Questão de Biomedicina - Análises Clínicas — Estudo das Anemias — FGV 2025
Biomedicina - Análises Clínicas›Estudo das Anemias
Código
fg117600
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Canaã dos Carajás - PA
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Biomédico
Sobre a doença falciforme, uma hemoglobinopatia de característica autossômica recessiva, na qual há uma alteração na estrutura da hemoglobina (Hb) desencadeada por uma mutação no gene da β globina da hemácia, assinale a afirmativa correta.
AA anemia falciforme é causada pela herança de codominância dos genes para hemoglobina (Hb) S.
BOs portadores do traço falciforme (mantém o predomínio de Hb A1) e não requerem aconselhamento quanto a essa condição.
CTem maior frequência nos povos de origem africana, mas pela miscigenação encontrada no Brasil não pode mais ser considerada uma doença exclusiva da população negra.
DAs hemácias que contém a hemoglobina (Hb) S não sofrem nenhuma deformação e a oxigenação está reduzida (hemácias em forma de foice), o que permite o fluxo sanguíneo na microcirculação de forma normal.
EComo condição autossômica recessiva, é necessário que a herança falciforme seja herdada de ambos os pais. Nos casos de herança de somente um deles, os pacientes manifestam a doença propriamente dita.
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GabaritoC — Tem maior frequência nos povos de origem africana, mas pela miscigenação encontrada no Brasil não pode mais ser considerada uma doença exclusiva da população negra.
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Doença falciforme: genética, epidemiologia e fisiopatologia
Gabarito: letra C. A doença falciforme tem maior frequência em populações de origem africana, mas, no Brasil, devido à intensa miscigenação, não pode mais ser considerada exclusiva da população negra. As demais alternativas apresentam erros conceituais sobre herança genética, traço falciforme e fisiopatologia da hemácia em foice.
A doença falciforme é uma hemoglobinopatia hereditária de caráter autossômico recessivo, causada por uma mutação pontual no gene da β-globina (cromossomo 11), na qual ocorre a substituição do ácido glutâmico pela valina na posição 6 da cadeia beta. Essa alteração dá origem à hemoglobina S (HbS), que, quando desoxigenada, polimeriza e deforma a hemácia, assumindo formato de foice (drepanócito). Essas células rígidas e sem elasticidade obstruem a microcirculação, causando crises vaso-oclusivas, isquemia, infarto tecidual e hemólise crônica.
A herança genética é o ponto central para entender a doença. O indivíduo homozigoto (SS) herda o gene mutado de ambos os pais e manifesta a anemia falciforme propriamente dita. O heterozigoto (AS), que herda o gene de apenas um dos pais, apresenta o traço falciforme, condição geralmente assintomática, com predomínio de HbA sobre HbS, e não desenvolve crises vaso-oclusivas. É importante destacar que o traço falciforme não é uma forma branda da doença, mas uma condição distinta, que requer aconselhamento genético, especialmente para casais que planejam ter filhos.
A epidemiologia da doença está historicamente ligada à África, região onde a mutação conferiu vantagem seletiva contra a malária. Com o tráfico de escravizados e a diáspora africana, o gene se espalhou pelas Américas. No Brasil, a intensa miscigenação entre africanos, europeus e indígenas fez com que a doença e o traço falciforme estejam presentes em todas as regiões e em pessoas de diversas origens étnicas, não sendo mais possível associá-la exclusivamente à população negra.
A fisiopatologia da falcização é desencadeada por fatores como hipóxia, acidose e desidratação, que favorecem a polimerização da HbS. A hemácia falcizada é rígida, perde a elasticidade e não consegue fluir normalmente pela microcirculação, causando obstrução vascular. Esse é exatamente o oposto do que afirma a alternativa D, que inverte completamente o mecanismo fisiopatológico.
A distinção entre anemia falciforme (SS) e traço falciforme (AS) é o critério que separa as alternativas corretas das incorretas nesta questão. A alternativa C aborda corretamente a epidemiologia, enquanto as demais erram ao confundir herança, manifestação clínica e fisiopatologia.
Necessário (risco de transmissão aos descendentes)
Doença falciforme
1Genética (autossômica recessiva)
SS (homozigoto) → anemia falciforme
AS (heterozigoto) → traço falciforme
AA (normal)
2Fisiopatologia
HbS desoxigenada → polimerização
Hemácia em foice → obstrução microcirculação
3Epidemiologia
Origem africana (vantagem contra malária)
Brasil: miscigenação → não exclusiva de negros
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Alternativa A — ❌ Incorreta
A anemia falciforme é causada pela herança de dois genes mutados (homozigose SS), um de cada genitor, e não por codominância. A codominância é um padrão de herança em que ambos os alelos se expressam igualmente no fenótipo, como ocorre no sistema ABO. Na doença falciforme, o padrão é autossômico recessivo, ou seja, a doença só se manifesta quando o indivíduo é homozigoto para o gene da HbS. O heterozigoto (AS) expressa tanto HbA quanto HbS, mas não manifesta a doença, caracterizando o traço falciforme.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Os portadores do traço falciforme (AS) apresentam predomínio de HbA sobre HbS, mas requerem sim aconselhamento genético. Embora sejam geralmente assintomáticos, o aconselhamento é fundamental para informar sobre o risco de transmissão do gene aos descendentes. Se ambos os pais forem portadores do traço (AS × AS), há 25% de chance de o filho nascer com anemia falciforme (SS), 50% de chance de ser portador do traço (AS) e 25% de chance de ser normal (AA). O aconselhamento genético é uma medida preventiva essencial.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A doença falciforme tem maior frequência em populações de origem africana, fato historicamente explicado pela vantagem seletiva do traço falciforme contra a malária. No Brasil, a intensa miscigenação entre africanos, europeus e indígenas fez com que o gene da HbS estivesse presente em pessoas de diversas origens étnicas. Portanto, não pode mais ser considerada uma doença exclusiva da população negra. Essa é a única alternativa que apresenta uma afirmação correta e completa sobre a doença.
Alternativa D — ❌ Incorreta
A alternativa inverte completamente a fisiopatologia da doença. As hemácias que contêm HbS, quando desoxigenadas, sofrem deformação e assumem formato de foice (drepanócitos). Essas células são rígidas, sem elasticidade, e obstruem a microcirculação, impedindo o fluxo sanguíneo normal. A oxigenação está reduzida justamente por causa da obstrução vascular e da hemólise. A alternativa afirma exatamente o oposto: que as hemácias não sofrem deformação e que o fluxo sanguíneo é normal.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A alternativa está correta na primeira parte, mas erra na segunda. Como condição autossômica recessiva, é necessário que o gene mutado seja herdado de ambos os pais para que a doença se manifeste (homozigose SS). No entanto, quando o gene é herdado de apenas um dos pais, o indivíduo é heterozigoto (AS) e apresenta o traço falciforme, que é uma condição assintomática, e não a doença propriamente dita. A alternativa erra ao afirmar que a herança de um único gene resulta na manifestação da doença.
NÃO CAIA NESSA!
A banca explora a confusão entre anemia falciforme (SS) e traço falciforme (AS). Na alternativa E, por exemplo, o candidato pode ser induzido a acreditar que herdar o gene de um dos pais já causa a doença, quando na verdade isso resulta apenas no traço, que é assintomático. Lembre-se: doença = homozigose (SS); traço = heterozigose (AS).