Questão de Português — Interpretação de Textos — FGV 2025
- Código
- fg124376
- Banca
- FGV
- Órgão
- CPRM
- Ano
- 2025
- Nível
- Médio
- APersuadir o leitor.
- BProvocar uma reflexão.
- CMarcar somente a entonação.
- DExprimir incerteza sobre o tema.
- EQuestionar autoridades.
GabaritoB — Provocar uma reflexão.
Gabarito: letra B. As perguntas presentes no texto têm por finalidade principal provocar uma reflexão no leitor, conduzindo-o a repensar conceitos estabelecidos sobre urbanização, floresta e habitat. A banca cobra a identificação do efeito discursivo das interrogações, que não são meramente retóricas para persuadir ou questionar autoridades, mas sim para instigar um questionamento crítico.
“Como atravessar o muro das cidades? Quais possíveis implicações poderiam existir entre comunidades humanas que vivem na floresta e as que estão enclausuradas nas metrópoles? [...] como fazer a floresta existir em nós, em nossas casas, em nossos quintais?”
Tais perguntas não buscam respostas imediatas; elas operam como convite à reflexão sobre a possibilidade de integrar a natureza à vida urbana, em sintonia com a tese central de que “a vida é selvagem” e que é preciso “colaborar com a produção de vida”. O autor não expressa dúvida (alternativa D), mas sim provoca o leitor a pensar criticamente.
A persuasão implica convencer o leitor a adotar uma ação ou crença específica. As perguntas, porém, têm caráter exploratório e interrogativo, sem uma conclusão imposta. O texto não ordena nem conclama diretamente; convida à reflexão, não à persuasão.
As interrogações funcionam como estímulo à reflexão. A pergunta “como fazer a floresta existir em nós?” é um convite a pensar sobre formas de integração ecológica. O texto é uma “convocatória a uma rebelião do ponto de vista epistemológico” – rebelar-se pelo pensamento, refletindo sobre as premissas urbanísticas vigentes.
Marcar a entonação é função da pontuação no discurso oral ou escrito para indicar melodia, mas não é o efeito principal das perguntas no texto. A questão pede função textual, não marca prosódica.
Embora as perguntas expressem curiosidade, o autor não está incerto sobre o tema; ele defende uma tese clara (a vida é selvagem; as cidades enclausuram). As perguntas são retóricas, usadas para engajar o leitor, não para demonstrar hesitação.
Questionar autoridades não é o foco. O autor contesta a “ordem urbana sanitária” e as escolas que perpetuam a dicotomia civilização/barbárie, mas as perguntas não são dirigidas a figuras de autoridade; são questionamentos amplos sobre nossa própria relação com a natureza.
Gabarito: letra B.
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