente em grande parte dos pacientes, muitas vezes como única manifestação.

Item II — ✅ Correto

Episódios de hematúria macroscópica associados a infecções de vias aéreas superiores são clássicos da nefropatia por IgA — o fenômeno da sinfaringite. A hematúria costuma surgir 1 a 2 dias após o início da infecção (diferentemente da glomerulonefrite pós-estreptocócica, em que o intervalo é de 1 a 3 semanas), e esse timing é um dado clínico valioso.

Item III — ❌ Incorreto

A síndrome nefrótica é uma apresentação rara na nefropatia por IgA, ocorrendo em menos de 10% dos casos. Quando presente, deve-se investigar uma podocitopatia primária sobreposta (como doença de lesões mínimas). A banca explora aqui a confusão entre proteinúria (comum) e síndrome nefrótica (incomum).

NÃO CAIA NESSA!

A banca troca a frequência da proteinúria (comum) pela da síndrome nefrótica (rara). Na prova, desconfie de afirmativas que transformam uma manifestação rara em "frequente" ou "característica" — a nefropatia por IgA é a doença da hematúria, não da síndrome nefrótica.

PEGA ESSA DICA!

Para memorizar as apresentações da nefropatia por IgA, lembre do par: hematúria (microscópica ou macroscópica) = frequente; síndrome nefrótica = rara (<10%). Quando a questão falar em "apresentação frequente" ou "característica", associe sempre à hematúria.

Gabarito: letra B — corretos os itens I e II.

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