A restrição na descrição do guia turístico sobre a Mona Lisa
Gabarito: letra C. A descrição do guia é restrita porque seu desagrado pessoal pelo quadro (mencionado no enunciado: "a quem não agradava o famoso quadro") influencia a seleção dos elementos descritos, resultando em um texto seco e minimalista. A banca chama isso de "limitação psicológica do observador".
Trecho decisivo: “Um guia turístico, a quem não agradava o famoso quadro de Leonardo Da Vinci, a Mona Lisa, fez a seguinte descrição...”
O enunciado já informa a rejeição do guia pela obra. Sua fala é enxuta, sem ênfase ou detalhamento – exatamente o que se espera de alguém que não aprecia o quadro. A causa da restrição está no ânimo do observador, não em fatores externos.
Alternativa A — ❌ Incorreta
A alternativa atribui a restrição à limitação de conhecimento do guia sobre pintura clássica. O texto, porém, não informa nada sobre o nível de conhecimento dele. Um guia turístico do Louvre, ainda que não seja especialista, tem obrigatoriamente formação para descrever a obra. Além disso, o texto diz expressamente que ele não gostava do quadro – essa é a razão fornecida, não a ignorância. A alternativa extrapola ao inventar uma causa não mencionada.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Sugere que o guia não conseguia ver claramente a pintura. Em nenhum momento o texto fala em má iluminação, obstrução visual ou qualquer problema de posicionamento. O guia está conduzindo um grupo e olha para o quadro – não há obstáculo. Mais uma extrapolação sem apoio no texto.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A frase inicial do enunciado – “a quem não agradava o famoso quadro” – estabelece o desagrado do guia. Esse estado psicológico negativo leva a uma descrição sucinta e desinteressada: “uma mulher ao centro da tela... expressão indefinida... Vamos passar à próxima sala.” Ele não acrescenta elogios, curiosidades ou dados históricos; seu incômodo pessoal filtra os elementos que decide mencionar. É a explicação mais direta e ancorada no texto.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Afirma que o próprio quadro não permite “muita expansão descritiva”. Isso é falso: a Mona Lisa é uma das obras mais analisadas da história, com inúmeros detalhes técnicos, históricos e simbólicos. A limitação não está na obra, mas na atitude do observador. A alternativa contradiz o conhecimento geral sobre o tema e, principalmente, não se apoia em nenhum dado textual – o guia poderia descrever muito mais, mas não o faz por desgosto.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Culpa a falta de tempo para a visita. O texto diz “Vamos passar à próxima sala”, mas não há indicação de que o grupo estava com pressa ou que o tempo era curto. O guia poderia ter falado mais se quisesse; ele escolheu encerrar a descrição rapidamente. A alternativa introduz um fator externo (tempo) que o texto não menciona – extrapolação.
Conclusão: A única alternativa que se sustenta exclusivamente com informações do texto é a C. O desagrado do guia (limitação psicológica) é a causa explícita da descrição restrita. Ao marcar a resposta, lembre-se: a banca FGV costuma explorar a motivação do enunciador em questões de interpretação – grife sempre as palavras que revelam a atitude do autor/personagem.