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Questão de Direito Constitucional — Administração Pública – Disposições Gerais e Servidores Públicos — FGV 2025

Direito ConstitucionalAdministração Pública – Disposições Gerais e Servidores Públicos
Código
fg115041
Banca
FGV
Órgão
MPE-RJ
Ano
2025
Nível
Médio
Cargo
Técnico do Ministério Público – Área: Notificação e Atos Intimatórios
Após ampla mobilização dos servidores públicos do Estado Sigma, foi apresentado anteprojeto de lei, por meio da Comissão de Participação Legislativa da Assembleia Legislativa, estabelecendo regras para os servidores ocupantes de cargos de provimento efetivo. De acordo com essas regras, os servidores que sejam designados para cargos em comissão, ocupando-os por um período mínimo de oito anos, passam a receber os respectivos valores em caráter permanente, juntamente com a sua remuneração regular, mesmo após a cessação da designação.Após os trâmites devidos no âmbito da Casa Legislativa, a Comissão de Constituição e Justiça analisou a matéria e concluiu corretamente que
  1. Ao servidor possui a garantia da irredutibilidade de vencimentos, logo, a proposta é constitucional.
  2. Bo regime jurídico dos servidores de Sigma deve ser estatuído pela respectiva Assembleia Legislativa, logo, a proposta é constitucional.
  3. Ca proposta somente será constitucional caso o período de designação para o cargo em comissão seja contado em caráter contínuo.
  4. Da possibilidade prevista na proposta somente pode ser reconhecida em lei nacional editada pela União, não em lei editada por Sigma.
  5. Ea percepção da remuneração é justificada pelo vínculo funcional, sendo vedada a sua percepção após a cessação desse vínculo, logo, a proposta é inconstitucional.
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GabaritoE — a percepção da remuneração é justificada pelo vínculo funcional, sendo vedada a sua percepção após a cessação desse vínculo, logo, a proposta é inconstitucional.

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Servidores Públicos – Remuneração e Vínculo Funcional

Gabarito: letra E. A proposta de lei do Estado Sigma é inconstitucional porque a remuneração do cargo em comissão é devida apenas enquanto o servidor ocupa o cargo; cessada a designação, extingue-se o vínculo com essa função, não sendo possível manter o pagamento a título permanente. A Constituição Federal, ao tratar da remuneração dos servidores (art. 37, XV), consagra a irredutibilidade dos vencimentos, mas não permite a incorporação automática de vantagens sem o respectivo exercício funcional.

A questão exige compreender que a remuneração de cargo em comissão está vinculada ao efetivo exercício da função comissionada. A proposta cria uma vantagem permanente desvinculada do serviço prestado, o que afronta o princípio de que a retribuição pecuniária é contrapartida do trabalho realizado.

Instituto

Fundamento Constitucional

Vínculo com o Cargo

Percepção da Remuneração

Consequência da Cessação

Cargo Efetivo

Art. 37, I e II, CF

Permanente (após aprovação em concurso)

Devida enquanto houver exercício do cargo

Mantida a remuneração do cargo efetivo (irredutibilidade)

Cargo em Comissão

Art. 37, V, CF

Transitório (livre nomeação e exoneração)

Devida apenas durante a ocupação do cargo

Extingue-se o direito à remuneração do cargo comissionado

Proposta do Estado Sigma

Viola o art. 37, XV, CF

Pretende criar vínculo permanente após 8 anos

Permanente, mesmo após a cessação da designação

Inconstitucional, por desvincular a remuneração do exercício funcional

Alternativa A — ❌ Incorreta

A garantia constitucional da irredutibilidade de vencimentos (CF, art. 37, XV) protege o valor nominal da remuneração do cargo efetivo do servidor, não autorizando a percepção de valores de cargo em comissão após o fim da designação. A proposta não se sustenta nesse dispositivo.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Embora os estados-membros possam legislar sobre o regime jurídico de seus servidores (art. 24, XVI, c/c art. 25, CF), essa competência não legitima normas que violem princípios constitucionais. A proposta é materialmente inconstitucional, independentemente da origem legislativa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

A exigência de continuidade do período de designação (8 anos contínuos) não sana a inconstitucionalidade. A permanência no cargo comissionado não pode gerar direito a receber sua remuneração após o fim do vínculo funcional.

Alternativa D — ❌ Incorreta

A União não tem competência para legislar sobre servidores estaduais (regra geral). A competência é concorrente (art. 24, XVI, CF) cabendo à União normas gerais e aos estados normas específicas. Mas, ainda que a lei fosse nacional, o conteúdo continuaria inconstitucional.

Alternativa E — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A percepção da remuneração está atrelada ao exercício do cargo. Cessada a designação para o cargo em comissão, o vínculo funcional com aquela função se extingue, e o pagamento correspondente não pode subsistir. A proposta, ao prever o pagamento permanente, viola o regime constitucional de retribuição por trabalho efetivo.

Gabarito: letra E.

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