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Questão de Medicina — Endocrinologia — FGV 2025

MedicinaEndocrinologia
Código
fg123766
Banca
FGV
Órgão
TRT - 24ª REGIÃO (MS)
Ano
2025
Nível
Superior
Cargo
Analista Judiciário​​​​​​​ - Área Apoio Especializado - Medicina (Reaplicação)
No final do mês de março, 8 servidores de um Tribunal do Trabalho foram diagnósticos com diabetes do tipo 2.Seguindo as recomendações da Sociedade Brasileira de Diabetes, assinale a opção que indica o momento recomendado para o início do rastreamento da retinopatia diabética.
  1. ANo diagnóstico.
  2. BA partir do primeiro ano do diagnóstico.
  3. CNo terceiro ano do diagnóstico.
  4. DIndicado somente nos indivíduos com antecedente de glaucoma.
  5. EIndicado somente nos indivíduos com antecedente de catarata.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoA — No diagnóstico.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

Rastreamento da retinopatia diabética no diabetes tipo 2

Gabarito: letra A. No diabetes mellitus tipo 2 (DM2), o rastreamento da retinopatia diabética deve ser iniciado no momento do diagnóstico, pois o DM2 frequentemente cursa com um longo período assintomático de hiperglicemia, e complicações microvasculares como a retinopatia podem já estar presentes quando o diabetes é detectado. Essa recomendação é uniforme nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e em protocolos do Ministério da Saúde, que orientam o exame oftalmológico imediatamente após o diagnóstico de DM2.

A retinopatia diabética é a complicação microvascular mais comum do diabetes e a principal causa de cegueira evitável em adultos em idade produtiva. A fisiopatologia envolve dano aos capilares da retina pela exposição crônica à hiperglicemia, levando a microaneurismas, hemorragias, exsudatos e, nas fases avançadas, à neovascularização (retinopatia proliferativa) e ao edema macular, que ameaçam diretamente a visão. O ponto central é que a retinopatia é assintomática em seus estágios iniciais — o paciente não percebe a perda visual até que as lesões estejam avançadas —, o que torna o rastreamento sistemático a única forma de diagnóstico precoce e de intervenção capaz de reduzir drasticamente o risco de cegueira.

A lógica do rastreamento é diferente entre os dois tipos principais de diabetes, e é exatamente essa diferença que a questão explora. No DM1, o início da doença é agudo e bem delimitado, com sintomas clássicos (poliúria, polidipsia, perda de peso) e diagnóstico geralmente em jovens; a retinopatia raramente aparece antes de 5 anos de doença, então o rastreamento começa 5 anos após o diagnóstico (ou no início da puberdade, se antes). Já no DM2, o diagnóstico costuma ocorrer anos após o início real da doença, porque a hiperglicemia se instala de forma insidiosa e assintomática — estima-se que muitos pacientes já tenham retinopatia no momento do diagnóstico, justamente por esse atraso. Por isso, o exame oftalmológico deve ser feito imediatamente após o diagnóstico, sem esperar nenhum intervalo.

Na prática, o fluxo é: ao diagnosticar DM2, o médico já deve solicitar o exame de fundo de olho (mapeamento de retina) na mesma consulta ou encaminhar o paciente ao oftalmologista. Após esse primeiro exame, a frequência de acompanhamento é definida pelo estágio da retinopatia: se não houver retinopatia, o rastreamento é anual; se houver retinopatia não proliferativa leve, pode ser semestral ou anual; se houver retinopatia mais avançada ou edema macular, o acompanhamento é mais frequente, conforme a gravidade. Gestantes com diabetes têm recomendação específica de exame trimestral durante a gestação.

A banca explora aqui a confusão entre as recomendações do DM1 e do DM2. O candidato que memoriza apenas "rastreamento começa em 5 anos" — regra do DM1 — marca a alternativa B, que está errada para o DM2. A pegadinha é justamente essa inversão: a regra do DM1 (esperar 5 anos) é apresentada como se valesse para o DM2, quando a recomendação correta para o DM2 é o rastreamento imediato. Guarde o par: DM1 → 5 anos após o diagnóstico; DM2 → no diagnóstico. É exatamente nessa fronteira que as alternativas se dividem.

  1. 1DM2: no diagnóstico
  2. 2DM1: 5 anos após
  3. 3Sem retinopatia: anual
  4. 4Gestante: trimestral
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO

No DM2, o rastreamento da retinopatia diabética deve ser iniciado no momento do diagnóstico. A justificativa é que o DM2 tem um período pré-clínico prolongado e assintomático, de modo que complicações microvasculares podem já estar presentes quando o diabetes é detectado. As diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes e os protocolos do Ministério da Saúde recomendam que o exame oftalmológico seja realizado imediatamente após o diagnóstico de DM2, com seguimento anual ou conforme o estágio da retinopatia.

Alternativa B — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento deve começar "a partir do primeiro ano do diagnóstico". Esse intervalo não corresponde a nenhuma recomendação para o DM2. A regra de aguardar um período após o diagnóstico é do DM1, mas mesmo nesse caso o prazo é de 5 anos, não 1 ano. Para o DM2, qualquer espera é contraindicada, pois a retinopatia pode já estar presente no diagnóstico.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento deve começar "no terceiro ano do diagnóstico". Assim como a alternativa B, esse prazo não tem fundamento nas diretrizes. Não existe recomendação de aguardar 3 anos para iniciar o rastreamento em DM2 — o exame deve ser feito imediatamente após o diagnóstico. O número "3 anos" é um distrator sem correspondência com qualquer protocolo.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento é indicado "somente nos indivíduos com antecedente de glaucoma". Isso é duplamente errado: (1) o rastreamento da retinopatia diabética é indicado para todos os pacientes com diabetes, independentemente de comorbidades oculares; (2) o glaucoma é uma condição ocular distinta, que não é pré-requisito para o rastreamento da retinopatia. A presença de glaucoma pode até exigir acompanhamento oftalmológico mais frequente, mas não é condição para iniciar o rastreamento.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Afirma que o rastreamento é indicado "somente nos indivíduos com antecedente de catarata". Mesmo erro da alternativa D: o rastreamento é universal para todos os diabéticos, não restrito a quem tem catarata. A catarata é outra complicação ocular associada ao diabetes (pacientes diabéticos têm maior risco de catarata), mas não é critério para indicar o rastreamento da retinopatia. A recomendação vale para todo paciente com DM2, desde o diagnóstico.

Gabarito: letra A — o rastreamento da retinopatia diabética no DM2 deve ser iniciado no momento do diagnóstico.

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