A língua dispõe de recursos pelos quais se pode criar novas palavras, a fim de expressar não só novos significados, mas também posicionamento dos falantes sobre as coisas do mundo.Assinale a opção em que todos os afixos apresentem um conteúdo subjetivo.
Aenvenenamento – inexorável – viciosos
Bpoliticagem – respeitável – tradição
Cpoliticalha – friozinho – jornaleco
Dpolitiquice – desprezo – batismo
Epoliticalha – natureba – formação
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GabaritoC — politicalha – friozinho – jornaleco
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Valor subjetivo dos sufixos
Gabarito: letra C. A questão pede a opção em que todos os afixos (sufixos, no caso) apresentem conteúdo subjetivo, ou seja, que carreguem opinião, julgamento ou afeto do falante. A alternativa C — politicalha, friozinho, jornaleco — é a única em que todos os sufixos são subjetivos: -alha e -eco são pejorativos, e -zinho tem valor afetivo/diminutivo. O texto de Rui Barbosa já exemplifica politicalha como pejorativo: “o sufixo pejorativo queima como um ferrete”.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
envenenamento (sufixo -mento, denotativo – forma substantivos de ação/resultado, sem subjetividade); inexorável (-ável, denotativo – “que pode ser…”); viciosos (-oso, denotativo – “cheio de” ). Nenhum dos sufixos expressa opinião.
Alternativa B — ❌ Incorreta
politicagem (-agem pode ser pejorativo em alguns contextos, mas respeitável e tradição são denotativos). O sufixo -ável é denotativo; o radical tradição não tem sufixo subjetivo.
Alternativa C — ✅ Correta ⟵ GABARITO
politicalha (-alha, pejorativo); friozinho (-zinho, diminutivo afetivo – pode expressar carinho, depreciação ou intensidade, sempre subjetivo); jornaleco (-eco, pejorativo). Todos os sufixos carregam valor subjetivo.
Alternativa D — ❌ Incorreta
politiquice (-ice, pejorativo), mas desprezo (substantivo sem sufixo subjetivo; o -o é desinência de gênero) e batismo (sufixo -ismo, denotativo – “doutrina/ato”) quebram a exigência.
Alternativa E — ❌ Incorreta
politicalha (pejorativo), mas natureba (sufixo -eba? Não é claramente subjetivo; denota “proveniente de” ou “adepto”, sem juízo) e formação (-ção, denotativo) descartam a opção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca confunde o candidato ao incluir palavras de sentido negativo (ex.: desprezo), mas que não são formadas por sufixo subjetivo. A questão é sobre recurso morfológico (o sufixo), não sobre o significado do radical.
Conclusão: Apenas a letra C contém três vocábulos cujos sufixos expressam conteúdo subjetivo, alinhando-se ao comando e aos exemplos do texto de Rui Barbosa.