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Questão de Estatística — Processos estocásticos — FGV 2025

EstatísticaProcessos estocásticos
Código
fg118923
Banca
FGV
Órgão
Prefeitura de Rio de Janeiro - RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Gestor de Segurança Municipal
Os algoritmos de Monte Carlo via Cadeias de Markov (MCMC) são amplamente utilizados na modelagem bayesiana com o objetivo de obter amostras da distribuição a posteriori das quantidades de interesse. Dois exemplos de algoritmos nesta classe são os chamados Gibbs Sampling e Metropolis-Hastings.Sobre estes algoritmos,é correto afirmar que
  1. Ao Metropolis-Hastings exige amostragem exata de cada parâmetro, enquanto o Gibbs é baseado em aceitação/rejeição de propostas.
  2. Bo amostrador de Gibbs é utilizado quando as distribuições condicionais completas são conhecidas e é possível obter amostras das mesmas a cada iteração.
  3. Co algoritmo de Metropolis-Hastings gera amostras independentes entre si.
  4. Dos algoritmos Gibbs Sampling e Metropolis-Hastings não podem ser usados em conjunto.
  5. Eo algoritmo Gibbs Sampling gera amostras independentes entre si.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — o amostrador de Gibbs é utilizado quando as distribuições condicionais completas são conhecidas e é possível obter amostras das mesmas a cada iteração.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Algoritmos MCMC: Gibbs Sampling e Metropolis-Hastings

Gabarito: letra B. O amostrador de Gibbs é corretamente descrito como o algoritmo utilizado quando as distribuições condicionais completas são conhecidas e amostráveis a cada iteração — essa é a definição canônica do método. As demais alternativas invertem as características dos dois algoritmos ou atribuem propriedades que nenhum deles possui.

Os algoritmos de Monte Carlo via Cadeias de Markov (MCMC) são ferramentas centrais na inferência bayesiana, usados para gerar amostras da distribuição a posteriori quando esta não pode ser obtida analiticamente. A ideia fundamental é construir uma cadeia de Markov cuja distribuição estacionária seja exatamente a distribuição alvo (a posteriori). Dois dos algoritmos mais conhecidos dessa classe são o Gibbs Sampling e o Metropolis-Hastings.

Gibbs Sampling é um caso especial de MCMC que amostra cada parâmetro (ou bloco de parâmetros) diretamente de sua distribuição condicional completa, dado os valores atuais dos demais parâmetros. Para que seja aplicável, é necessário que essas condicionais completas sejam conhecidas e fáceis de amostrar. A cada iteração, o algoritmo percorre todos os parâmetros, atualizando um por vez, e as amostras geradas formam uma cadeia de Markov que converge para a distribuição conjunta alvo.

Metropolis-Hastings é um algoritmo mais geral, que não exige o conhecimento das condicionais completas. Ele funciona por um mecanismo de proposta e aceitação/rejeição: a partir do estado atual, propõe-se um novo valor segundo uma distribuição de proposta; esse valor é aceito com uma probabilidade que depende da razão entre as densidades da distribuição alvo nos dois pontos (e da assimetria da proposta). Se rejeitado, o estado permanece o mesmo. Isso permite amostrar de distribuições complexas, mesmo quando a constante de normalização é desconhecida.

A relação entre os dois é que o Gibbs pode ser visto como um caso particular do Metropolis-Hastings, em que a proposta é sempre aceita (probabilidade de aceitação igual a 1). Ambos geram amostras correlacionadas (não independentes), pois cada nova amostra depende do estado anterior da cadeia. Além disso, eles podem ser combinados em um mesmo procedimento (por exemplo, usar Gibbs para alguns parâmetros e Metropolis-Hastings para outros), o que é comum em modelos hierárquicos complexos.

A pegadinha central da questão é a inversão das propriedades: a banca troca o mecanismo de aceitação/rejeição (que é do Metropolis-Hastings) com a amostragem direta das condicionais (que é do Gibbs), e ainda atribui independência às amostras, quando na verdade são dependentes.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Inverte as características dos dois algoritmos. O Metropolis-Hastings é que se baseia em aceitação/rejeição de propostas, e não exige amostragem exata de cada parâmetro. Já o Gibbs amostra diretamente das condicionais completas, sem etapa de aceitação/rejeição. A alternativa troca os papéis.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Descreve com precisão o amostrador de Gibbs: ele é utilizado quando as distribuições condicionais completas são conhecidas e é possível obter amostras delas a cada iteração. Essa é a definição clássica do método, que amostra cada parâmetro da sua condicional completa dado o valor atual dos demais.

Alternativa C — ❌ Incorreta

O Metropolis-Hastings não gera amostras independentes. Pelo contrário, as amostras formam uma cadeia de Markov, em que cada valor depende do anterior (correlação serial). A independência não é uma propriedade dos métodos MCMC; eles produzem amostras dependentes, embora a cadeia convirja para a distribuição alvo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Os dois algoritmos podem ser usados em conjunto. É comum em modelos bayesianos complexos combinar Gibbs para parâmetros com condicionais conhecidas e Metropolis-Hastings para aqueles sem forma fechada. Essa combinação é uma prática estabelecida e não há qualquer restrição que os torne mutuamente exclusivos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Assim como na alternativa C, o Gibbs Sampling não gera amostras independentes. As amostras são correlacionadas, pois cada iteração depende do estado anterior. A dependência é inerente aos métodos MCMC, e é justamente por isso que se costuma descartar um período de aquecimento (burn-in) e, às vezes, usar thinning para reduzir a correlação.

NÃO CAIA NESSA!

A banca inverte as propriedades dos dois algoritmos: coloca a aceitação/rejeição no Gibbs (quando é do Metropolis-Hastings) e a amostragem exata no Metropolis-Hastings (quando é do Gibbs). Além disso, atribui independência às amostras, quando na verdade são dependentes. Fique atento: Gibbs = amostragem direta das condicionais; Metropolis-Hastings = proposta + aceitação/rejeição. Com esse mapa mental, você não cai nessas trocas.

PEGA ESSA DICA!

Para fixar, monte uma tabela mental comparando os dois algoritmos:

Critério

Gibbs Sampling

Metropolis-Hastings

Mecanismo

Amostragem direta das condicionais completas

Proposta + aceitação/rejeição

Exige condicionais conhecidas?

Sim

Não

Amostras independentes?

Não

Não

Caso particular?

É um caso especial do MH (aceitação = 1)

Algoritmo geral

Gabarito: letra B.

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