Questão de Raciocínio Lógico — Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos — FGV 2025
Raciocínio Lógico›Lógica de Argumentação - Diagramas e Operadores Lógicos
Código
fg124784
Banca
FGV
Órgão
MPE-RJ
Ano
2025
Nível
Superior
Heródoto conta o episódio da resposta do oráculo de Delfos a uma consulta de Creso, rei da Lídia, antes de cruzar a fronteira para enfrentar o grande exército persa: “Se você for para o Oeste e cruzar o rio Hallis, um poderoso império será destruído”. Efectivamente, contra sua confiante interpretação, o império destruído foi o do próprio Creso.O texto da previsão do oráculo mostra uma falácia informal ou extra lógica, que é:
Ainferência indevida por extrapolação.
Ba possível ambiguidade.
Cargumento intimidatório.
Ddesvio do objeto da discussão para a pessoa.
Esubstituição da razão por apelos emotivos.
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GabaritoB — a possível ambiguidade.
Comentário gerado por IA. É um apoio ao estudo, ancorado em fontes, mas pode conter imprecisões — confira sempre na fonte oficial (lei, súmula, edital e gabarito da banca). Encontrou um erro? Use “Reportar”.
Falácias informais: a ambiguidade no oráculo de Delfos
Gabarito: letra B. A falácia presente na previsão do oráculo é a ambiguidade: a frase "um poderoso império será destruído" não especifica qual império, permitindo que tanto o império persa quanto o da Lídia (de Creso) se encaixem na previsão. Essa falta de precisão é o que torna a afirmação enganosa e, ao mesmo tempo, sempre "verdadeira" após o fato — característica típica das falácias de ambiguidade.
A questão cobra o reconhecimento de uma falácia informal (ou extra lógica), ou seja, um erro de raciocínio que não está na estrutura formal do argumento, mas no conteúdo, na linguagem ou no contexto. Diferentemente das falácias formais (que violam regras de dedução), as informais exploram ambiguidades, apelos emocionais, ataques pessoais, entre outros artifícios. No caso do oráculo, a ambiguidade é a chave: a expressão "um poderoso império" é vaga — não identifica o império, e é exatamente essa vagueza que permite que a previsão se "cumpra" independentemente do resultado.
A banca explora a confusão entre ambiguidade e outras falácias, como a inferência indevida por extrapolação (que envolve generalizar a partir de casos particulares) ou o apelo emotivo (que substitui a razão por emoção). Aqui, não há extrapolação nem emoção: há uma falta de clareza no termo "império", que é o cerne da ambiguidade. O oráculo não erra ao prever; ele apenas usa uma linguagem que pode ser interpretada de mais de uma forma — e Creso, confiante, interpretou-a a seu favor.
Caso
Interpretação de "um poderoso império será destruído"
Resultado
Creso (interpretação confiante)
Império persa (o inimigo)
Previsão falsa (império persa não destruído)
Realidade (após o fato)
Império da Lídia (o de Creso)
Previsão verdadeira (império de Creso destruído)
Análise lógica
Termo "um poderoso império" é vago — não especifica qual
Ambiguidade (falácia informal)
Falácias informais: Ambiguidade (gabarito) (termo vago: "um poderoso império", permite múltiplas interpretações); Extrapolação (A) (generalização indevida); Argumento intimidatório (C) (apela à força/ameaça); Ad hominem (D) (ataca a pessoa); Apelo emotivo (E) (substitui razão por emoção)
Alternativa A — ❌ Incorreta
A inferência indevida por extrapolação ocorre quando se generaliza a partir de uma amostra ou caso particular, estendendo a conclusão além do que os dados permitem. No texto, não há generalização: a previsão é específica ("um poderoso império será destruído"), mas ambígua quanto a qual império. A falha não está em extrapolar, mas em não especificar o sujeito da destruição.
Alternativa B — ✅ Correta ⟵ GABARITO
A ambiguidade é a falácia correta. A expressão "um poderoso império" é vaga — não identifica qual império será destruído. Isso permite que a previsão seja interpretada de múltiplas formas: Creso acreditou que seria o império persa, mas o império destruído foi o seu. A ambiguidade é uma falácia informal clássica, pois a falta de precisão na linguagem compromete a clareza do argumento, tornando-o enganoso.
Alternativa C — ❌ Incorreta
O argumento intimidatório (ou ad baculum) apela à força, à ameaça ou à intimidação para fazer a conclusão ser aceita. No texto, não há ameaça ou coerção: o oráculo apenas faz uma previsão. Não há qualquer elemento de intimidação na resposta de Delfos.
Alternativa D — ❌ Incorreta
O desvio do objeto da discussão para a pessoa (ou ad hominem) ataca o interlocutor em vez de rebater seus argumentos. No texto, não há ataque pessoal a Creso ou a qualquer outra pessoa. A falácia aqui é de linguagem, não de ataque à pessoa.
Alternativa E — ❌ Incorreta
A substituição da razão por apelos emotivos (ou ad populum/ad misericordiam) usa emoções (medo, piedade, entusiasmo) para convencer, em vez de razões. No texto, não há apelo emocional: a previsão é seca e objetiva, sem tentar manipular sentimentos. A falha é a ambiguidade, não a emoção.
NÃO CAIA NESSA!
A banca tenta fazer o candidato confundir ambiguidade com inferência indevida por extrapolação (letra A). A extrapolação envolve generalizar a partir de casos particulares; aqui, não há generalização — há uma expressão vaga ("um poderoso império") que não identifica o sujeito. Lembre-se: ambiguidade = falta de clareza; extrapolação = generalização indevida. Com treino, você distingue essas falácias de longe 💪.
Gabarito: letra B — a falácia é a possível ambiguidade.