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Questão de Direito Constitucional — Constituições Estaduais — FGV 2025

Direito ConstitucionalConstituições Estaduais
Código
fg122450
Banca
FGV
Órgão
TJ-ES
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Atividade Notarial e de Registro - Ingresso por Remoção
Após amplos debates e a aprovação no âmbito da Assembleia Legislativa do Estado Alfa, contando ainda com a sanção do governador do Estado, foi publicado determinado diploma normativo outorgando à Defensoria Pública estadual o poder de requisitar a instauração de inquérito policial. Como a Constituição Estadual não dispunha sobre as competências legislativas desse ente federativo, um legitimado à deflagração do controle concentrado de constitucionalidade perante o Tribunal de Justiça do Estado Alfa (TJEA) consultou sua assessoria em relação à conformidade desse diploma normativo com a Constituição da República e, em caso negativo, quanto à possibilidade de ser submetido ao controle concentrado de constitucionalidade perante o referido Tribunal.A assessoria respondeu corretamente que o diploma normativo:
  1. Adeve ser considerado constitucional caso tenha a forma de lei complementar;
  2. Bfoi editado no exercício da competência concorrente de Alfa para legislar sobre procedimento;
  3. Cafronta a competência legislativa privativa da União, mas não pode ser submetido ao controle concentrado de constitucionalidade perante o TJEA;
  4. Ddeve ser considerado inconstitucional, ressalvada a existência de lei complementar da União autorizando a sua edição, podendo ser submetido ao controle concentrado de constitucionalidade perante o TJEA;
  5. Edeve ser considerado constitucional por se tratar de matéria tipicamente administrativa, envolvendo instituições estaduais, refletindo o exercício da competência legislativa residual de Alfa.
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GabaritoD — deve ser considerado inconstitucional, ressalvada a existência de lei complementar da União autorizando a sua edição, podendo ser submetido ao controle concentrado de constitucionalidade perante o TJEA;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Controle de Constitucionalidade Estadual: Competência Legislativa e a Defensoria Pública

Gabarito: letra D. O diploma normativo estadual que confere à Defensoria Pública o poder de requisitar inquérito policial é inconstitucional, pois invade a competência privativa da União para legislar sobre direito processual (CF, art. 22, I), salvo se houver lei complementar federal autorizando a edição (CF, art. 22, parágrafo único). Apesar de a Constituição Estadual ser omissa sobre o tema, o Tribunal de Justiça pode exercer o controle concentrado de constitucionalidade, uma vez que a norma federal violada é considerada de repetição obrigatória nas Constituições Estaduais, conforme jurisprudência consolidada do STF.

A questão exige o conhecimento de dois pilares: (a) a repartição constitucional de competências legislativas entre União e Estados, e (b) a possibilidade de controle concentrado no âmbito do Tribunal de Justiça estadual mesmo quando a norma violada não está expressa na Constituição Estadual, desde que seja de repetição obrigatória.

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que o diploma seria constitucional se tivesse a forma de lei complementar. A forma não sana o vício de competência. A matéria (poder de requisitar inquérito policial) insere-se no campo do direito processual penal, de competência privativa da União (CF, art. 22, I). O Estado só pode legislar sobre essa matéria se houver lei complementar federal autorizadora (CF, art. 22, parágrafo único). A forma de lei complementar estadual, por si só, não transfere a competência.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Alega que o diploma foi editado no exercício da competência concorrente para legislar sobre procedimento. A competência concorrente (CF, art. 24) abrange matérias como direito tributário, financeiro, penitenciário, etc., mas não inclui o direito processual (penal ou civil). O Art. 22, I, da CF reserva à União a competência privativa para legislar sobre direito processual. Assim, o Estado não detém competência concorrente para tratar do tema.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Reconhece a inconstitucionalidade, mas nega a possibilidade de controle concentrado perante o TJEA. Essa negativa é equivocada. Segundo a jurisprudência do STF, quando uma lei estadual viola norma federal de repetição obrigatória — como as que fixam a repartição de competências — o Tribunal de Justiça pode exercer o controle concentrado, tomando como parâmetro a própria Constituição Federal, que é reproduzida implicitamente pela Constituição Estadual. Da decisão, caberá recurso extraordinário ao STF.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

O diploma é inconstitucional por invasão da competência privativa da União (CF, art. 22, I). A ressalva é exatamente a prevista no parágrafo único do art. 22: "Lei complementar poderá autorizar os Estados a legislar sobre questões específicas das matérias relacionadas neste artigo." Quanto ao controle concentrado, o TJEA pode apreciá-lo com base na Constituição Estadual, que, por força do princípio da simetria, incorpora as normas federais de repetição obrigatória, entre as quais se inclui a repartição de competências. Portanto, é cabível a representação de inconstitucionalidade (ADI estadual) perante o TJ.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Sustenta a constitucionalidade por se tratar de matéria administrativa e de competência residual. O poder de requisitar inquérito policial não é questão meramente administrativa; está umbilicalmente ligado ao exercício da persecução penal, que é regulada pelo direito processual penal, de competência privativa da União. A competência residual dos Estados (CF, art. 25, §1º) abrange apenas as matérias que não sejam vedadas ou reservadas a outros entes, o que não é o caso.

PEGA ESSA DICA!

Na hora da prova, lembre-se: a competência para legislar sobre direito processual (penal ou civil) é sempre privativa da União (art. 22, I, CF). O Estado só pode agir se houver lei complementar federal autorizadora (art. 22, parágrafo único). Além disso, o controle concentrado estadual pode ter como parâmetro normas federais de repetição obrigatória, ainda que a Constituição Estadual seja omissa — isso é pacífico no STF. Monte uma tabela mental: competência privativa da União → art. 22; concorrente → art. 24; residual dos Estados → art. 25, §1º.

Gabarito: letra D.

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