Considere as teorias clássicas e neoclássicas do comércio internacional. A teoria ricardiana do custo comparativo e o modelo Heckscher-Ohlin (H-O) oferecem explicações distintas para os padrões de comércio entre países.Com base nessas teorias, assinale a afirmativa correta.
ANo modelo de Ricardo, o comércio é impulsionado pelas dotações relativas de fatores de produção, enquanto no modelo H-O, o motor do comércio são as diferenças tecnológicas.
BO modelo de H-O prevê que países exportarão bens cuja produção utilize intensivamente os fatores de produção que são relativamente escassos.
CO Teorema de Stolper-Samuelson, derivado do modelo H-O, afirma que o comércio internacional beneficia igualmente todos os fatores de produção em um país.
DO modelo ricardiano de custos comparativos mostra que mesmo um país absolutamente menos produtivo em todos os setores pode se beneficiar do comércio.
EA crítica de Leontief ao modelo H-O mostrou empiricamente que os Estados Unidos, país capital-abundante, exportavam principalmente bens intensivos em trabalho, confirmando as previsões desse modelo.
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GabaritoD — O modelo ricardiano de custos comparativos mostra que mesmo um país absolutamente menos produtivo em todos os setores pode se beneficiar do comércio.
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Teorias do Comércio Internacional
Gabarito: letra D. O modelo ricardiano de custos comparativos demonstra que, mesmo que um país seja absolutamente menos produtivo em todos os setores, ele ainda pode se beneficiar do comércio ao especializar-se no bem em que possui menor desvantagem absoluta (vantagem comparativa). As demais alternativas invertem os determinantes das teorias ou apresentam conclusões incorretas.
A questão cobra a distinção entre as duas principais teorias clássicas/neoclássicas do comércio: a ricardiana (baseada em diferenças tecnológicas) e a de Heckscher-Ohlin (baseada em dotações de fatores). Além disso, exige conhecimento do Teorema de Stolper-Samuelson e do Paradoxo de Leontief.
Teoria
Motor do comércio
Base
Previsão principal
Ricardiana (custo comparativo)
Diferenças tecnológicas (produtividade do trabalho)
Vantagem comparativa (custo de oportunidade)
País menos produtivo em todos os setores ainda se beneficia do comércio
Heckscher-Ohlin (H-O)
Dotações relativas de fatores (trabalho, capital)
Abundância/escassez de fatores
País exporta bens que usam intensivamente seu fator abundante
Alternativa A — ❌ Incorreta
Troca os motores do comércio: no modelo de Ricardo, o comércio é impulsionado por diferenças tecnológicas (produtividade relativa do trabalho), e não por dotações de fatores. Já no modelo H-O, o motor são as dotações relativas de fatores, e não as diferenças tecnológicas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Afirma que, no modelo H-O, os países exportam bens que utilizam intensivamente os fatores escassos. O correto é o oposto: o modelo prevê que os países exportam bens cuja produção utiliza intensivamente os fatores abundantes.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O Teorema de Stolper-Samuelson, derivado do modelo H-O, afirma que o comércio internacional beneficia o fator abundante e prejudica o fator escasso, não que beneficia igualmente todos os fatores. A distribuição dos ganhos não é uniforme.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exato. A teoria ricardiana mostra que o comércio é mutuamente benéfico mesmo quando um país é absolutamente inferior em produtividade em todos os bens. O que importa é o custo de oportunidade (vantagem comparativa), não a vantagem absoluta.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O Paradoxo de Leontief (1953) revelou que os Estados Unidos, país capital-abundante, exportavam bens intensivos em trabalho e importavam bens intensivos em capital, contradizendo as previsões do modelo H-O. Portanto, não confirmou o modelo; ao contrário, levantou questionamentos empíricos.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora inversões clássicas: (A) troca tecnologia/dotação; (B) troca abundante/escasso; (C) afirma que todos ganham; (E) trata o paradoxo como confirmação. A alternativa D é a única que reflete corretamente a essência do modelo ricardiano.