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Leia o trecho a seguir, de Sêneca.A companhia da multidão é nociva: há sempre alguém que nos ensina a gostar de um vício, ou que, sem que percebamos, transmite-nos esse vício por completo ou em parte. Quanto mais numerosas forem as pessoas com as quais vivemos, maior é o perigo.Com base na leitura, indique a afirmativa correta sobre sua significação ou estruturação.
AA frase inicial do texto é contraditada pela explicação dada em seguida.
BA presença dos dois-pontos mostra sempre que a frase seguinte expressa uma opinião do enunciador da frase.
CO emprego do pronome indefinido “alguém” indica que a pessoa referida pode representar perigo aos outros.
DAs duas primeiras ocorrências do pronome relativo “que” mostram o mesmo referente.
EA forma verbal “transmite-nos” mostra um erro na colocação de pronome oblíquo.
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GabaritoD — As duas primeiras ocorrências do pronome relativo “que” mostram o mesmo referente.
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Análise da estrutura e significação do texto de Sêneca
Gabarito: letra D. A afirmativa correta é a que trata do referente dos pronomes relativos "que": ambos retomam o mesmo antecedente "alguém". As demais alternativas ou contêm generalizações indevidas ou interpretações equivocadas.
Comando da questão
A questão pede a afirmativa correta "sobre sua significação ou estruturação". A alternativa D foca na estruturação (coesão referencial), enquanto as demais misturam significação e aspectos normativos.
Alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
"A frase inicial do texto é contraditada pela explicação dada em seguida." Na verdade, a explicação reforça a ideia inicial de que a companhia da multidão é nociva, detalhando como isso ocorre (alguém ensina um vício). Não há contradição, e sim desenvolvimento.
Alternativa B — ❌ Incorreta
"A presença dos dois-pontos mostra sempre que a frase seguinte expressa uma opinião do enunciador da frase." A palavra "sempre" torna a afirmação falsa. Os dois-pontos podem introduzir explicação, enumeração, citação, etc.; no trecho, introduzem uma explicação (não necessariamente uma opinião). A banca generaliza indevidamente a função do sinal.
Alternativa C — ❌ Incorreta (conforme gabarito oficial)
"O emprego do pronome indefinido “alguém” indica que a pessoa referida pode representar perigo aos outros." Embora o texto associe "alguém" ao ensino de vícios, o pronome por si só não "indica" perigo — é o contexto que constrói essa possibilidade. A alternativa extrai uma conclusão que não está diretamente na estrutura do pronome. A banca considera essa interpretação menos precisa que a questão estrutural da letra D.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
"As duas primeiras ocorrências do pronome relativo “que” mostram o mesmo referente." Vejamos o trecho:
"há sempre alguém que nos ensina a gostar de um vício, ou que, sem que percebamos, transmite-nos esse vício"
Ambos os "que" retomam o antecedente "alguém". O primeiro "que" é sujeito de "ensina"; o segundo, também sujeito de "transmite". Trata-se de uma estrutura coesa, com dois relativos referindo-se ao mesmo termo. ✅
Alternativa E — ❌ Incorreta
"A forma verbal “transmite-nos” mostra um erro na colocação de pronome oblíquo." Em português brasileiro, a ênclise ("transmite-nos") é menos comum na norma culta contemporânea, mas não é considerada erro – especialmente em textos clássicos ou formais. A próclise ("nos transmite") seria mais usual, mas ambas são aceitas. Portanto, não há erro.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente um aspecto estrutural do trecho é a D, confirmando que os dois pronomes relativos "que" possuem o mesmo referente ("alguém"). As demais contêm contradição (A), generalização (B), extrapolação (C) ou afirmação normativa infundada (E).
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.