Pular para o conteúdo principal

Questão de Direito Civil — Direito das Coisas / Direitos Reais — FGV 2025

Direito CivilDireito das Coisas / Direitos Reais
Código
fg123287
Banca
FGV
Órgão
TRF - 1ª REGIÃO
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Juiz Federal Substituto
A Defensoria Pública Geral da União ajuíza ação civil pública contra a Caixa Econômica Federal, sustentando, em síntese, que são ilegais a previsão de alienação fiduciária em garantia de imóvel e o procedimento de leilão extrajudicial em contrato de financiamento imobiliário destinado à população de baixa renda.À luz da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o pedido formulado nessa ação deve ser julgado:
  1. Aprocedente, pois a alienação fiduciária em garantia e a execução extrajudicial do imóvel restringem o direito de defesa dos mutuários de baixa renda;
  2. Bprocedente, pois a alienação fiduciária em garantia de imóvel é um contrato de natureza patrimonialista e que presume o equilíbrio entre a instituição financeira e o mutuário;
  3. Cprocedente, pois a legislação de regência não permite a utilização conjunta dos dois institutos na hipótese de contrato de financiamento de imóvel;
  4. Dimprocedente, pois a consolidação da propriedade em nome do credor e o leilão extrajudicial do imóvel são hipóteses que ocorrem apenas nos casos mais graves de inadimplemento;
  5. Eimprocedente, pois a proibição de utilização dos dois institutos no caso de inadimplência dos contratos de financiamento imobiliário implicaria subsídio estatal ilegal.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoD — improcedente, pois a consolidação da propriedade em nome do credor e o leilão extrajudicial do imóvel são hipóteses que ocorrem apenas nos casos mais graves de inadimplemento;

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Alienação fiduciária em garantia – validade do procedimento para financiamento habitacional

Gabarito: letra D. O pedido deve ser julgado improcedente. O STF, em repercussão geral (Tema 982), declarou a constitucionalidade do procedimento de execução extrajudicial da cláusula de alienação fiduciária em garantia previsto na Lei nº 9.514/1997. A jurisprudência do STJ acompanha esse entendimento, afastando a alegação de ilegalidade dos institutos mesmo em contratos de financiamento imobiliário destinados à população de baixa renda.

A banca testa o conhecimento de que a alienação fiduciária em garantia e o leilão extrajudicial são instrumentos válidos e não violam o direito de defesa ou o equilíbrio contratual. A alternativa D acerta ao afirmar que tais medidas são aplicadas nos casos de inadimplemento, não havendo ilegalidade a ser declarada.

JURISPRUDÊNCIA

STF Tema 982

STF, Tema 982 de Repercussão Geral:

“É constitucional o procedimento da Lei nº 9.514/1997 para a execução extrajudicial da cláusula de alienação fiduciária em garantia, haja vista sua compatibilidade com as garantias processuais previstas na Constituição Federal.”

Alternativa A — ❌ Incorreta

Afirma que a alienação fiduciária e a execução extrajudicial restringem o direito de defesa dos mutuários. Contraria a jurisprudência consolidada, que reconhece a compatibilidade do procedimento com as garantias constitucionais (STF Tema 982). Não há violação ao contraditório, pois o devedor é notificado e pode purgar a mora.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Sustenta que o contrato de alienação fiduciária é de natureza patrimonialista e presume equilíbrio entre as partes. Não é esse o fundamento para julgar procedente a ação; ademais, a validade do instituto não depende de equilíbrio contratual presumido. A jurisprudência reconhece a legalidade do instrumento independentemente dessa premissa.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Alega que a legislação não permite a utilização conjunta dos dois institutos (alienação fiduciária e leilão extrajudicial). A Lei 9.514/1997, ao regulamentar a alienação fiduciária de imóvel, expressamente prevê o procedimento extrajudicial de consolidação da propriedade e leilão. Logo, a legislação permite o uso conjunto.

Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO

A ação é improcedente, pois a consolidação da propriedade em nome do credor e o leilão extrajudicial são consequências legítimas do inadimplemento, aplicáveis quando ocorre o descumprimento contratual. A jurisprudência do STF (Tema 982) e do STJ valida o procedimento, que não é ilegal nem abusivo, sendo reservado às situações de inadimplemento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Também afirma que a ação é improcedente, mas a justificativa é equivocada: a proibição dos institutos não implicaria subsídio estatal ilegal. O fundamento correto da improcedência é a constitucionalidade e legalidade do procedimento, e não uma suposta ilegalidade de subsídio. A alternativa D apresenta a motivação adequada.

Conclusão: A única alternativa que julga improcedente o pedido com justificativa compatível com a jurisprudência é a letra D. A alienação fiduciária e a execução extrajudicial são instrumentos lícitos, que não podem ser declarados ilegais em ação civil pública, mesmo quando envolvem mutuários de baixa renda.

Link permanente: /questoes/fg123287