As questões da prova de Língua Portuguesa referem-se ao
TEXTO a seguir:
O Brasil na crise do clima
Dimas Ramalho
Chuvas apocalípticas no Rio Grande do Sul, secas extremas no
Pantanal e na Amazônia, inundações recordes em países da Ásia e
da Europa, ondas de calor mortíferas nos quatro cantos do mundo.
São gritantes os sinais de que algo está profundamente errado no
clima planetário.
Nem todo mundo entende, porém, que por trás desse fenômeno
alarmante está a mão do homem. Após décadas de estudos e
medições, não resta dúvida de que a causa do aquecimento global
são os gases do efeito estufa emitidos por seres humanos, a maior
parte deles proveniente da queima de petróleo e seus derivados.
Com a elevação da temperatura média do globo, tornam-se mais
frequentes os chamados eventos climáticos extremos, com
consequências tremendas para as populações humanas e os
ecossistemas naturais. Segundo a pesquisa Datafolha, 77% da
população brasileira vivenciou recentemente algum evento desse
tipo.
Por mais que os efeitos da mudança climática venham ficando
cada dia mais evidentes no planeta, enfrentar as suas causas tem-se mostrado uma tarefa imensamente complexa. A principal razão
é que reduzir drasticamente as emissões de gases do efeito estufa
implica uma mudança radical na matriz energética global, ainda
amplamente baseada no petróleo.
Nessa verdadeira corrida contra o tempo, o Brasil curiosamente
desponta de maneira singular. Por aqui, as principais fontes de
poluição não provêm, como nas outras grandes economias do
mundo, de atividades industriais e da queima de combustíveis
fósseis, mas do desmatamento.
A floresta derrubada libera na atmosfera todo o carbono
armazenado na madeira, nas folhas e nas raízes quando é
queimada ou apodrece sobre o solo. Já a atividade pecuária, além
de relevante indutor do desmatamento na Amazônia, libera, por
meio da digestão dos ruminantes, o metano, um dos gases que
mais potencializam o efeito estufa.
Hoje, felizmente, boa parte dos produtores já entendeu isso, e
vêm investindo no aumento da produtividade no campo e
ampliando a chamada agricultura de baixo carbono. Um
agronegócio com consciência ambiental combinado a um combate
firme do desmatamento por parte dos governos forma uma
aliança poderosa, que beneficiará o Brasil e o mundo.
Em “enfrentar as suas causas tem-se mostrado uma tarefa imensamente complexa”, o elemento em destaque funciona como
Aum pronome apassivador.
Bum pronome reflexivo.
Cum índice de indeterminação do sujeito.
Duma parte pronominal do verbo.
Euma conjunção integrante.
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GabaritoD — uma parte pronominal do verbo.
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Função do 'se' em 'tem-se mostrado'
Gabarito: letra D. O elemento "se" na locução verbal "tem-se mostrado" funciona como parte pronominal do verbo, ou seja, integra um verbo essencialmente pronominal. Isso se comprova porque "mostrar-se" é um verbo que exige o pronome oblíquo para completar seu sentido, e não admite as interpretações de apassivador, reflexivo, indeterminador ou conjunção.
No texto, a frase está no 4º parágrafo: "Por mais que os efeitos da mudança climática venham ficando cada dia mais evidentes no planeta, enfrentar as suas causas tem-se mostrado uma tarefa imensamente complexa." O verbo "mostrar-se" (no caso, conjugado como "tem-se mostrado") é um verbo pronominal; o "se" é parte do verbo, não exerce função sintática autônoma.
Análise das alternativas
Alternativa A — ❌ Incorreta
Erro:troca de conceito. O "se" apassivador transforma o verbo transitivo direto em voz passiva sintética (ex.: "vendem-se casas"). Na frase, não há voz passiva: "mostrar-se" não admite passiva — o sujeito é "enfrentar as suas causas" e o verbo indica uma qualidade desse sujeito, não uma ação praticada por agente.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro:troca de conceito. O pronome reflexivo indica que o sujeito pratica e sofre a ação ao mesmo tempo (ex.: "ele se cortou"). Em "tem-se mostrado", não há ação reflexiva — o sujeito não "mostra a si mesmo" de forma literal; o verbo tem sentido de "revelar-se", típico de verbo pronominal.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro:troca de conceito. O índice de indeterminação do sujeito ocorre com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação na 3ª pessoa do singular + "se" (ex.: "vive-se bem aqui"). Em "tem-se mostrado", o verbo é pronominal (transitivo direto? Não; é de ligação? Também não; é verbo significativo com predicação completa?) e o sujeito está expresso ("enfrentar as suas causas"), portanto não há indeterminação.
Alternativa D — ✅ Correta
Justificativa: O verbo "mostrar" quando acompanhado do pronome "se" forma um verbo pronominal, em que o "se" é parte integrante do verbo, sem função sintática separada. Verbos como "arrepender-se", "queixar-se", "suicidar-se", "candidatar-se" e "mostrar-se" são exemplos clássicos. Na locução "tem-se mostrado", o pronome está enclítico ao verbo auxiliar "ter", mas mantém a mesma natureza: integra o verbo principal "mostrar".
PEGA ESSA DICA!
Para identificar se o "se" é parte do verbo, teste substituir por outro verbo pronominal (ex.: "arrepender-se") — a estrutura se mantém. Se for apassivador, o verbo vira passivo; se reflexivo, a ação é mútua. Nenhum desses testes se aplica aqui.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro:troca de conceito. Conjunção integrante introduz oração subordinada substantiva (ex.: "Não sei se ele vem"). Na frase, não há oração subordinada; o "se" está ligado diretamente ao verbo, não a um verbo de outra oração.
Conclusão: A única alternativa que descreve corretamente a função do "se" no contexto é a letra D, pois ele é parte integrante do verbo pronominal "mostrar-se".
NÃO CAIA NESSA!
Sujeito nunca tem preposição
Se um termo vem regido de preposição (de, em, a...), ele não é o sujeito da oração. Serve para não confundir sujeito com objeto/adjunto preposicionado.