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Questão de Direito Constitucional — Teoria dos Direitos Fundamentais — FGV 2025

Direito ConstitucionalTeoria dos Direitos Fundamentais
Código
fg114941
Banca
FGV
Órgão
MPE-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Promotor de Justiça Substituto - Concurso XXXVIII
Em excursão formada por um grupo de religiosos conhecidos pela denominação de Testemunhas de Jeová, houve um grave acidente envolvendo o veículo utilizado para o transporte coletivo, o que causou lesões corporais em todos os membros do referido grupo. Em razão dos ferimentos sofridos, foram levados inconscientes a um nosocômio para o atendimento de emergência. Na ocasião, foi constatado que todos deveriam receber transfusão sanguínea, de modo a assegurar a plena higidez dos seus sinais vitais.Pouco após a chegada das vítimas ao nosocômio, diversos familiares compareceram ao local e informaram aos médicos que a transfusão sanguínea não poderia ser realizada, considerando a religião professada por essas pessoas.Na situação descrita, é correto afirmar que
  1. Aainda que haja procedimento alternativo disponível em outra unidade do SUS, com viabilidade técnico-científica de sucesso, a transfusão pode ser realizada nas circunstâncias indicadas.
  2. Ba liberdade de consciência, enquanto projeção da liberdade individual, evidencia que o ser humano tem um valor que não pode ser negado, sob pena de ser objetificado, logo, a transfusão não pode ser realizada.
  3. Ca colisão entre direitos fundamentais deve ser contextualizada no mesmo plano temporal, de modo que somente os familiares das vítimas adolescentes podem externar sua vontade e vedar que a transfusão seja realizada.
  4. Da vida, enquanto alicerce de desenvolvimento dos demais direitos fundamentais, não pode ser preterida em prol de direitos que a pressupõem, logo, a transfusão sempre deve ser realizada, ainda que colida com a liberdade de consciência.
  5. Eem razão do direito fundamental ao livre exercício profissional, e do maior peso do direito à saúde, quando ponderado com a liberdade de consciência, os médicos podem realizar a transfusão, independente da religião professada por qualquer paciente.
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GabaritoA — ainda que haja procedimento alternativo disponível em outra unidade do SUS, com viabilidade técnico-científica de sucesso, a transfusão pode ser realizada nas circunstâncias indicadas.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Direitos fundamentais – Colisão entre liberdade religiosa e direito à vida em situação de emergência

Gabarito: letra A. No caso de paciente inconsciente que não manifestou sua vontade, o médico pode realizar transfusão de sangue para salvar a vida, mesmo que familiares se oponham por motivo religioso e ainda que exista procedimento alternativo disponível em outra unidade do SUS. O STF, nos Temas 952 e 1.069 (RE 979.742 e RE 1.212.272), reconhece o direito de recusa por motivos religiosos, mas exige manifestação inequívoca, livre e esclarecida do paciente. Ausente essa manifestação, prevalece o dever de preservar a vida, e a objeção familiar não vincula a equipe médica.

A questão testa a ponderação de direitos fundamentais em cenário de emergência, quando o paciente está impossibilitado de exercer sua autonomia. A liberdade de consciência e religião (art. 5º, VI e VIII, CF) cede diante do risco iminente de morte, pois a vida é pressuposto para o exercício de todos os demais direitos. O STF consolidou entendimento de que a recusa a transfusão por Testemunhas de Jeová exige decisão pessoal e atual; na ausência dela, o ato médico é legítimo.

Alternativa A – ✅ Correta ⟵ GABARITO

A assertiva está correta porque, em situação de emergência com paciente inconsciente, a transfusão é permitida independentemente da oposição familiar. A existência de procedimento alternativo em outra unidade do SUS não altera essa conclusão, pois a urgência e a impossibilidade de transferência imediata autorizam a medida. O STF, no Tema 1.069, condiciona o uso de alternativas à manifestação prévia do paciente; sem ela, a vida prevalece.

Alternativa B – ❌ Incorreta

Afirma que a transfusão não pode ser realizada por força da liberdade de consciência. Desconsidera que o paciente está inconsciente e não exerceu sua autonomia. A objeção dos familiares não substitui a vontade do paciente, e o direito à vida em perigo iminente legitima a intervenção médica.

Alternativa C – ❌ Incorreta

Limita a possibilidade de vedação aos familiares de vítimas adolescentes, o que não encontra amparo na jurisprudência. A idade da vítima não altera o núcleo do problema: todos os pacientes estão inconscientes. Além disso, a regra geral é que, mesmo para adolescentes, a recusa deve ser pessoal e informada, o que não ocorre no caso.

Alternativa D – ❌ Incorreta

Sustenta que a transfusão sempre deve ser realizada, ainda que colida com a liberdade de consciência. Essa afirmação é absoluta e ignora o direito do paciente capaz e consciente de recusar tratamento por motivos religiosos, conforme reconhecido pelo STF (Tema 952). A vida não é um valor absoluto quando o paciente, lúcido, opta por não se submeter a determinado procedimento.

Alternativa E – ❌ Incorreta

Invoca o livre exercício profissional e a ponderação do direito à saúde para justificar a transfusão independentemente da religião do paciente. Essa justificativa é ampla demais: se o paciente estivesse consciente e tivesse recusado, o médico não poderia impor o tratamento. A autonomia do paciente é limitadora do exercício profissional. A alternativa desconsidera a necessidade de respeito à vontade do paciente capaz.

PEGA ESSA DICA!

Em questões de colisão de direitos fundamentais, identifique se o paciente está em condições de manifestar sua vontade. Se sim, prevalece a autonomia; se não (inconsciente, emergência), o dever de salvar a vida é prioritário. A objeção de terceiros (familiares) não tem o mesmo peso que a vontade pessoal do paciente.

Gabarito: letra A.

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