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Questão de Medicina — Epidemiologia — FGV 2025

MedicinaEpidemiologia
Código
fg124678
Banca
FGV
Órgão
EBSERH
Ano
2025
Nível
Superior
Considere um ensaio clínico hipotético de prevenção primária que comparou uma nova droga “A”, utilizada para reduzir o colesterol, com o placebo, para prevenir eventos cardiovasculares. O estudo mostrou que a droga “A” foi capaz de reduzir em 20% o risco relativo de infarto agudo do miocárdio (IAM) em relação ao placebo, ao longo de 4 anos de acompanhamento médio.Considerando que o NNT (número necessário para tratar) para reduzir 1 IAM foi de 250, assinale a opção que apresenta a respectiva porcentagem da incidência de infarto no grupo placebo e do tratado com a nova droga, nos 4 anos médios de acompanhamento do estudo.
  1. A5% e 4,2%.
  2. B2% e 1,6%.
  3. C4% e 3,6%.
  4. D1% e 0,75%.
  5. E3% e 1,5%.
Revelar gabarito e comentário

GabaritoB — 2% e 1,6%.

Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.

NNT e risco relativo: cálculo da incidência de eventos

Gabarito: letra B. A droga reduziu o risco relativo de IAM em 20%, o que significa que a incidência no grupo tratado é 80% da incidência no grupo placebo. Com o NNT de 250, a diferença absoluta de risco (DAR) é de 0,4% (1/250). Resolvendo o sistema: se a incidência no placebo é pp e no tratado é 0,8p0{,}8p, então p0,8p=0,004p - 0{,}8p = 0{,}004, logo p=0,02p = 0{,}02 (2%) e a incidência no tratado é 0,8×2%=1,6%0{,}8 \times 2\% = 1{,}6\%.

O número necessário para tratar (NNT) é uma medida de efeito absoluto que indica quantos pacientes precisam ser tratados para evitar um evento adicional em comparação com o controle. Ele é o inverso da diferença absoluta de risco (DAR), que é a subtração entre a incidência no grupo controle (placebo) e a incidência no grupo tratado. A redução relativa de risco (RRR), por sua vez, expressa a proporção de redução do risco no grupo tratado em relação ao controle. A relação entre essas medidas é o coração desta questão: a RRR sozinha não permite calcular as incidências absolutas, mas, combinada com o NNT, forma um sistema de duas equações com duas incógnitas.

Vamos formalizar. Seja pp a incidência de IAM no grupo placebo (em 4 anos) e qq a incidência no grupo tratado. A RRR de 20% significa que q=p×(10,20)=0,8pq = p \times (1 - 0{,}20) = 0{,}8p. O NNT de 250 significa que a DAR é pq=1250=0,004p - q = \frac{1}{250} = 0{,}004 (ou 0,4%). Substituindo a primeira equação na segunda, temos p0,8p=0,004p - 0{,}8p = 0{,}004, ou seja, 0,2p=0,0040{,}2p = 0{,}004, o que resulta em p=0,02p = 0{,}02 (2%). Portanto, a incidência no grupo placebo é 2% e no grupo tratado é 0,8×2%=1,6%0{,}8 \times 2\% = 1{,}6\%.

Na prática, imagine um estudo com 1.000 pacientes em cada grupo. Se 2% dos pacientes do grupo placebo sofrerem IAM, isso corresponde a 20 eventos. No grupo tratado, com incidência de 1,6%, teríamos 16 eventos. A diferença é de 4 eventos evitados a cada 1.000 pacientes tratados, o que equivale a 1 evento evitado a cada 250 pacientes tratados — exatamente o NNT informado. Essa relação é consistente e confirma o cálculo.

A pegadinha desta questão está em confundir a redução relativa (20%) com a redução absoluta (0,4%). O candidato apressado pode tentar aplicar os 20% diretamente sobre o NNT ou sobre uma incidência arbitrária, esquecendo que a RRR é uma proporção do risco basal, não um valor absoluto. A chave é lembrar que o NNT fornece a DAR, e a RRR fornece a razão entre as incidências — juntas, elas determinam unicamente os valores absolutos.

Guarde a fórmula que amarra tudo: NNT=1pqNNT = \frac{1}{p - q} e RRR=pqpRRR = \frac{p - q}{p}. Com essas duas equações, você resolve qualquer questão que forneça NNT e RRR (ou RRA). É exatamente esse raciocínio que separa as alternativas corretas das incorretas.

  1. 1RRR 20% → q = 0,8p
  2. 2NNT 250 → DAR = 0,4%
  3. 3p − 0,8p = 0,004
  4. 4p = 2% (placebo)
  5. 5q = 1,6% (tratado)
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Alternativa A — ❌ Incorreta

Apresenta 5% e 4,2%. Se a incidência no placebo fosse 5%, a DAR seria 5%4,2%=0,8%5\% - 4{,}2\% = 0{,}8\%, o que daria um NNT de 1/0,008=1251/0{,}008 = 125, não 250. Além disso, a razão entre as incidências seria 4,2/5=0,844{,}2/5 = 0{,}84, ou seja, uma RRR de apenas 16%, não 20%. O erro está em não respeitar nem o NNT nem a RRR fornecidos.

Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO

Como demonstrado, com incidência de 2% no placebo e 1,6% no tratado, a DAR é 2%1,6%=0,4%2\% - 1{,}6\% = 0{,}4\%, resultando em NNT de 1/0,004=2501/0{,}004 = 250. A razão entre as incidências é 1,6/2=0,81{,}6/2 = 0{,}8, o que confirma a RRR de 20%. Os dois dados do enunciado são exatamente satisfeitos.

Alternativa C — ❌ Incorreta

Apresenta 4% e 3,6%. A DAR seria 4%3,6%=0,4%4\% - 3{,}6\% = 0{,}4\%, o que daria NNT de 250, correto. Porém, a razão entre as incidências é 3,6/4=0,93{,}6/4 = 0{,}9, ou seja, uma RRR de apenas 10%, não 20%. A alternativa acerta o NNT, mas falha na RRR — um distrator que explora o erro de calcular apenas uma das medidas.

Alternativa D — ❌ Incorreta

Apresenta 1% e 0,75%. A DAR seria 1%0,75%=0,25%1\% - 0{,}75\% = 0{,}25\%, resultando em NNT de 1/0,0025=4001/0{,}0025 = 400, não 250. A razão entre as incidências é 0,75/1=0,750{,}75/1 = 0{,}75, o que daria uma RRR de 25%, não 20%. Ambos os valores estão incorretos.

Alternativa E — ❌ Incorreta

Apresenta 3% e 1,5%. A DAR seria 3%1,5%=1,5%3\% - 1{,}5\% = 1{,}5\%, resultando em NNT de 1/0,015671/0{,}015 \approx 67, muito distante de 250. A razão entre as incidências é 1,5/3=0,51{,}5/3 = 0{,}5, o que daria uma RRR de 50%, não 20%. A alternativa erra tanto o NNT quanto a RRR.

NÃO CAIA NESSA!

A banca explora a confusão entre redução relativa e absoluta de risco. O candidato que aplica os 20% diretamente sobre o NNT ou sobre uma incidência arbitrária cai nas alternativas C ou E. Lembre-se: a RRR é uma proporção do risco basal, e o NNT é o inverso da DAR. Com as duas equações, o sistema resolve-se de forma única.

PEGA ESSA DICA!

Para questões que fornecem NNT e RRR, monte o sistema: q=p×(1RRR)q = p \times (1 - RRR) e pq=1/NNTp - q = 1/NNT. Resolva para pp e depois para qq. Esse método funciona para qualquer combinação dessas medidas e evita erros de interpretação.

Gabarito: letra B — incidência de 2% no grupo placebo e 1,6% no grupo tratado.

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