Questão de Economia — Economia do Setor Público — FGV 2025
Economia›Economia do Setor Público
Código
fg120723
Banca
FGV
Órgão
SEFAZ-PR
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Auditor Fiscal (Tarde)
Em uma economia fechada, o governo apresenta déficit orçamentário persistente, a relação dívida/PIB está crescendo ao longo do tempo e a taxa real de crescimento da economia é menor que a taxa real de juros da dívida pública.Supondo que os gastos públicos e a carga tributária permaneçam constantes como proporção do PIB, assinale a afirmativa correta.
AA estabilização da relação dívida/PIB pode ser alcançada sem superávit primário, desde que o governo reduza a taxa nominal de juros.
BA relação dívida/PIB, mesmo com déficit primário, pode se estabilizar, se o crescimento do PIB nominal for maior que a taxa nominal de juros, independentemente da diferença entre taxa real de juros e crescimento real.
CA condição de sustentabilidade da dívida exige superávits primários contínuos, dado que a taxa real de juros excede o crescimento real do PIB.
DA dívida pública se tornará insustentável apenas se a taxa de inflação for inferior à taxa de crescimento do PIB real.
EA manutenção de déficit nominal constante implica redução da relação dívida/PIB no longo prazo, independentemente da diferença entre as taxas de crescimento e de juros.
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GabaritoC — A condição de sustentabilidade da dívida exige superávits primários contínuos, dado que a taxa real de juros excede o crescimento real do PIB.
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Sustentabilidade da Dívida Pública
Gabarito: letra C. Quando a taxa real de juros (r) supera a taxa real de crescimento do PIB (g), a sustentabilidade da dívida pública exige superávits primários contínuos. Essa é a condição derivada da equação dinâmica da dívida: Δ(d/Y) = (r - g)*(d/Y) - superávit primário/Y. Com r > g, apenas superávit primário pode estabilizar ou reduzir a relação dívida/PIB.
A questão descreve exatamente esse cenário: déficit orçamentário persistente, relação dívida/PIB crescendo e r > g. Gastos e carga tributária constantes como proporção do PIB implicam que o resultado primário (receitas menos despesas não financeiras) é fixo em proporção do PIB. Para reverter a trajetória crescente da dívida, é necessário gerar superávits primários.
Condição
Exigência para Sustentabilidade da Dívida
Relação com r > g
r > g (taxa real de juros > crescimento real do PIB)
Superávits primários contínuos
Necessário para estabilizar ou reduzir dívida/PIB
r = g
Dívida/PIB estabiliza com déficit primário zero
Neutro
r < g
Possível déficit primário sem aumentar dívida/PIB
Permite folga fiscal
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que a estabilização pode ser alcançada sem superávit primário, desde que o governo reduza a taxa nominal de juros. A redução da taxa nominal de juros pode diminuir a taxa real de juros (se a inflação não se ajustar), mas se r continuar maior que g, ainda será necessário superávit primário para estabilizar a dívida. Além disso, o governo não controla diretamente a taxa de juros – depende da política monetária – e a condição fundamental é a diferença entre r e g, não apenas a taxa nominal.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que mesmo com déficit primário, a relação dívida/PIB pode se estabilizar se o crescimento nominal do PIB for maior que a taxa nominal de juros, independentemente da diferença entre r e g. Na verdade, a condição em termos nominais equivale a: Δ(d/Y) ≈ (i - π - g_real)(d/Y) - superávit primário/Y = (r - g_real)(d/Y) - superávit primário/Y. Portanto, a afirmação de independência é falsa: a diferença entre taxa nominal de juros e crescimento nominal é exatamente (r - g_real). Se r > g_real, então i > π + g_real, e a condição nominal não permite estabilização com déficit primário. Além disso, o enunciado afirma que r > g_real, invalidando a hipótese da alternativa.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Exatamente a condição clássica de sustentabilidade: quando a taxa real de juros excede o crescimento real do PIB, são necessários superávits primários contínuos para estabilizar ou reduzir a relação dívida/PIB. A equação Δ(d/Y) = (r - g)*(d/Y) - superávit primário/Y mostra que, com r > g, apenas um superávit primário positivo pode tornar Δ(d/Y) ≤ 0. É a resposta correta.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que a dívida se tornará insustentável apenas se a inflação for inferior ao crescimento real do PIB. A insustentabilidade depende da relação entre taxa real de juros e crescimento real, não diretamente da inflação. Inflação baixa pode estar associada tanto a r > g (insustentável) quanto a r < g (sustentável). A condição é mais ampla e não se resume a essa comparação.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Diz que a manutenção de déficit nominal constante (em proporção do PIB?) implica redução da relação dívida/PIB no longo prazo, independentemente da diferença entre crescimento e juros. Isso é falso: se r > g, um déficit nominal constante (que inclui juros) pode levar a um crescimento explosivo da dívida. A trajetória da dívida depende crucialmente da diferença entre juros e crescimento.
PEGA ESSA DICA!
Decore a equação dinâmica da dívida: Δ(d/Y) = (r - g) * (d/Y) - superávit primário/Y. Com r > g, superávit primário é necessário para estabilizar. Essa fórmula é recorrente em questões de sustentabilidade fiscal. Compare sempre as taxas reais.