Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2025
Português›Interpretação de Textos
Código
fg124368
Banca
FGV
Órgão
CPRM
Ano
2025
Nível
Médio
No trecho “eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele”, observa-se o uso de uma linguagem
Apoética, considerando uma dimensão lúdica das palavras.
Bregional, a partir de um uso particular e local dos termos.
Cliteral, em que se leva em conta o sentido próprio dos vocábulos.
Doral, que busca uma aproximação com o leitor.
Eformal, a fim de dialogar com o caráter científico do texto.
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GabaritoA — poética, considerando uma dimensão lúdica das palavras.
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Linguagem poética no trecho de Krenak
Gabarito: letra A. O trecho “eu vou deixar o meu quintal cheio de mato, quero estudar a gramática dele” emprega linguagem poética, pois atribui sentido figurado a “gramática” (sistema próprio da natureza) em vez do sentido literal (regras de uma língua). Isso se alinha ao texto, que fala em “poética esquecida” e “rebelião epistemológica”.
Funções da linguagem
1Função poética
Sentido figurado / metafórico
Brinca com as palavras
Ex.: "gramática do mato"
2Função referencial (literal)
Sentido próprio dos vocábulos
Informação objetiva
3Função emotiva
Subjetividade / 1ª pessoa
4Função conativa (apelativa)
Convencer o interlocutor
5Função fática
Manter o contato
6Função metalinguística
Explica o próprio código
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Alternativa A — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A linguagem é poética porque brinca com a palavra “gramática”, desviando-a do uso comum para sugerir que o mato tem uma estrutura própria a ser estudada com criatividade. O texto reforça essa interpretação ao criticar a “civilização urbana” e propor uma “experiência de florestania”.
“quero chamar a atenção para uma potência de existir que tem uma poética esquecida, abandonada pelas escolas”
O uso de “gramática dele” é uma metáfora que humaniza a natureza e convida a um olhar lúdico e reflexivo, característico da função poética da linguagem.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Erro: extrapolação. Não há marcas de regionalismo no trecho; os termos “quintal”, “mato”, “gramática” são de uso geral no português brasileiro, sem especificidade local. O texto não indica que o autor emprega variante regional.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A leitura literal (“gramática” como conjunto de regras de língua) não se sustenta: o autor não está estudando regras gramaticais, mas a natureza. O próprio texto defende uma “rebelião do ponto de vista epistemológico”, ou seja, um rompimento com o sentido imediato.
PEGA ESSA DICA!
Desconfie de “literal” quando o contexto claramente brinca com as palavras.
Alternativa D — ❌ Incorreta
Erro: restrição indevida. Embora o trecho tenha tom coloquial e pessoal, a principal característica não é a oralidade, mas a poeticidade. A oralidade é um recurso, não a essência. O texto como um todo é reflexivo e literário, não uma fala espontânea.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Erro: contradiz o texto. A linguagem é justamente o oposto da formal: usa termos cotidianos (“mato”, “quintal”) e uma construção sintática simples, além de carregar forte subjetividade. O texto critica o “pensamento urbanístico” e as “escolas formadoras”, distanciando-se de um tom científico.