Questão de Direito Tributário — Tributos Municipais — FGV 2025
Direito Tributário›Tributos Municipais
Código
fg114914
Banca
FGV
Órgão
MPE-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto - Concurso XXXVIII
Uma força tarefa integrada pelo MPRJ realizou uma investigação acerca de atividades ilícitas realizadas por organizações criminosas na Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro.A investigação constatou a invasão de imóveis por grupos criminosos para a construção de edifícios residenciais, sem a aprovação urbanística do Município. Após a construção, o grupo criminoso alienou a posse das unidades para moradores de baixa renda. Integrante da força-tarefa, o Município resolveu realizar o lançamento do IPTU das unidades construídas.Nesse contexto, considerando os aspectos constitucionais, legais e jurisprudenciais atinentes ao IPTU, assinale a afirmativa que explicita como o Município deverá agir.
ARealizar o lançamento do IPTU, tendo como contribuinte o proprietário do imóvel junto ao Registro de Imóveis competente.
BRealizar o lançamento do IPTU, tendo como contribuinte o grupo criminoso invasor identificado pela força-tarefa.
CRealizar o lançamento do IPTU, considerando que o tributo não pode ser lançado como sanção de ato ilícito.
DRealizar o lançamento do IPTU, individualizando como contribuintes os compradores e possuidores atuais de cada unidade imobiliária existente.
ERealizar o lançamento do IPTU, considerando a ausência de aprovação urbanística pelo Município.
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GabaritoD — Realizar o lançamento do IPTU, individualizando como contribuintes os compradores e possuidores atuais de cada unidade imobiliária existente.
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IPTU - Fato Gerador e Sujeito Passivo
Gabarito: letra D. O IPTU tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse do imóvel (CTN, art. 32). No caso, os invasores alienaram a posse para compradores, que agora são possuidores. A jurisprudência do STJ (AgInt REsp 1.551.595) orienta que, quando o proprietário registral não detém a posse, o tributo deve ser lançado em nome dos ocupantes. Portanto, o Município deve individualizar os compradores atuais como contribuintes de cada unidade.
IPTU: sujeito passivo
1Regra geral (CTN, art. 34)
Proprietário
Titular do domínio útil
Possuidor a qualquer título
2Posse atual prevalece (STJ)
Proprietário registral sem posse
Não é contribuinte
Ocupante/possuidor atual
É contribuinte
3Fato gerador (CTN, art. 32)
Propriedade
Domínio útil
Posse
Não é sanção de ato ilícito
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Alternativa A — ❌ Incorreta
O proprietário registral não é necessariamente o contribuinte quando não exerce a posse. No caso, o imóvel foi invadido e a posse transferida, logo o lançamento em nome do proprietário do registro seria inadequado.
Alternativa B — ❌ Incorreta
O grupo criminoso invasor não é mais possuidor; alienou a posse. O IPTU incide sobre a posse atual, não sobre o invasor pretérito.
Alternativa C — ❌ Incorreta
De fato, o tributo não pode ser sanção de ato ilícito (CTN, art. 3). Todavia, o IPTU não está sendo usado como sanção: a incidência decorre da posse, independentemente da regularidade urbanística. A justificativa do item é verdadeira, mas a ação correta é a do item D.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Os compradores são os atuais possuidores de cada unidade. O CTN e a jurisprudência autorizam o lançamento do IPTU em nome do possuidor, individualizando cada unidade.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A ausência de aprovação urbanística não impede a cobrança do IPTU. O fato gerador é a posse/propriedade, independentemente de regularidade da construção.
PEGA ESSA DICA!
Em concursos, lembre-se de que o IPTU pode ser cobrado do possuidor a qualquer título (CTN, art. 34). A posse é elemento suficiente para a incidência, mesmo que precária ou decorrente de invasão.