Análise do uso do pronome "você" na crônica
Gabarito: letra D. O pronome "você" no texto de Luis Fernando Verissimo é empregado com valor de sujeito indeterminado, referindo-se a um agente genérico – qualquer cronista (ou pessoa) que vivencia a dificuldade de ter ideias. Isso fica claro em trechos como:
"Você chama e elas não se aproximam. Você grita por socorro e elas continuam longe, lixando as unhas. Você espreme o cérebro e não pinga nada."
Aqui "você" não se dirige a um interlocutor específico (leitor ou repórter), mas generaliza a experiência.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa afirma que "você" convoca o leitor a participar. No texto, porém, o pronome não apela ao leitor; trata-se de uma descrição da rotina do cronista. O leitor não é chamado a agir, apenas observa.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Não há hierarquia entre enunciador e leitor. O tom descontraído deriva do gênero crônica, não do uso de "você" como recurso hierárquico.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O texto não evita o pronome "tu"; simplesmente não o utiliza. A função de "você" não é evitar formalidade – "tu" também é informal em muitas regiões. O que importa é a indeterminação.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
Como demonstrado, "você" funciona como sujeito genérico, indeterminado. A passagem "Você chama e elas não se aproximam" refere-se a qualquer pessoa naquela situação, não a um interlocutor direto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
O texto não simula diálogo com a repórter após o primeiro parágrafo. O emprego de "você" ocorre na reflexão sobre o fazer crônica, não na reconstituição da entrevista.
Conclusão: A única opção que descreve corretamente a função do pronome é a letra D.