Real Forte Príncipe da Beira
Gabarito: letra D. A finalidade principal do Real Forte Príncipe da Beira era garantir a soberania portuguesa sobre a região fronteiriça do Rio Guaporé, impedindo avanços espanhóis e consolidando o domínio lusitano na área. Construído no século XVIII, a oeste da linha de Tordesilhas, a fortaleza se insere na política de defesa e expansão territorial da Coroa portuguesa, que buscava assegurar a posse efetiva dos territórios ocupados no interior da América do Sul.
A questão exige conhecimento sobre a função das fortificações militares no contexto colonial, especialmente na fronteira oeste. O forte não era entreposto comercial, missão religiosa, defesa contra corsários estrangeiros (que atuavam no litoral) nem posto de controle de escravos. Sua razão de existir era militar e geopolítica.
Alternativa A — ❌ Incorreta
Afirma que o forte servia como entreposto comercial para escoar ouro e diamantes. Embora a região do Mato Grosso tivesse mineração, a função primordial do Real Forte Príncipe da Beira era defensiva, não comercial. Entrepostos comerciais existiam em vilas e cidades, não em fortalezas isoladas.
Alternativa B — ❌ Incorreta
Diz que o forte estabelecia uma missão religiosa jesuítica. Não há registro de que o forte abrigasse missão; as missões jesuíticas na região eram anteriores e independentes. O forte era uma construção militar, não religiosa.
Alternativa C — ❌ Incorreta
Atribui ao forte a proteção contra corsários franceses e ingleses. Esses corsários atuavam principalmente no litoral atlântico, não no interior da Amazônia. A ameaça na região do Guaporé era espanhola, já que o território estava além de Tordesilhas e era disputado entre as coroas ibéricas.
Alternativa D — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A finalidade correta: garantir a soberania portuguesa sobre a região fronteiriça e impedir avanços espanhóis. O Real Forte Príncipe da Beira, construído entre 1776 e 1783, foi uma das várias fortificações erguidas no século XVIII para marcar presença e defender a fronteira oeste, em conformidade com os tratados de limites (Madri, 1750; Santo Ildefonso, 1777) que consagravam o princípio do uti possidetis.
Alternativa E — ❌ Incorreta
Sugere que o forte controlava o fluxo de escravos indígenas e africanos. Não há evidência histórica de que essa fosse sua função. O controle de escravos era feito por postos fiscais e registros, não por fortalezas militares no extremo oeste.
Conclusão: a única alternativa que corresponde à realidade histórica é a letra D. O Real Forte Príncipe da Beira foi peça-chave na estratégia portuguesa de ocupação e defesa da Amazônia ocidental.